The Prague Post - Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação

EUR -
AED 4.167283
AFN 72.057744
ALL 93.940972
AMD 418.148862
ANG 2.031617
AOA 1040.543881
ARS 1669.152813
AUD 1.646332
AWG 2.043926
AZN 1.924332
BAM 1.950431
BBD 2.289886
BDT 139.675482
BGN 1.918686
BHD 0.427785
BIF 3387.157615
BMD 1.134726
BND 1.472845
BOB 7.873325
BRL 5.881972
BSD 1.136965
BTN 107.645658
BWP 15.460438
BYN 3.193209
BYR 22240.632914
BZD 2.286605
CAD 1.614993
CDF 2574.693486
CHF 0.921515
CLF 0.026351
CLP 1037.106052
CNY 7.705355
CNH 7.730974
COP 3893.029888
CRC 515.77329
CUC 1.134726
CUP 30.070243
CVE 110.493959
CZK 24.234353
DJF 201.663796
DKK 7.475343
DOP 66.438208
DZD 151.771921
EGP 56.340515
ERN 17.020893
ETB 183.298583
FJD 2.550581
FKP 0.860346
GBP 0.860525
GEL 3.001364
GGP 0.860346
GHS 12.73731
GIP 0.860346
GMD 82.265015
GNF 9957.222306
GTQ 8.674121
GYD 237.865172
HKD 8.896202
HNL 30.419124
HRK 7.533676
HTG 148.650774
HUF 355.532968
IDR 20390.972522
ILS 3.390323
IMP 0.860346
INR 107.412214
IQD 1489.399775
IRR 1560305.219242
ISK 143.995791
JEP 0.860346
JMD 178.966528
JOD 0.804483
JPY 183.557825
KES 147.004256
KGS 99.232021
KHR 4550.25215
KMF 489.067593
KPW 1021.253949
KRW 1754.956024
KWD 0.350982
KYD 0.947492
KZT 553.047494
LAK 25177.687384
LBP 101813.413971
LKR 380.392802
LRD 206.920361
LSL 18.748586
LTL 3.350551
LVL 0.686385
LYD 7.295883
MAD 10.641205
MDL 20.015897
MGA 4749.923754
MKD 61.618184
MMK 2382.402869
MNT 4062.395049
MOP 9.181624
MRU 45.158289
MUR 54.704758
MVR 17.543099
MWK 1971.463995
MXN 19.965768
MYR 4.693277
MZN 72.505163
NAD 18.748586
NGN 1555.539326
NIO 41.834831
NOK 11.16751
NPR 172.232097
NZD 2.010627
OMR 0.436294
PAB 1.13697
PEN 3.848605
PGK 4.986295
PHP 69.663106
PKR 316.212885
PLN 4.286203
PYG 6930.889151
QAR 4.14459
RON 5.246631
RSD 117.35683
RUB 84.91191
RWF 1667.302672
SAR 4.261227
SBD 9.151613
SCR 15.49162
SDG 681.407095
SEK 11.087807
SGD 1.472948
SHP 0.847188
SLE 28.083939
SLL 23794.64456
SOS 649.808255
SRD 42.53297
STD 23486.540697
STN 24.431557
SVC 9.948612
SYP 125.423664
SZL 18.742403
THB 37.90784
TJS 10.54517
TMT 3.982889
TND 3.365435
TOP 2.732149
TRY 52.762158
TTD 7.719748
TWD 36.007693
TZS 2973.315071
UAH 51.0363
UGX 4161.543528
USD 1.134726
UYU 45.604454
UZS 13660.393781
VES 699.97317
VND 29881.878936
VUV 134.80369
WST 3.133707
XAF 654.153274
XAG 0.018565
XAU 0.000279
XCD 3.066654
XCG 2.049059
XDR 0.81356
XOF 654.153274
XPF 119.331742
YER 270.802505
ZAR 18.864031
ZMK 10213.895615
ZMW 20.395851
ZWL 365.381363
Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação
Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação / foto: MAURO PIMENTEL - AFP/Arquivos

Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação

No barracão da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira supervisiona os preparativos para seu desfile do Carnaval do Rio, que exaltará a riqueza espiritual do candomblé, uma das principais religiões afro-brasileiras.

Tamanho do texto:

A poucos quilômetros de distância, no bairro do Maracanã, "mãe" Fernanda, sacerdotisa de umbanda, outro desses cultos, recolhe entre lágrimas os destroços de seu terreiro, vandalizado.

Ela o encontrou em ruínas: ventiladores arrancados, equipamentos roubados, elementos sagrados destruídos. No chão, entre os restos da imagem de Oxum, a deusa do amor, os autores do ataque deixaram uma Bíblia.

Oxum e outros orixás, deidades africanas, serão homenageados pela maioria das 12 escolas de samba que competirão de domingo a terça-feira no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Milhares de espectadores aplaudirão os desfiles com esses mitos e rituais surgidos com a chegada de cinco milhões de escravos traficados para o Brasil.

"Um país que tem o desfile das escolas de samba como um patrimônio artístico de valor incalculável e que vende para o mundo a escola de samba como um recorte da cultura brasileira, mas olha para as religiões de matriz africana com distinção", diz à AFP Vieira, diretor artístico da Imperatriz, de 41 anos.

"Isso prova que a sociedade brasileira compreende mal a contribuição estética, artística, social e narrativa que é a cultura preta", lamenta.

- "Carnaval é lindo" ou "demonização" -

"As pessoas aceitam o Carnaval, o Carnaval é lindo, mas a gente sofre muito preconceito", afirma Fernanda Marques Franco dos Anjos, advogada de 42 anos e mãe de santo do terreiro Caboclo Pena Dourada.

"No nosso dia a dia, a realidade é essa: nós estamos sendo calados, destruídos."

Os atos contra a liberdade religiosa aumentaram 81% no Brasil entre 2023 e 2024, segundo dados oficiais, confirmando uma tendência de vários anos.

Com quase o triplo de agressões de um ano para o outro, os mais afetados foram fiéis de umbanda e candomblé, cujos cultos às vezes são erroneamente associados a práticas de bruxaria ou satanismo.

Além dessa "demonização", sofrem chacotas, ofensas, intimidação, agressões físicas e danos materiais, segundo o Observatório das Liberdades Religiosas (OLR).

Em um relatório de 2023 apresentado à ONU, essa rede independente de pesquisadores documentou casos de terreiros incendiados, sacerdotes ameaçados e fiéis que perderam os empregos.

"Você não pode ser o macumbeiro do trabalho, você não pode ser o macumbeiro do LinkedIn, você não pode botar o seu Instagram aberto e mostrar uma guia no seu pescoço", confirma Isabella Menezes Antas, de 41 anos, "mãe" da Academia de Umbanda, no centro do Rio, que também sofreu ataques.

- De mãos dadas com o racismo -

"A violência sempre foi praticada em relação às religiões de matriz africana", aponta Christina Vital, professora de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

"Reconhece-se sua importância artística e cultural, mas isso não é suficiente para transpor os motivos que estruturam o racismo e a intolerância", diz Vital.

Maria Eduarda Oliveira, cabeleireira de 24 anos e devota, foi chamada de "macaca macumbeira" na escola, aos 15 anos.

"Como eu sempre fui muito estudada, muito entendida da minha negritude e da minha história, isso me abalou no momento, mas eu consegui seguir a vida", recorda na praia de Ipanema enquanto faz uma oferenda a Iemanjá, deusa do mar.

O estigma tem um impacto até mesmo na cultura popular. A cantora Anitta perdeu 300 mil seguidores nas redes sociais após mostrar sua devoção pelo candomblé.

- "Vamos continuar sobrevivendo" -

O acadêmico e membro do OLR Ivanir dos Santos atribui a perseguição ao "crescimento político dos grupos evangélicos" e "grupos cristãos fundamentalistas" no país, que têm procurado "sufocar" a herança espiritual africana no Brasil.

A bancada evangélica é atualmente a mais numerosa em ambas as câmaras do Congresso, em sintonia com o rápido aumento nas últimas décadas dos evangélicos, que já representam quase um terço da população.

Nas favelas e subúrbios, sacerdotes e "filhos" de cultos afro-brasileiros frequentemente sofrem perseguição de grupos criminosos que proíbem essas práticas em favor de cultos cristãos, de acordo com o relatório do OLR.

O Ministério da Igualdade Racial estabeleceu o canal Disque 100 para denúncias. Sua titular, Anielle Franco, enfatiza que a pasta trabalha em políticas de proteção e educação.

"As pessoas precisam entender e respeitar que cada um tem o direito de cultuar, de crer e de agradecer pela sua religião", defende a ministra.

Os quase 600 mil brasileiros que declaram professar religiões de origem africana (segundo o censo de 2010) seguem, como diz Ivanir dos Santos, "resistindo".

"Os nossos ancestrais sobreviveram à escravidão. Agora, mesmo com essa violência, nós sobrevivemos, vamos continuar sobrevivendo."

G.Kucera--TPP