The Prague Post - Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

EUR -
AED 4.25674
AFN 73.599881
ALL 94.63924
AMD 426.786562
ANG 2.075229
AOA 1063.46406
ARS 1665.300658
AUD 1.638954
AWG 2.086353
AZN 1.969454
BAM 1.953264
BBD 2.335667
BDT 142.356387
BGN 1.959874
BHD 0.437095
BIF 3466.823235
BMD 1.159085
BND 1.485671
BOB 8.042557
BRL 5.900671
BSD 1.159694
BTN 109.603686
BWP 15.538824
BYN 3.210631
BYR 22718.066
BZD 2.332372
CAD 1.626057
CDF 2689.07734
CHF 0.919496
CLF 0.026086
CLP 1026.67098
CNY 7.832459
CNH 7.834968
COP 3981.456975
CRC 528.214147
CUC 1.159085
CUP 30.715753
CVE 110.518845
CZK 24.111344
DJF 205.992431
DKK 7.460034
DOP 67.922316
DZD 154.018025
EGP 57.847843
ERN 17.386275
ETB 183.570112
FJD 2.589049
FKP 0.862506
GBP 0.865176
GEL 3.065779
GGP 0.862506
GHS 13.094994
GIP 0.862506
GMD 84.612839
GNF 10173.867447
GTQ 8.839599
GYD 242.585018
HKD 9.08142
HNL 30.944321
HRK 7.534628
HTG 151.453347
HUF 348.47849
IDR 20572.136031
ILS 3.386568
IMP 0.862506
INR 109.312724
IQD 1518.40135
IRR 1593741.874933
ISK 144.109074
JEP 0.862506
JMD 183.411851
JOD 0.821813
JPY 185.758438
KES 150.124896
KGS 101.361707
KHR 4650.820524
KMF 492.610907
KPW 1043.176906
KRW 1752.38004
KWD 0.357112
KYD 0.966445
KZT 565.540801
LAK 25534.642323
LBP 103796.061813
LKR 388.508897
LRD 211.127136
LSL 18.771217
LTL 3.422477
LVL 0.701119
LYD 7.38919
MAD 10.715761
MDL 20.236724
MGA 4868.156941
MKD 61.531925
MMK 2433.437481
MNT 4146.424702
MOP 9.356651
MRU 46.456179
MUR 54.627955
MVR 17.919737
MWK 2012.171858
MXN 19.925262
MYR 4.711454
MZN 74.067971
NAD 18.779399
NGN 1575.335201
NIO 42.434218
NOK 11.018784
NPR 175.364787
NZD 1.99289
OMR 0.445666
PAB 1.159694
PEN 3.95539
PGK 5.085775
PHP 69.977449
PKR 322.571254
PLN 4.227959
PYG 7076.811199
QAR 4.219652
RON 5.224038
RSD 117.149943
RUB 84.580225
RWF 1724.71848
SAR 4.348764
SBD 9.343876
SCR 16.360628
SDG 696.029758
SEK 10.897891
SGD 1.485981
SHP 0.865374
SLE 28.687692
SLL 24305.437155
SOS 662.425802
SRD 43.270992
STD 23990.719317
STN 24.804419
SVC 10.146912
SYP 128.116096
SZL 18.773561
THB 37.710252
TJS 10.750241
TMT 4.068388
TND 3.374966
TOP 2.790799
TRY 53.683879
TTD 7.877771
TWD 36.578986
TZS 3042.601568
UAH 51.937311
UGX 4290.429144
USD 1.159085
UYU 46.819612
UZS 13914.81526
VES 690.856847
VND 30514.07171
VUV 138.224161
WST 3.175562
XAF 655.106385
XAG 0.01639
XAU 0.000266
XCD 3.132486
XCG 2.090068
XDR 0.815645
XOF 654.883233
XPF 119.331742
YER 276.586687
ZAR 18.740584
ZMK 10433.149863
ZMW 20.497385
ZWL 373.224897
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP/Arquivos

Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

O petróleo pode servir para custear o seu próprio fim e financiar a transição energética? É nisso que acredita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma região situada próxima da Foz do Rio Amazonas.

Tamanho do texto:

Para Lula, esse objetivo não é incompatível com suas ambições de transformar o maior país da América Latina em uma referência mundial na luta contra a mudança climática, faltando um mês para a COP30, que será realizada em Belém, no Pará.

"O mundo ainda não está preparado para viver sem o petróleo", disse o presidente em um podcast.

"Eu sou contra o combustível fóssil, quando a gente puder prescindir dele. Enquanto a gente não puder [...] É com o dinheiro do petróleo que a gente vai conseguir fazer o biocombustível, o etanol, o hidrogênio verde e outras coisas mais", afirmou ele no início deste ano.

O Brasil é o oitavo maior produtor global de petróleo e Lula quer que a Petrobras seja "a maior empresa de petróleo do mundo".

Além disso, insta os líderes mundiais a intensificarem a luta contra o aquecimento e prometeu desmatamento zero até 2030.

Os críticos dizem que a posição do presidente é contraditória. Outros a consideram pragmática.

"Cada vez mais está ficando claro que os países emergentes [...] não poderão contar com os países desenvolvidos para financiarem a agenda de adaptação à mudança do clima", disse Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"É muito mais difícil você impor a um país como o Brasil, ele não retirar um petróleo [...], do que você falar a mesma coisa para Noruega, que já ficou rica", acrescentou.

Para Arbache, a pergunta deveria ser como usar esse petróleo "e dentro de que parâmetros ambientais".

- 'Equívoco histórico' -

O paradoxo fica especialmente evidente no litoral norte do país, onde um braço com centenas de quilômetros de água doce e barrenta do Amazonas, o rio mais caudaloso do mundo, desemboca no Oceano Atlântico, um encontro que é visível do espaço.

Depois que uma licença para a exploração de petróleo nessa região foi negada em 2023, a Petrobras superou recentemente uma prova-chave exigida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

A companha afirmou em comunicado que espera receber logo a autorização, mesmo se for necessário reformular parcialmente o seu plano de proteção da fauna em caso de um derramamento de petróleo.

A Petrobras espera encontrar novas jazidas na Margem Equatorial, uma enorme área marítima próxima da Foz do Amazonas e onde a Guiana emergiu como um importante produtor de petróleo em menos de uma década, após a descoberta de grandes reservas.

A gigante estatal estima que seria "improvável" um vazamento de petróleo nessa região alcançar a costa e que não haveria "impacto direto" nas comunidades indígenas.

"Não existe petróleo sustentável, ponto", indicou à AFP Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e coordenadora da ONG Observatório do Clima.

"A gente está em plena crise climática, com um monte de eventos extremos e a opção por continuar indefinidamente aumentando a produção de petróleo é um grande equívoco, um equívoco histórico", frisou.

- Exportar o problema -

Se a Petrobras encontrar petróleo na Foz do Amazonas, o novo bloco poderia demorar uma década para entrar em produção.

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) prevê uma queda na demanda de petróleo a partir de 2030, por isso, seguir perfurando é economicamente arriscado, estimou Suely Araújo.

Ademais, as receitas provenientes do petróleo não demonstraram ser capazes de solucionar os "problemas sociais" do país, ressaltou.

O Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu este ano sobre "severas disfunções" na distribuição dos royalties das receitas do petróleo, que se multiplicaram por 40 entre 2000 e 2022.

O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, embora sua matriz energética seja predominantemente renovável.

Quase metade das emissões se devem ao desmatamento e outros 25% à indústria agropecuária, disse Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente.

Segundo cálculos de Shigueo Watanabe Jr., especialista do Instituto ClimaInfo, a queima das reservas estimadas na Margem Equatorial poderia representar lançamento de mais 2,5 bilhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, mais que as emissões brasileiras de todo um ano.

É uma "incoerência falar de uma transição aliada à destruição", opinou a ambientalista Neidinha Suruí, que dedicou décadas à proteção das terras indígenas.

"O que o presidente está fazendo é ajudando a pressionar o clima e a destruição do Planeta. Espero que ele mude a atitude", disse ela à AFP.

R.Krejci--TPP