The Prague Post - Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação

EUR -
AED 4.236346
AFN 72.672673
ALL 95.906817
AMD 434.287518
ANG 2.064916
AOA 1057.787749
ARS 1578.016278
AUD 1.673946
AWG 2.079239
AZN 1.980774
BAM 1.954725
BBD 2.319714
BDT 141.321056
BGN 1.97174
BHD 0.434855
BIF 3421.11096
BMD 1.153531
BND 1.480096
BOB 7.976613
BRL 6.041061
BSD 1.151712
BTN 108.542894
BWP 15.836869
BYN 3.458718
BYR 22609.200095
BZD 2.316416
CAD 1.598176
CDF 2636.396126
CHF 0.917409
CLF 0.027122
CLP 1070.926189
CNY 7.972569
CNH 7.980588
COP 4255.905071
CRC 533.969312
CUC 1.153531
CUP 30.568561
CVE 110.209168
CZK 24.512183
DJF 205.097428
DKK 7.472317
DOP 69.436998
DZD 153.412615
EGP 60.798334
ERN 17.302959
ETB 177.998708
FJD 2.603982
FKP 0.862651
GBP 0.864865
GEL 3.108745
GGP 0.862651
GHS 12.592402
GIP 0.862651
GMD 84.786536
GNF 10096.747072
GTQ 8.811689
GYD 240.965392
HKD 9.03301
HNL 30.582325
HRK 7.532094
HTG 150.828553
HUF 388.185444
IDR 19540.808653
ILS 3.603742
IMP 0.862651
INR 108.598621
IQD 1508.817907
IRR 1514931.759519
ISK 143.395539
JEP 0.862651
JMD 181.00947
JOD 0.817892
JPY 184.020404
KES 149.554966
KGS 100.875531
KHR 4612.203632
KMF 492.557238
KPW 1038.244227
KRW 1736.657609
KWD 0.354387
KYD 0.959839
KZT 554.846383
LAK 24876.80942
LBP 103137.614957
LKR 362.218818
LRD 211.366586
LSL 19.703468
LTL 3.406076
LVL 0.697759
LYD 7.354605
MAD 10.753686
MDL 20.229647
MGA 4800.089717
MKD 61.61085
MMK 2422.395585
MNT 4134.054978
MOP 9.281074
MRU 45.941548
MUR 53.789168
MVR 17.833699
MWK 1997.08917
MXN 20.659036
MYR 4.626237
MZN 73.721572
NAD 19.703298
NGN 1596.682827
NIO 42.383568
NOK 11.176673
NPR 173.646461
NZD 1.999478
OMR 0.44352
PAB 1.151767
PEN 3.986073
PGK 4.976918
PHP 69.586721
PKR 321.525831
PLN 4.278895
PYG 7539.494182
QAR 4.199945
RON 5.095952
RSD 117.441162
RUB 93.873095
RWF 1681.88028
SAR 4.327996
SBD 9.276664
SCR 15.75814
SDG 693.27198
SEK 10.882875
SGD 1.483065
SHP 0.865447
SLE 28.31934
SLL 24188.972762
SOS 658.198083
SRD 43.328955
STD 23875.754805
STN 24.484837
SVC 10.078108
SYP 128.552763
SZL 19.701129
THB 37.893189
TJS 11.023307
TMT 4.048892
TND 3.389242
TOP 2.777424
TRY 51.287014
TTD 7.817294
TWD 36.884031
TZS 2969.172842
UAH 50.537759
UGX 4284.755038
USD 1.153531
UYU 46.697153
UZS 14029.163058
VES 537.566198
VND 30383.996454
VUV 137.29706
WST 3.171668
XAF 655.559536
XAG 0.016831
XAU 0.00026
XCD 3.117474
XCG 2.075786
XDR 0.815306
XOF 655.565215
XPF 119.331742
YER 275.290042
ZAR 19.711422
ZMK 10383.157839
ZMW 21.624077
ZWL 371.436388
Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação
Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação / foto: MAURO PIMENTEL - AFP/Arquivos

Religiões afro-brasileiras, entre o brilho do carnaval e a sombra da discriminação

No barracão da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira supervisiona os preparativos para seu desfile do Carnaval do Rio, que exaltará a riqueza espiritual do candomblé, uma das principais religiões afro-brasileiras.

Tamanho do texto:

A poucos quilômetros de distância, no bairro do Maracanã, "mãe" Fernanda, sacerdotisa de umbanda, outro desses cultos, recolhe entre lágrimas os destroços de seu terreiro, vandalizado.

Ela o encontrou em ruínas: ventiladores arrancados, equipamentos roubados, elementos sagrados destruídos. No chão, entre os restos da imagem de Oxum, a deusa do amor, os autores do ataque deixaram uma Bíblia.

Oxum e outros orixás, deidades africanas, serão homenageados pela maioria das 12 escolas de samba que competirão de domingo a terça-feira no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Milhares de espectadores aplaudirão os desfiles com esses mitos e rituais surgidos com a chegada de cinco milhões de escravos traficados para o Brasil.

"Um país que tem o desfile das escolas de samba como um patrimônio artístico de valor incalculável e que vende para o mundo a escola de samba como um recorte da cultura brasileira, mas olha para as religiões de matriz africana com distinção", diz à AFP Vieira, diretor artístico da Imperatriz, de 41 anos.

"Isso prova que a sociedade brasileira compreende mal a contribuição estética, artística, social e narrativa que é a cultura preta", lamenta.

- "Carnaval é lindo" ou "demonização" -

"As pessoas aceitam o Carnaval, o Carnaval é lindo, mas a gente sofre muito preconceito", afirma Fernanda Marques Franco dos Anjos, advogada de 42 anos e mãe de santo do terreiro Caboclo Pena Dourada.

"No nosso dia a dia, a realidade é essa: nós estamos sendo calados, destruídos."

Os atos contra a liberdade religiosa aumentaram 81% no Brasil entre 2023 e 2024, segundo dados oficiais, confirmando uma tendência de vários anos.

Com quase o triplo de agressões de um ano para o outro, os mais afetados foram fiéis de umbanda e candomblé, cujos cultos às vezes são erroneamente associados a práticas de bruxaria ou satanismo.

Além dessa "demonização", sofrem chacotas, ofensas, intimidação, agressões físicas e danos materiais, segundo o Observatório das Liberdades Religiosas (OLR).

Em um relatório de 2023 apresentado à ONU, essa rede independente de pesquisadores documentou casos de terreiros incendiados, sacerdotes ameaçados e fiéis que perderam os empregos.

"Você não pode ser o macumbeiro do trabalho, você não pode ser o macumbeiro do LinkedIn, você não pode botar o seu Instagram aberto e mostrar uma guia no seu pescoço", confirma Isabella Menezes Antas, de 41 anos, "mãe" da Academia de Umbanda, no centro do Rio, que também sofreu ataques.

- De mãos dadas com o racismo -

"A violência sempre foi praticada em relação às religiões de matriz africana", aponta Christina Vital, professora de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

"Reconhece-se sua importância artística e cultural, mas isso não é suficiente para transpor os motivos que estruturam o racismo e a intolerância", diz Vital.

Maria Eduarda Oliveira, cabeleireira de 24 anos e devota, foi chamada de "macaca macumbeira" na escola, aos 15 anos.

"Como eu sempre fui muito estudada, muito entendida da minha negritude e da minha história, isso me abalou no momento, mas eu consegui seguir a vida", recorda na praia de Ipanema enquanto faz uma oferenda a Iemanjá, deusa do mar.

O estigma tem um impacto até mesmo na cultura popular. A cantora Anitta perdeu 300 mil seguidores nas redes sociais após mostrar sua devoção pelo candomblé.

- "Vamos continuar sobrevivendo" -

O acadêmico e membro do OLR Ivanir dos Santos atribui a perseguição ao "crescimento político dos grupos evangélicos" e "grupos cristãos fundamentalistas" no país, que têm procurado "sufocar" a herança espiritual africana no Brasil.

A bancada evangélica é atualmente a mais numerosa em ambas as câmaras do Congresso, em sintonia com o rápido aumento nas últimas décadas dos evangélicos, que já representam quase um terço da população.

Nas favelas e subúrbios, sacerdotes e "filhos" de cultos afro-brasileiros frequentemente sofrem perseguição de grupos criminosos que proíbem essas práticas em favor de cultos cristãos, de acordo com o relatório do OLR.

O Ministério da Igualdade Racial estabeleceu o canal Disque 100 para denúncias. Sua titular, Anielle Franco, enfatiza que a pasta trabalha em políticas de proteção e educação.

"As pessoas precisam entender e respeitar que cada um tem o direito de cultuar, de crer e de agradecer pela sua religião", defende a ministra.

Os quase 600 mil brasileiros que declaram professar religiões de origem africana (segundo o censo de 2010) seguem, como diz Ivanir dos Santos, "resistindo".

"Os nossos ancestrais sobreviveram à escravidão. Agora, mesmo com essa violência, nós sobrevivemos, vamos continuar sobrevivendo."

G.Kucera--TPP