The Prague Post - Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas

EUR -
AED 4.215497
AFN 73.462725
ALL 95.928008
AMD 435.38919
ANG 2.054756
AOA 1052.582784
ARS 1600.600423
AUD 1.630858
AWG 2.066139
AZN 1.945141
BAM 1.955979
BBD 2.326279
BDT 141.692979
BGN 1.962039
BHD 0.433553
BIF 3424.584958
BMD 1.147855
BND 1.474824
BOB 7.980635
BRL 6.038896
BSD 1.155037
BTN 107.10294
BWP 15.663573
BYN 3.520513
BYR 22497.960723
BZD 2.322978
CAD 1.576946
CDF 2605.631197
CHF 0.911885
CLF 0.02664
CLP 1051.929343
CNY 7.889266
CNH 7.920711
COP 4256.327205
CRC 539.455155
CUC 1.147855
CUP 30.418161
CVE 110.287592
CZK 24.507399
DJF 205.680052
DKK 7.471418
DOP 69.830084
DZD 151.950765
EGP 59.967169
ERN 17.217827
ETB 180.34737
FJD 2.546861
FKP 0.861664
GBP 0.862998
GEL 3.116388
GGP 0.861664
GHS 12.590579
GIP 0.861664
GMD 84.940928
GNF 10122.911489
GTQ 8.846812
GYD 241.629498
HKD 8.990386
HNL 30.569792
HRK 7.539054
HTG 151.373537
HUF 392.265145
IDR 19474.510287
ILS 3.585463
IMP 0.861664
INR 107.020733
IQD 1512.909921
IRR 1509429.508194
ISK 143.4018
JEP 0.861664
JMD 181.352159
JOD 0.81381
JPY 182.55142
KES 148.475308
KGS 100.377518
KHR 4625.330309
KMF 491.281897
KPW 1033.055826
KRW 1721.811368
KWD 0.352093
KYD 0.962447
KZT 557.17297
LAK 24783.804292
LBP 103445.652394
LKR 359.638737
LRD 211.353296
LSL 19.279293
LTL 3.389317
LVL 0.694327
LYD 7.370152
MAD 10.808114
MDL 20.13788
MGA 4810.404492
MKD 61.670198
MMK 2410.196717
MNT 4116.027501
MOP 9.32411
MRU 46.099259
MUR 53.386504
MVR 17.745724
MWK 2002.784752
MXN 20.448655
MYR 4.521977
MZN 73.357263
NAD 19.279293
NGN 1564.446099
NIO 42.502224
NOK 10.991514
NPR 171.379291
NZD 1.974781
OMR 0.441344
PAB 1.154937
PEN 3.944161
PGK 4.983433
PHP 69.075658
PKR 322.652705
PLN 4.280128
PYG 7465.179606
QAR 4.19976
RON 5.097049
RSD 117.451962
RUB 98.721522
RWF 1685.984912
SAR 4.309636
SBD 9.23477
SCR 15.640114
SDG 689.861145
SEK 10.788909
SGD 1.472715
SHP 0.861189
SLE 28.295101
SLL 24069.960762
SOS 660.089851
SRD 42.901089
STD 23758.283866
STN 24.507049
SVC 10.105422
SYP 126.87101
SZL 19.284631
THB 37.748358
TJS 11.046763
TMT 4.017493
TND 3.398596
TOP 2.763759
TRY 50.873187
TTD 7.829149
TWD 36.694288
TZS 2981.553918
UAH 50.79373
UGX 4344.890054
USD 1.147855
UYU 46.769581
UZS 14083.885094
VES 517.617056
VND 30177.111603
VUV 137.063567
WST 3.136193
XAF 656.145717
XAG 0.016464
XAU 0.000248
XCD 3.102136
XCG 2.081445
XDR 0.816077
XOF 656.148576
XPF 119.331742
YER 273.84957
ZAR 19.355157
ZMK 10332.070799
ZMW 22.586595
ZWL 369.608886
Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas
Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas / foto: Nicolas TUCAT - AFP

Em laboratório de Bruxelas, cientistas estudam gelo em busca de pistas climáticas

Em uma pequena sala refrigerada, em uma universidade de Bruxelas, cientistas equipados com pesados casacos cortam núcleos de gelo antártico com dezenas de milhares de anos de antiguidade, em busca de pistas sobre o clima do nosso planeta.

Tamanho do texto:

Presas dentro dos tubos de gelo estão pequenas bolhas de ar, capazes de fornecer uma amostra de como era a atmosfera do planeta nessa época remota.

"Queremos saber mais sobre os climas do passado, porque podemos usá-lo como uma analogia do que pode acontecer no futuro", explica Harry Zekollari, glaciólogo da Vrije Universiteit Brussel (VUB).

Zekollari faz parte de uma equipe de quatro pessoas que viajou para a Antártida em novembro, para encontrar alguns dos gelos mais antigos do mundo.

Na Antártida, é possível encontrar gelo com milhões de anos, a quilômetros de profundidade.

Mas é muito difícil alcançar essas camadas, e as expedições para perfurar o gelo são custosas.

Uma missão recente, financiada pela UE e que trouxe amostras com 1,2 milhão de anos de antiguidade, teve um custo total de cerca de 11 milhões de euros (72 milhões de reais).

Para reduzir custos, a equipe da VUB e da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) utilizou dados de satélite e outras pistas, a fim de localizar as áreas onde o gelo antigo poderia ser mais acessível.

- Gelo azul -

Assim como a água de que é feito, o gelo flui em direção à costa, embora mais lentamente, explica Maaike Izeboud, especialista em detecção remota na VUB.

Quando o fluxo atinge um obstáculo, como uma montanha, as camadas inferiores podem ser empurradas para cima, mais próximas à superfície.

Em alguns lugares extremamente incomuns, as condições climáticas, como ventos fortes, evitam a formação de uma camada de neve, deixando expostas camadas espessas de gelo.

Chamado assim por sua coloração, que contrasta com a brancura do resto do continente, o gelo azul representa apenas cerca de 1% do território da Antártida.

“As áreas de gelo azul são muito especiais”, ressalta Izeboud.

Sua equipe concentrou-se em um trecho de gelo azul a 2.300 metros acima do nível do mar, a cerca de 60 quilômetros da estação belga de pesquisa antártica Princesa Elisabeth.

Alguns meteoritos antigos haviam sido encontrados anteriormente ali, um indício de que o gelo circundante também é muito antigo, explicaram os pesquisadores.

Assim, foi estabelecido um acampamento de contêineres e, após algumas semanas de medições e perfurações, em janeiro a equipe retornou com 15 núcleos de gelo de um total de cerca de 60 metros de comprimento.

Posteriormente, foram enviados da África do Sul para a Bélgica, onde chegaram no final de junho.

Dentro de um robusto edifício de cimento na capital belga, esses cilindros de gelo agora estão sendo cortados em pedaços menores para então serem enviados a laboratórios especializados na França e na China, para datação.

Zekollari espera que se confirme que algumas das amostras, retiradas a pouca profundidade - cerca de 10 metros -, tenham em torno de 100.000 anos de antiguidade.

- "Caça ao tesouro" climática -

Isso lhes permitiria voltar e cavar algumas centenas de metros mais fundo no mesmo lugar.

"É como uma caça ao tesouro", diz Zekollari, de 36 anos, que se parece um pouco com um Indiana Jones da pesquisa climática.

"Estamos tentando marcar o local certo no mapa (...) e em um ano e meio, voltaremos e perfuraremos nesse ponto", disse. "Estamos sonhando um pouco, mas esperamos obter gelo de três, quatro, cinco milhões de anos" de antiguidade.

O gelo dessa antiguidade poderia fornecer informações valiosas para os climatologistas que estudam os efeitos do aquecimento global.

As projeções e modelos climáticos são calibrados usando dados existentes sobre temperaturas passadas e gases de efeito estufa na atmosfera, mas ainda faltam algumas peças no quebra-cabeça.

Até o final do século, as temperaturas poderiam atingir níveis semelhantes aos que o planeta experimentou pela última vez entre 2,6 e 3,3 milhões de anos atrás, afirma Etienne Legrain, paleoclimatologista de 29 anos da ULB.

Mas atualmente há poucos dados sobre os níveis de CO2 naquela época, um dado crucial para entender quanto mais aquecimento podemos esperar.

"Não conhecemos a relação entre a concentração de CO2 e a temperatura em um clima mais quente que o atual", destaca Legrain.

Sua equipe espera encontrá-la presa dentro do gelo antigo. "As bolhas de ar são a atmosfera do passado", diz. "É realmente como se fosse magia".

U.Pospisil--TPP