The Prague Post - Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana

EUR -
AED 4.244814
AFN 72.802804
ALL 95.914677
AMD 436.246704
ANG 2.068623
AOA 1059.686486
ARS 1612.008363
AUD 1.638291
AWG 2.082972
AZN 1.962345
BAM 1.969574
BBD 2.328475
BDT 141.855734
BGN 1.97528
BHD 0.436297
BIF 3432.136637
BMD 1.155602
BND 1.483243
BOB 7.989252
BRL 6.063493
BSD 1.156105
BTN 107.709447
BWP 15.776079
BYN 3.574902
BYR 22649.790599
BZD 2.325171
CAD 1.587086
CDF 2628.993471
CHF 0.913988
CLF 0.026713
CLP 1054.763637
CNY 7.97417
CNH 7.960725
COP 4269.832208
CRC 540.913237
CUC 1.155602
CUP 30.623441
CVE 112.151229
CZK 24.481386
DJF 205.373253
DKK 7.47086
DOP 67.978235
DZD 152.576569
EGP 60.372554
ERN 17.334023
ETB 181.657116
FJD 2.588804
FKP 0.867479
GBP 0.862477
GEL 3.13749
GGP 0.867479
GHS 12.593607
GIP 0.867479
GMD 85.514573
GNF 10143.290905
GTQ 8.843733
GYD 241.874076
HKD 9.052001
HNL 30.704397
HRK 7.533481
HTG 151.647087
HUF 392.943851
IDR 19565.490032
ILS 3.613959
IMP 0.867479
INR 107.442864
IQD 1513.838045
IRR 1519760.503236
ISK 143.791825
JEP 0.867479
JMD 181.624669
JOD 0.819309
JPY 182.423841
KES 149.763421
KGS 101.054924
KHR 4633.962204
KMF 494.597345
KPW 1040.027513
KRW 1724.007673
KWD 0.353926
KYD 0.963484
KZT 555.984674
LAK 24816.543481
LBP 103484.119913
LKR 360.370478
LRD 211.937779
LSL 19.449397
LTL 3.412191
LVL 0.699012
LYD 7.372499
MAD 10.814987
MDL 20.260655
MGA 4813.080507
MKD 61.61802
MMK 2426.462186
MNT 4143.804949
MOP 9.328119
MRU 46.350722
MUR 53.741226
MVR 17.853738
MWK 2007.279745
MXN 20.551813
MYR 4.551849
MZN 73.838926
NAD 19.44871
NGN 1568.150995
NIO 42.433955
NOK 10.997704
NPR 172.329658
NZD 1.976252
OMR 0.444335
PAB 1.156145
PEN 3.992022
PGK 4.971446
PHP 69.284099
PKR 322.586743
PLN 4.27635
PYG 7512.308906
QAR 4.211707
RON 5.093891
RSD 117.455653
RUB 99.556773
RWF 1686.022678
SAR 4.338713
SBD 9.300955
SCR 17.161078
SDG 694.516441
SEK 10.775205
SGD 1.478315
SHP 0.867
SLE 28.485234
SLL 24232.399446
SOS 660.428353
SRD 43.337431
STD 23918.619165
STN 24.845434
SVC 10.116052
SYP 127.727213
SZL 19.448949
THB 37.709593
TJS 11.069987
TMT 4.044605
TND 3.364245
TOP 2.782411
TRY 51.186048
TTD 7.836174
TWD 36.808226
TZS 3001.680884
UAH 50.840265
UGX 4369.74838
USD 1.155602
UYU 46.828911
UZS 14092.560843
VES 525.435424
VND 30380.765043
VUV 137.988555
WST 3.157358
XAF 660.611205
XAG 0.01622
XAU 0.000251
XCD 3.123071
XCG 2.083589
XDR 0.821585
XOF 660.428833
XPF 119.331742
YER 275.668443
ZAR 19.4876
ZMK 10401.796193
ZMW 22.631445
ZWL 372.103231
Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana
Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana / foto: DOUGLAS MAGNO - AFP

Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana

A pequena Emanuele Vitória, de cinco anos, estava com o pai e o irmão em casa quando uma enxurrada incontrolável de lama soterrou Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais.

Tamanho do texto:

Seu corpo foi encontrado cinco dias depois a quilômetros dali.

"Parecia que nosso mundo estava acabando", conta à AFP sua mãe, Pamela Fernandes, ao lembrar os dias do pior desastre ambiental da história do Brasil.

A tragédia aconteceu em 5 de novembro de 2015, com o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da companhia Samarco, de copropriedade da brasileira Vale e da australiana BHP.

Na próxima segunda-feira, um mega-julgamento em Londres levará a BHP para o banco dos réus, em um processo que se anuncia longo.

Com o rompimento da barragem, vazaram 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica, um volume que daria para encher 12.000 piscinas olímpicas.

A enxurrada de cor ocre se avançou por uma dezena de povoados próximos à cidade histórica de Mariana. Mas atingiu sobretudo Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.

Emanuele Vitória foi uma das 19 vítimas fatais da catástrofe.

Nove anos depois, seu rosto sorridente estampa a camiseta vestida por sua mãe, junto com a frase: "Não foi fatalidade, não foi destino. Foi crime".

O processo em Londres "é minha única esperança" de conseguir justiça "porque aqui no Brasil eu já perdi", suspira Pamela, de 30 anos, na casa onde mora hoje, em Cachoeira do Brumado, a 45 km de Bento Rodrigues.

"Uma coisa assim não pode ficar impune", acrescenta.

- Perder as raízes -

A enxurrada de rejeitos de minério altamente contaminantes arrastou pelo caminho as casas de mais de 600 pessoas.

Mauro Marcos da Silva perdeu a dele e a dos pais, onde sua família viveu por várias gerações.

"Literalmente nasci aqui", relata este mecânico robusto, de 55 anos, enquanto aponta para uma das paredes da antiga casa da família que ficaram de pé.

Hoje, em Bento Rodrigues há apenas ruínas tomadas pela vegetação e é proibido voltar a se estabelecer ou construir no povoado. Para Marcos, não poder voltar "é como se eles tivessem nos apunhalado e deixado o punhal cravado".

"Aqui estão minhas raízes, meus antepassados", diz. "O pertencimento, o vínculo com os amigos, com a família, isso o dinheiro não paga e não vai ser reconstruído em lugar algum".

A família de Mônica dos Santos também perdeu sua casa. Ela agora trabalha como assessora técnica de uma organização de defesa das vítimas.

Esta advogada de 39 anos não tem dúvidas de que na mineradora "sabiam que a barragem estava com problemas, sabiam o que precisava ser feito e simplesmente não fizeram".

Segundo ela, o acordo proposto no Brasil aos afetados "vai dar errado" porque "não teve nenhum atingido que sentou na mesa" para discuti-lo.

Por isso, ela tem muitas expectativas sobre o processo que começa na segunda-feira. "A gente espera muito, muito, muito que a justiça inglesa, que a corte inglesa faça o que a justiça brasileira não fez até o momento".

- Nove anos depois -

Na catástrofe de Mariana, o lamaçal invadiu o curso do rio Doce e avançou por 670 km até o Atlântico, acabando completamente com o ecossistema fluvial.

As atividades econômicas vinculadas ao rio também morreram e pelo menos 6.000 famílias de pescadores ficaram sem sustento.

Uma equipe de cientistas constatou recentemente contaminação por metais procedentes do vazamento na foz do rio Doce e no litoral do Espírito Santo e no sul da Bahia.

Entre os animais afetados há peixes, aves, tartarugas, botos e até mesmo baleias, segundo um informe divulgado em setembro pelo governo.

Em Londres, a ação reivindica da BHP 35 bilhões de libras (US$ 45,7 bilhões, aproximadamente R$ 260 bilhões).

São 620.000 demandantes, entre eles comunidades indígenas, municípios, empresas e instituições religiosas.

A BHP assegura que mais de 200.000 já receberam indenizações e que a fundação Renova, que gerencia os programas de compensação e ajuda no Brasil, já pagou mais de 7,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 44 bilhões).

Quase uma década depois, em um reassentamento para os afetados denominado Novo Bento Rodrigues, construído mais perto de Mariana, veem-se casas parcialmente inacabadas e ruas com caminhões de obra no lugar de carros de passeio.

T.Kolar--TPP