The Prague Post - Mudança climática, seca e crime: o coquetel que incendeia a América do Sul

EUR -
AED 4.314488
AFN 75.18721
ALL 95.688088
AMD 435.595676
ANG 2.102774
AOA 1078.475087
ARS 1633.973039
AUD 1.630402
AWG 2.114657
AZN 1.998766
BAM 1.961577
BBD 2.366701
BDT 144.178705
BGN 1.959702
BHD 0.443667
BIF 3496.233658
BMD 1.17481
BND 1.498935
BOB 8.119499
BRL 5.819892
BSD 1.175076
BTN 111.468071
BWP 15.969183
BYN 3.315933
BYR 23026.270056
BZD 2.363281
CAD 1.596543
CDF 2725.558326
CHF 0.916923
CLF 0.026835
CLP 1056.153391
CNY 8.021895
CNH 8.023692
COP 4296.748985
CRC 534.227816
CUC 1.17481
CUP 31.132457
CVE 110.960467
CZK 24.365494
DJF 208.787383
DKK 7.471879
DOP 69.863818
DZD 155.666918
EGP 62.906519
ERN 17.622145
ETB 184.445765
FJD 2.575302
FKP 0.865387
GBP 0.863831
GEL 3.148086
GGP 0.865387
GHS 13.16053
GIP 0.865387
GMD 85.761064
GNF 10308.955483
GTQ 8.977316
GYD 245.831736
HKD 9.204916
HNL 31.273221
HRK 7.55172
HTG 153.929029
HUF 362.835866
IDR 20364.562467
ILS 3.45844
IMP 0.865387
INR 111.501775
IQD 1539.000703
IRR 1543699.941842
ISK 144.125646
JEP 0.865387
JMD 184.122221
JOD 0.832992
JPY 184.199604
KES 151.726387
KGS 102.702449
KHR 4713.921103
KMF 493.420391
KPW 1057.328698
KRW 1731.352135
KWD 0.361007
KYD 0.979255
KZT 544.27538
LAK 25822.317101
LBP 105204.208814
LKR 375.552727
LRD 216.018091
LSL 19.571543
LTL 3.468908
LVL 0.710631
LYD 7.460234
MAD 10.868458
MDL 20.246088
MGA 4875.460276
MKD 61.753267
MMK 2466.501364
MNT 4203.293503
MOP 9.481709
MRU 46.957596
MUR 55.251448
MVR 18.156673
MWK 2045.924013
MXN 20.478116
MYR 4.664088
MZN 75.081695
NAD 19.572761
NGN 1616.514371
NIO 43.127759
NOK 10.898064
NPR 178.340339
NZD 1.991203
OMR 0.452002
PAB 1.175045
PEN 4.120647
PGK 5.097205
PHP 71.986535
PKR 327.507602
PLN 4.24672
PYG 7226.990198
QAR 4.280417
RON 5.213924
RSD 117.606189
RUB 87.947284
RWF 1716.984372
SAR 4.405513
SBD 9.447949
SCR 16.149313
SDG 705.46077
SEK 10.820233
SGD 1.495826
SHP 0.877114
SLE 28.901366
SLL 24635.167432
SOS 670.816799
SRD 44.005985
STD 24316.188791
STN 24.917714
SVC 10.282287
SYP 129.84582
SZL 19.572646
THB 38.196563
TJS 11.021856
TMT 4.117708
TND 3.385508
TOP 2.82866
TRY 53.076251
TTD 7.976236
TWD 37.158644
TZS 3060.379585
UAH 51.632106
UGX 4418.444389
USD 1.17481
UYU 46.862593
UZS 14038.975967
VES 574.41469
VND 30963.284368
VUV 138.217992
WST 3.18983
XAF 657.942177
XAG 0.01559
XAU 0.000255
XCD 3.174982
XCG 2.117771
XDR 0.817233
XOF 657.893459
XPF 119.331742
YER 280.309859
ZAR 19.448939
ZMK 10574.713735
ZMW 21.944211
ZWL 378.288243
Mudança climática, seca e crime: o coquetel que incendeia a América do Sul
Mudança climática, seca e crime: o coquetel que incendeia a América do Sul / foto: EVARISTO SA - AFP

Mudança climática, seca e crime: o coquetel que incendeia a América do Sul

Uma onda desenfreada de incêndios florestais arde na América do Sul, onde os efeitos da mudança climática, das secas históricas e das más práticas no campo alimentam uma crise que já deixou mortos, cidades cobertas por fumaça e perdas avaliadas em milhões.

Tamanho do texto:

Esta série de incêndios é "completamente diferente" da que devastou florestas no Brasil, Peru e Bolívia em 2019, que desencadeou protestos mundiais, alerta a ecologista Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster.

Na ocasião, as chuvas ajudaram a conter os focos iniciados sobretudo por agricultores que apoiavam o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.

Agora, quase todo o continente "vive uma seca severa", diz Berenguer à AFP. Até mesmo na Amazônia, "uma das regiões mais úmidas do planeta (...) a paisagem se torno muito inflamável devido à mudança climática", alertou.

A maior floresta tropical do mundo registra seus piores incêndios em quase duas décadas, segundo o observatório europeu Copernicus.

- Qual a dimensão da crise? -

Entre 1º de janeiro e 26 de setembro, foram contabilizados mais de 400.000 incêndios em toda a região, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

"Em 9 meses já superamos o número de focos registrados em todo [o ano de] 2023", segundo a pesquisadora.

O país mais afetado é o Brasil: as chamas devastaram 40,2 milhões de hectares de vegetação em 2024, muito acima da média anual da última década (31 milhões), segundo Copernicus. A imprensa registrou a morte de cerca de dez bombeiros devido aos incêndios.

O Equador, que na quarta-feira retirou uma centena de famílias ameaçadas pelas chamas na capital, e o Peru, com 21 mortes provocadas pelo fogo e a fumaça, declararam estado de "emergência" em várias províncias.

Já a Argentina tem focos ativos na província de Córdoba (centro) e na Colômbia, as chamas atingiram principalmente o departamento de Huila (sudoeste).

- Qual a causa dos incêndios? -

Especialistas e autoridades estimam que uma combinação entre secas agravadas pela mudança climática e ações humanas teriam sido responsáveis pelos incêndios.

"É um claro exemplo da mudança climática. Se alguém pensava que ela não existia, olhem, aqui está", declarou a ministra do Meio Ambiente do Equador, Inés Manzano.

No Peru e na Bolívia os incêndios ocorrem em meio à temporada de queimada de terras para o cultivo, uma prática tradicional dos agricultores que não é criminalizada.

Em meio à pior seca na história recente no Brasil, muitos incêndios ficaram fora de controle na Amazônia, onde o fogo é uma "ferramenta" usada por pequenos e grandes proprietários do agronegócio para transformar a floresta em pastagens ou lavouras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que muitos desses focos têm origem "criminosa".

Também há sinais de piromania. Um jovem de 19 anos foi preso sob suspeita de ter provocado um incêndio com combustível em Quito, onde ocorreram cerca de trinta incêndios florestais.

A Argentina e o Brasil também prenderam dezenas de pessoas suspeitas de iniciar conflagrações.

- Como afetam a população? -

São Paulo, a maior cidade da América Latina, esteve no início de setembro no topo da lista de cidades mais poluídas do mundo, segundo a empresa suíça IQAir, devido à fumaça resultante dos incêndios.

Boa parte do Brasil segue envolta nesta nuvem de fumaça tóxica, que se estendeu aos países vizinhos e chegou a Montevidéu e Buenos Aires, onde provocou um fenômeno conhecido como "chuva negra".

Com índices de qualidade do ar que ultrapassam os níveis recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), muitos moradores de cidades brasileiras relatam doenças respiratórias e sintomas como ardência nos olhos.

O ar da cidade boliviana de Santa Cruz está em uma condição "extremamente ruim" e as autoridades de saúde recomendaram o uso de máscaras.

Os impactos também são sentidos na economia: as perdas no setor do agronegócio foram avaliadas em R$ 14,7 bilhões entre junho e agosto, em sua maioria nos cultivos de cana-de-açúcar que foram atingidos pelas chamas, segundo o sindicato.

No Equador, mais de dois meses sem chuvas deixaram o país em um "déficit hidráulico" e sob o racionamento de energia. Quase 45.000 cabeças de gado morreram.

- O que os governos estão fazendo? -

Milhares de bombeiros e militares foram mobilizados. Espanha e Venezuela, um dos poucos países da região que não foi atingido pelas chamas, enviaram especialistas à Bolívia.

"Todos querem contratar milhares de bombeiros, comprar aviões, etc. Tudo bem, mas é muito pouco e chega tarde demais", critica Berenguer.

"Precisamos prevenir os incêndios, porque uma vez que ganham força, são muito difíceis de combater", acrescenta a especialista, ao defender a contenção do desmatamento e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo Berenguer, "a maioria dos modelos climáticos mostra que estes eventos serão cada vez mais intensos e frequentes".

burs-jss/app/db/yr/aa

V.Sedlak--TPP