The Prague Post - A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela

EUR -
AED 4.218365
AFN 74.661675
ALL 91.432972
AMD 416.422446
ANG 2.056478
AOA 1054.447544
ARS 1739.605555
AUD 1.608284
AWG 2.067545
AZN 1.951127
BAM 1.955436
BBD 2.31047
BDT 140.873764
BGN 1.933661
BHD 0.432419
BIF 3448.957673
BMD 1.148636
BND 1.465927
BOB 11.270901
BRL 5.906339
BSD 1.147186
BTN 109.922528
BWP 15.557103
BYN 3.470154
BYR 22513.267171
BZD 2.30717
CAD 1.607918
CDF 2654.497813
CHF 0.94475
CLF 0.027911
CLP 1102.07055
CNY 7.693163
CNH 7.709656
COP 3628.624212
CRC 513.204422
CUC 1.148636
CUP 30.438856
CVE 110.244468
CZK 24.347869
DJF 204.281955
DKK 7.475437
DOP 67.70739
DZD 153.991321
EGP 60.011824
ERN 17.229541
ETB 187.380303
FJD 2.545262
FKP 0.857496
GBP 0.857927
GEL 2.985385
GGP 0.857496
GHS 13.215539
GIP 0.857496
GMD 84.426349
GNF 10085.121766
GTQ 8.75437
GYD 240.005302
HKD 9.011107
HNL 30.795265
HRK 7.534713
HTG 149.932077
HUF 364.289489
IDR 20459.620723
ILS 3.487983
IMP 0.857496
INR 110.194974
IQD 1502.820118
IRR 1578915.155639
ISK 139.202915
JEP 0.857496
JMD 181.146264
JOD 0.814398
JPY 180.198593
KES 148.552334
KGS 100.448494
KHR 4649.134154
KMF 491.615941
KPW 1033.772837
KRW 1592.055164
KWD 0.353963
KYD 0.956022
KZT 512.884481
LAK 25706.212523
LBP 102728.268078
LKR 379.709284
LRD 198.463039
LSL 18.650427
LTL 3.391624
LVL 0.694798
LYD 7.286643
MAD 10.869076
MDL 20.161245
MGA 4973.073824
MKD 61.513544
MMK 2411.944762
MNT 4131.807531
MOP 9.269474
MRU 46.150405
MUR 54.640728
MVR 17.745938
MWK 1989.22953
MXN 19.789618
MYR 4.690689
MZN 73.409056
NAD 18.650427
NGN 1529.672944
NIO 42.212138
NOK 10.808136
NPR 175.876245
NZD 1.993641
OMR 0.442638
PAB 1.147186
PEN 3.871179
PGK 5.106049
PHP 72.260414
PKR 317.964483
PLN 4.363496
PYG 6800.733444
QAR 4.193119
RON 5.263508
RSD 117.368142
RUB 96.582013
RWF 1685.186154
SAR 4.316144
SBD 9.189677
SCR 16.119974
SDG 690.904298
SEK 11.290633
SGD 1.465889
SHP 0.858633
SLE 28.314078
SLL 24086.314957
SOS 655.577906
SRD 43.585569
STD 23774.447772
STN 24.495438
SVC 10.038131
SYP 14934.566606
SZL 18.644528
THB 38.275955
TJS 10.582529
TMT 4.031713
TND 3.374572
TOP 2.76564
TRY 56.015483
TTD 7.78755
TWD 36.503894
TZS 3039.933848
UAH 51.253555
UGX 4525.157243
USD 1.148636
UYU 46.131409
UZS 13582.470426
VES 973.451966
VND 29889.808078
VUV 135.488227
WST 3.159079
XAF 655.957
XAG 0.01734
XAU 0.000262
XCD 3.104247
XCG 2.067515
XDR 0.812145
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 271.710316
ZAR 18.688159
ZMK 10339.097645
ZMW 22.547801
ZWL 369.860349
SSP 6561.025335
MXV 2.24359
A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela
A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela / foto: Juan BARRETO - AFP

A vida desaparece após 72 horas sob os escombros de terremotos na Venezuela

Socorristas pedem silêncio ao ouvirem um sobrevivente entre as ruínas de um edifício que desabou após os fortes terremotos na Venezuela. Eles gritam "Jonathan!", e Bárbara Palacios começa a tremer: é o nome de seu marido, que está preso sob os escombros.

Tamanho do texto:

"É aqui, é aqui! Obrigada, meu Deus!", exclama Palacios, de 34 anos, olhando para o céu. Jonathan Suárez, um vendedor de 36 anos, ficou preso entre os destroços de uma loja de bebidas localizada em um pequeno hotel de cinco andares, no balneário de La Guaira, que desapareceu do mapa após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela.

"Foi tudo abaixo, ele tentou sair, mas não teve tempo", conta, ainda profundamente abalada.

A adrenalina toma conta dela, enquanto as lágrimas escorrem pelo rosto. "Sim, ele está vivo, sim", consegue dizer, trêmula e esperançosa.

Mas o tempo passa. Já se passaram quase 72 horas, e os socorristas já não conseguem mais ouvi-lo.

Palacios ainda não consegue aceitar a situação. Não quer acreditar que Jonathan entrará para a estatística de mais de 1.400 mortos da tragédia.

- "Só com a força das mãos" -

A equipe de resgate demorou a chegar, como aconteceu em muitos pontos de La Guaira, o marco zero do desastre, tomado por um forte odor de decomposição que encobriu seu característico cheiro de maresia.

As pessoas tentaram remover os escombros com as próprias mãos enquanto esperavam por uma ajuda que não chegava. Uma história que se repetiu ao longo desta tragédia.

"Eles simplesmente passavam direto", recorda, indignada, Palacios, que decidiu bloquear a principal via de acesso juntamente com familiares de pelo menos outras cinco pessoas que também estavam presas sob os escombros.

O caos acabou obrigando a Defesa Civil, os bombeiros e alguns voluntários a concentrarem esforços naquele edifício desabado.

Enquanto a operação avança, Palacios toma pequenos goles de água e caminha inquieta diante da estrutura destruída. Os escombros passam de mão em mão por uma corrente humana formada por dezenas de voluntários.

Luis Flores pega um balde cheio de pedaços de piso, pedras e poeira e o despeja ao lado. "É muito duro. Estamos fazendo isso apenas com a força das mãos", lamenta o comerciante de 54 anos.

"Já retiramos quatro pessoas com vida, entre elas uma menina. E três mortos", relata, como se repetisse uma oração.

Um gerador fornece energia a uma esmerilhadeira desgastada, enquanto um cilindro de oxigênio e outro de gás combustível alimentam um maçarico que abre caminho entre vigas, estruturas de aço e vergalhões.

"O governo não estava preparado para enfrentar um desastre como este", afirma Jesús, um voluntário que prefere não revelar o sobrenome.

- "Incrédula" -

Uma retroescavadeira chega por volta das cinco da tarde.

"Finalmente chegou uma máquina!", comemoram alguns, entre aplausos.

Em poucos minutos, a máquina abre grandes brechas que a força humana levou horas para conseguir romper.

Palacios não quer sair dali. Continua caminhando, nervosa, diante das ruínas onde os brigadistas ouviram a voz de seu marido.

"Eu não vou sair daqui até tirarem meu marido", afirma.

Ela não tem mais uma casa para onde voltar. Sua residência também foi destruída pelos terremotos. Um parente lhe ofereceu abrigo.

O sol está prestes a se pôr quando 25 integrantes do Exército do México chegam ao local com cães treinados para operações de resgate, como parte das diversas equipes internacionais que desembarcaram no país desde a véspera.

Dois cães farejadores sobem e descem várias vezes pelos escombros, farejam, mas não encontram nenhum sinal.

Os militares exigem silêncio, em tom firme, às centenas de pessoas atraídas pela chegada da retroescavadeira. A tarefa é difícil: as buzinas de um enxame de motociclistas que transportam água e doações não param de soar.

"Tem alguém aí? Grite ou faça algum barulho! Agora!", grita um oficial para o vazio.

Três militares avançam em formação, com passos firmes sobre a estrutura irregular. Em seguida, se inclinam e aproximam os ouvidos dos escombros.

Seis horas depois dos primeiros sons, nada.

A noite inteira foi dedicada à retirada dos escombros, ainda sem qualquer sinal de Jonathan. Quase 72 horas se passaram, e as buscas continuam enquanto o silêncio prevalece.

Bárbara está "em estado de choque", explica sua irmã, Alix Palacios, de 37 anos. Ela parece "ainda incapaz de acreditar e de assimilar a realidade".

S.Janousek--TPP