The Prague Post - Parque Yasuní, preservar ou explorar: debate climático chega às urnas no Equador

EUR -
AED 4.350475
AFN 77.000016
ALL 96.454975
AMD 452.047591
ANG 2.120545
AOA 1086.286213
ARS 1725.238026
AUD 1.710479
AWG 2.135258
AZN 2.007664
BAM 1.951672
BBD 2.40163
BDT 145.711773
BGN 1.989397
BHD 0.449557
BIF 3532.68688
BMD 1.184609
BND 1.510131
BOB 8.239571
BRL 6.269424
BSD 1.192242
BTN 109.499298
BWP 15.600223
BYN 3.39623
BYR 23218.339784
BZD 2.398137
CAD 1.618478
CDF 2683.139764
CHF 0.916298
CLF 0.026022
CLP 1027.494776
CNY 8.235107
CNH 8.235012
COP 4347.219511
CRC 590.460955
CUC 1.184609
CUP 31.392143
CVE 110.03271
CZK 24.351003
DJF 212.331747
DKK 7.467676
DOP 75.072465
DZD 154.147531
EGP 55.878723
ERN 17.769138
ETB 185.235695
FJD 2.611648
FKP 0.865278
GBP 0.866695
GEL 3.192536
GGP 0.865278
GHS 13.062424
GIP 0.865278
GMD 86.476639
GNF 10463.043965
GTQ 9.145731
GYD 249.464409
HKD 9.250553
HNL 31.472956
HRK 7.534477
HTG 156.052534
HUF 381.797757
IDR 19913.694806
ILS 3.686918
IMP 0.865278
INR 108.607225
IQD 1562.095668
IRR 49901.661585
ISK 145.008115
JEP 0.865278
JMD 186.857891
JOD 0.839889
JPY 183.519063
KES 153.939966
KGS 103.594234
KHR 4794.938126
KMF 491.612449
KPW 1066.148258
KRW 1730.03927
KWD 0.36358
KYD 0.99369
KZT 599.696388
LAK 25660.935532
LBP 106778.978995
LKR 368.751529
LRD 214.927175
LSL 18.932911
LTL 3.497842
LVL 0.716558
LYD 7.482204
MAD 10.81612
MDL 20.055745
MGA 5328.75048
MKD 61.509887
MMK 2488.068394
MNT 4224.768089
MOP 9.588717
MRU 47.577162
MUR 54.077512
MVR 18.314459
MWK 2067.635018
MXN 20.751444
MYR 4.669768
MZN 75.530403
NAD 18.932592
NGN 1654.756728
NIO 43.877925
NOK 11.494689
NPR 175.200353
NZD 1.973375
OMR 0.457075
PAB 1.192378
PEN 3.986667
PGK 5.10431
PHP 69.772884
PKR 333.562994
PLN 4.217072
PYG 7987.138359
QAR 4.347422
RON 5.089195
RSD 117.152186
RUB 90.544141
RWF 1739.763902
SAR 4.443236
SBD 9.538015
SCR 17.104588
SDG 712.542061
SEK 10.581202
SGD 1.50757
SHP 0.888764
SLE 28.815636
SLL 24840.661178
SOS 681.469978
SRD 45.074975
STD 24519.018157
STN 24.448799
SVC 10.432843
SYP 13101.273866
SZL 18.924811
THB 37.603637
TJS 11.131048
TMT 4.146132
TND 3.425967
TOP 2.852254
TRY 51.525118
TTD 8.095909
TWD 37.508269
TZS 3057.464743
UAH 51.10611
UGX 4263.000384
USD 1.184609
UYU 46.272704
UZS 14577.164634
VES 409.805368
VND 30762.5233
VUV 140.721447
WST 3.211216
XAF 654.588912
XAG 0.015713
XAU 0.000262
XCD 3.201465
XCG 2.148954
XDR 0.814081
XOF 654.575127
XPF 119.331742
YER 282.321978
ZAR 19.247058
ZMK 10662.910096
ZMW 23.400599
ZWL 381.44367
Parque Yasuní, preservar ou explorar: debate climático chega às urnas no Equador
Parque Yasuní, preservar ou explorar: debate climático chega às urnas no Equador / foto: Galo Paguay - AFP

Parque Yasuní, preservar ou explorar: debate climático chega às urnas no Equador

Para alguns, é uma "mãe machucada" em plena floresta amazônica; para outros, peça estratégica para a combalida economia equatoriana. O megadiverso parque Yasuní será protagonista, no próximo domingo, de um plebiscito histórico sobre a suspensão da exploração de petróleo, enquanto o mundo tenta reduzir o uso de combustíveis fósseis e conter o aquecimento global.

Tamanho do texto:

Estratégico na luta contra as mudanças climáticas, o parque Yasuní (leste) divide os equatorianos, que vão decidir sobre a suspensão da atividade petroleira no bloco 43, a joia da coroa da estatal Petroecuador.

O debate atraiu a atenção de celebridades e ativistas internacionais, que acompanham de perto este exemplo pouco comum de democracia climática.

"O Yasuní tem sido como uma mãe para o mundo (...) Precisamos elevar as vozes e erguer as mãos para que nossa mãe possa se recuperar, que não seja machucada, que não seja agredida", diz à AFP Alicia Cahuiya, dirigente waorani nascida no coração da floresta.

Este local, onde vivem waoranis, kichwas e também as etnias em isolamento voluntário tagaeri, taromenane e dugakaeri, é um "pulmão para o mundo", acrescenta.

Situada entre as províncias de Pastaza e Orellana, esta reserva da biosfera, com 2,7 milhões de hectares, que inclui o parque de mesmo nome, captura carbono e em seguida libera oxigênio e vapor d'água, que recarrega as fontes hídricas.

"O valor d'água ajuda a manter a temperatura baixa no planeta, é como um ar condicionado" para a atmosfera, explica à AFP Gonzalo Rivas, diretor da estação científica Tiputini, da Universidade San Francisco, em Quito.

O governo, por sua vez, estima em 16,47 bilhões de dólares (aproximadamente 82 bilhões de reais, na cotação atual) as perdas em 20 anos caso vença o "Sim" a deixar o petróleo no subsolo.

- Floresta salva-vidas -

Julho foi o mês mais quente registrado na Terra e as altas temperaturas superam as dos últimos 120 mil anos, segundo cientistas.

Segundo Rivas, a bacia amazônica, que inclui nove países, inclusive o Brasil, capturou "cerca de um quarto de todas as emissões de carbono desde a época industrial" e fornece entre "um quarto e um terço de todo o oxigênio que utilizamos no planeta".

"Esta floresta tem nos permitido sobreviver até agora", sentencia.

Ele detalha a riqueza do Yasuní: 600 espécies de aves, 220 de mamíferos, 120 de répteis e 120 de anfíbios. Em um hectare de floresta, os cientistas registraram mais de 100.000 espécies de invertebrados.

No entanto, especialistas alertam que a Amazônia se encaminha a um ponto de não retorno, que reduzirá sua capacidade de capturar carbono e emitir oxigênio.

"O Equador poderia se tornar um exemplo de democratização da política climática, dando às pessoas a oportunidade de votar pela floresta, pelos direitos dos indígenas, o clima e o bem-estar do planeta", escreveu no Instagram o ator Leonardo Di Caprio.

A ativista sueca Greta Thunberg também comemorou a realização da consulta, que qualificou de "histórica". "Disso trata a ação pelo clima", destacou na mesma rede social.

Os atores Jason Momoa, Jada Pinkett Smith e Gael García Bernal se somam às mensagens a favor do "Sim".

Pesquisas publicadas em agosto - proibidas às vésperas da votação - davam uma pequena vantagem ao "Sim".

No domingo será realizada, ainda, uma consulta para evitar a exploração mineral em seis localidades rurais de Quito, que formam o Chocó Andino, outra das sete reservas da biosfera situadas no Equador.

- "Para ontem" -

No outro lado da moeda, a discussão em torno do Yasuní tem se concentrado no impacto econômico do fim da exploração iniciada em 2016 no bloco 43, que inclui os campos de Ishpingo, Tambococha e Tiputini (ITT) e que gera 12% dos 466.000 barris diários produzidos no país.

Este campo novo "está produzindo 57.000 barris diários e a projeção é chegar ao pico de 90.000 em 2025", comentou à AFP Diego Navarrete, engenheiro da Petroecuador.

O rendimento atual do ITT é o quarto maior, depois dos campos antigos de Sacha (72.000 barris por dia), Auca (71.000) e Shushufindi (62.000), cujas produções estão em declínio.

O governo argumenta que o bloco 43 ocupa apenas 80 hectares, frente ao milhão de hectares de todo o parque Yasuní.

Para o economista Alberto Acosta Espinosa, defensor da reserva, as perdas podem ser mitigadas através da "cobrança de dívidas pendentes" em impostos aos grandes capitais.

Segundo seus cálculos, o que se extrai do Yasuní aportou apenas 1% ao PIB do país em 2021, de aproximadamente 100 bilhões de dólares (ou R$ 558 bilhões de reais, na cotação da época).

"O dinheiro existe (...) É questão de vontade política", afirma Acosta Espinosa, que considera o referendo uma "mensagem vigorosa" a favor dos povos em isolamento voluntário e da biodiversidade.

"Não acho que haja filme, modelo matemático ou nada que nos prepare para o que aconteceria" se perdermos uma floresta como a do Yasuní, afirma Rivas, ressaltando a urgência de "uma mudança que tem que ser para ontem".

P.Svatek--TPP