The Prague Post - Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién

EUR -
AED 4.178991
AFN 72.249595
ALL 94.035705
AMD 418.749905
ANG 2.037037
AOA 1043.320371
ARS 1694.672579
AUD 1.650368
AWG 2.047956
AZN 1.931829
BAM 1.952905
BBD 2.292262
BDT 140.219687
BGN 1.923805
BHD 0.428962
BIF 3396.194215
BMD 1.137754
BND 1.475387
BOB 7.893161
BRL 5.943395
BSD 1.138093
BTN 108.46831
BWP 16.24763
BYN 3.315727
BYR 22299.968712
BZD 2.288967
CAD 1.61726
CDF 2588.388904
CHF 0.921393
CLF 0.02677
CLP 1053.605114
CNY 7.730409
CNH 7.730159
COP 3855.835253
CRC 518.023027
CUC 1.137754
CUP 30.150468
CVE 110.504345
CZK 24.223576
DJF 202.201629
DKK 7.474923
DOP 67.639383
DZD 151.803591
EGP 55.853363
ERN 17.066303
ETB 181.073782
FJD 2.555679
FKP 0.858225
GBP 0.857462
GEL 3.003877
GGP 0.858225
GHS 12.930535
GIP 0.858225
GMD 83.623728
GNF 9978.09799
GTQ 8.679981
GYD 238.072919
HKD 8.924482
HNL 29.865991
HRK 7.534772
HTG 148.806808
HUF 355.486537
IDR 20433.37031
ILS 3.396763
IMP 0.858225
INR 108.626998
IQD 1491.025969
IRR 1565548.824236
ISK 143.789411
JEP 0.858225
JMD 178.984691
JOD 0.806636
JPY 184.970252
KES 147.088388
KGS 99.496564
KHR 4565.239021
KMF 492.64698
KPW 1023.978553
KRW 1764.326176
KWD 0.351884
KYD 0.948477
KZT 545.481842
LAK 25599.453467
LBP 101885.826041
LKR 382.326556
LRD 206.928933
LSL 18.656313
LTL 3.35949
LVL 0.688216
LYD 7.29866
MAD 10.70342
MDL 20.127811
MGA 4878.132589
MKD 61.63817
MMK 2388.840455
MNT 4076.552473
MOP 9.195208
MRU 45.657533
MUR 53.702304
MVR 17.577856
MWK 1975.139886
MXN 19.978611
MYR 4.65967
MZN 72.705015
NAD 18.646456
NGN 1564.331554
NIO 41.647444
NOK 11.268703
NPR 173.549696
NZD 2.005359
OMR 0.437472
PAB 1.138093
PEN 3.888811
PGK 4.981074
PHP 70.213026
PKR 316.579889
PLN 4.292551
PYG 6917.62439
QAR 4.147681
RON 5.22616
RSD 117.361526
RUB 88.160574
RWF 1667.946639
SAR 4.271355
SBD 9.157897
SCR 15.301787
SDG 683.220944
SEK 11.069631
SGD 1.474119
SHP 0.849448
SLE 27.732706
SLL 23858.126307
SOS 650.227884
SRD 42.67088
STD 23549.200453
STN 24.916802
SVC 9.958064
SYP 125.758282
SZL 18.659084
THB 37.961713
TJS 10.52761
TMT 3.982137
TND 3.343573
TOP 2.739438
TRY 53.115352
TTD 7.726411
TWD 36.223
TZS 2986.756573
UAH 51.02095
UGX 4170.744382
USD 1.137754
UYU 45.751378
UZS 13576.259616
VES 719.711796
VND 29923.486077
VUV 136.642343
WST 3.16396
XAF 654.974616
XAG 0.01925
XAU 0.000282
XCD 3.074836
XCG 2.051124
XDR 0.813514
XOF 653.632846
XPF 119.331742
YER 271.470203
ZAR 18.647558
ZMK 10241.144931
ZMW 20.719923
ZWL 366.356165
Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién
Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién / foto: Raul ARBOLEDA - AFP

Migrantes e cocaína aquecem a economia no trecho colombiano da selva de Darién

Uma floresta impenetrável e o maior cartel de cocaína do mundo são o terror dos migrantes na Colômbia. A fronteira com o Panamá é uma barreira difícil de ultrapassar e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para fazer dinheiro às custas do sonho de quem imigra em busca de melhores condições de vida nos EUA.

Tamanho do texto:

Sul-americanos, africanos e asiáticos avançam de um povoado a outro até chegar ao Darién, um inferno colado a um golfo paradisíaco que dá nome à principal quadrilha de narcotráfico do país: o Clã do Golfo - o todo-poderoso desta região situada entre os departamentos (estados) de Antioquia e Chocó.

A mata densa e os rios sinuosos que deságuam no mar fazem deste lugar um corredor estratégico para o tráfico de cocaína.

Também é a passagem para as centenas de milhares de migrantes, atraídos pelo "sonho americano" e expulsos de seus países pela pobreza ou a violência.

No meio do caminho estão seus moradores, castigados por seis décadas de conflito armado e um cartel com mais de 4.000 integrantes.

- "Oportunidade de trabalho" -

Diante da crescente onda migratória e do escasso apoio estatal, os moradores do município de Acandí decidiram se organizar em uma entidade civil formada por membros eleitos para resolver os problemas comunitários.

Através de uma fundação, eles administram a rota até o Panamá e cobram tarifas dos migrantes que lhes permitem manter acampamentos, restaurantes, consultórios médicos, guias e sustentar mais de 2.000 empregados no município.

"Esse problema para muitos virou uma oportunidade de trabalho para nós. Em Acandí, a primeira economia se chama migrantes", diz à AFP Darwin García, membro da junta de ação comunitária e ex-vereador de Acandí.

Segundo o Ministério da Defesa, o Clã "estaria por trás do tráfico de migrantes" e o Ministério Público apreendeu milhares de bens da organização por crimes relacionados.

Mas García se queixa de estigmatização e repete que a junta não tem nada a ver com o cartel.

"Na verdade, a única coisa que o Clã do Golfo nos disse é que se um migrante é roubado, morto ou violentado, (o responsável) é alvo militar (...) Isso se cumpre", afirma o homem de 46 anos, com anéis e brinco de ouro.

Cerca de 2.500 andarilhos sem visto para entrar nos EUA passam diariamente por Acandí, onde começa a fronteira de selva com 266 km de extensão e 575.000 hectares de superfície. Mosquitos, serpentes, onças e pântanos dificultam a passagem.

Segundo García, seu trabalho é organizar uma travessia "mais humana, mais segura" e, embora preferisse que o Estado se encarregasse disto, explica que "ninguém trabalha de graça".

- Crise da coca -

Quando se menciona o nome do cartel, migrantes e moradores se calam. Alguns poucos se atrevem a dizer longe das câmeras que seus integrantes controlam tudo. Moradias, escolas e estabelecimentos comerciais afastados são marcados com as temidas siglas das Autodefesas Gaitanistas da Colômbia, como se autodenominam.

Em uma comunidade ribeirinha, membros do Clã proibiram jornalistas da AFP de caminhar pelas ruas e gravar. Nenhum forasteiro entra sem autorização.

Segundo o especialista Mauricio Valencia, do centro de pesquisas Pares, eles exercem uma "governança criminosa, impondo normas de controle social" e seus negócios de narcotráfico, garimpo ilegal e migração.

Diante da queda dos preços da cocaína pelo excesso de oferta e o auge de outras drogas, a migração é a chave para a diversificação de suas finanças, concordam analistas.

E o controle do êxodo leva a abusos. "Quando os migrantes não têm dinheiro suficiente, muitas vezes são abandonados à própria sorte na selva e acabam morrendo (...), são vítimas de violência sexual e também de instrumentalização quando são obrigados a transportar cocaína para entrar no Panamá", explica Valencia.

Entre janeiro e setembro, um recorde de 380.000 pessoas atravessaram o Darién, a maioria venezuelanos (59%) e equatorianos (13%), segundo a Defensoria do Povo.

Um porta-voz do Clã do Golfo assegurou à AFP que na região "ninguém é maltratado".

"Não temos nenhuma relação com a migração, só lhes prestamos um serviço de segurança na selva", acrescenta o combatente, que pediu para não ser identificado.

- Luz no Darién? -

A Fundação Social Nova Luz do Darién administra uma operação sofisticada que leva os migrantes até a fronteira. Mais adiante está o trecho mais difícil de selva, com tarifas adicionais arrecadadas por outras organizações.

No primeiro acampamento, trabalhadores de uniforme distribuem braceletes cuja cor determina se as pessoas pagaram 170 dólares (R$ 845, na cotação atual), que incluem "serviços" de guia, cuidados médicos, banhos. Alguns migrantes afirmam que uma travessia vip pode custar até 500 dólares (cerca de R$ 2,5 mil).

O médico Carlos Torres explica que a maioria chega com febre, vômitos, desnutrição e traumas psicológicos. Ele atende dezenas de pacientes e recebe da fundação o equivalente a seis salários mínimos (o salário mínimo na Colômbia corresponde a R$ 1.417, na cotação atual).

Reina León, uma venezuelana de 30 anos, grávida de quatro meses e mãe de dois filhos, estava em observação após sentir dores no ventre durante uma caminhada em direção à selva.

"Nossa ideia é avançar porque a gente vem com um sonho (...) Te juro que demos tudo (...), mas não temos dinheiro algum", lamenta seu marido, o equatoriano Ángelo Torres, de 25 anos.

M.Soucek--TPP