The Prague Post - Gigantes do petróleo apostam em propaganda com influenciadores digitais

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Gigantes do petróleo apostam em propaganda com influenciadores digitais
Gigantes do petróleo apostam em propaganda com influenciadores digitais / foto: OLIVIER DOULIERY - AFP

Gigantes do petróleo apostam em propaganda com influenciadores digitais

Gigante petroleiras como a Shell ou a BP estão investindo em influenciadores digitais para promoverem seus produtos nas redes sociais, uma estratégia que busca atrair o público mais jovem e que tem sido criticada por fazer propaganda dos combustíveis fósseis.

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No TikTok, Instagram e na Twitch, a AFP encontrou uma série de influenciadores digitais que promovem as maiores empresas petrolíferas do mundo, incluindo a BP, Chevron, Exxon Mobil, Shell e TotalEnergies.

Entre seus habituais vídeos sobre futebol, videogames e viagens, os "influencers" também abrem espaço para divulgar os mais recentes programas de fidelidade destas companhias.

"Venha comigo comprar lanches no posto de gasolina Shell da minha família", diz a influenciadora The Petrol Princess, promovendo a gigante britânica em um vídeo publicado na sua conta TikTok, que tem 2,7 milhões de seguidores.

De acordo com o DeSmog, um site de desinformação climática, mais de 100 influenciadores promoveram empresas de petróleo e gás desde 2017.

Criticada por seu papel no agravamento do aquecimento global, "a indústria dos combustíveis fósseis quer construir capital social entre os jovens", comenta à AFP Melissa Aronczyk, professora de comunicação e informação na Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos.

Mas algumas destas publicações patrocinadas não tiveram a recepção esperada.

No Instagram, uma figura de destaque nas redes sociais, a porto-riquenha especializada em videogames @chica, gerou indignação com uma postagem recente mostrando aos seus 178 mil seguidores um novo recurso patrocinado pela Shell no jogo Fortnite.

"Entendo que você tenha que ganhar dinheiro, mas fazer propaganda de uma empresa de combustíveis fósseis em 2023 não é o caminho", escreveu um de seus seguidores.

- "Educar os consumidores" -

Em um vídeo publicado no Instagram, o influenciador digital mexicano @paquideus, que tem mais de 500 mil seguidores, promove um sorteio organizado pela britânica BP.

"Podemos ganhar uma bola, uma camisa da 'Premier' (League) ou até uma televisão", afirma, sem especificar se tem colaboração remunerada para fazer este tipo de conteúdo. A AFP contatou ele e a BP, mas não obteve resposta.

Existem também outros vídeos que fazem este tipo de propaganda, como um da gigante petrolífera americana ExxonMobil, que mostra uma mulher grávida em um posto de gasolina usando o programa de fidelidade da empresa.

"A ExxonMobil, como muitas outras empresas, trabalha com influenciadores para educar os consumidores sobre todos os benefícios do nosso programa de recompensas de combustível", disse Lauren Kight, porta-voz da empresa, à AFP.

A Shell, por sua vez, representada por uma porta-voz que pediu para não ser identificada, contou à AFP que o grupo utiliza publicidade e as redes sociais para promover seus produtos de baixo carbono, mas se negou a dar exemplos. Ela também não quis comentar sobre o conteúdo pago para divulgar derivados do petróleo.

Ao buscar por hashtags relacionando a empresa britânica com opções de energias renováveis, a AFP encontrou apenas algumas publicações no Instagram que promoviam a sua aplicação de carregamento de carros elétricos.

Já a Chevron e a TotalEnergies não responderam aos contatos da AFP.

- Uma prática contraproducente -

De acordo com a InfluenceMap, as petroleiras gastaram quase US$ 10 milhões (cerca de R$ 49 milhões, na cotação atual) em publicidade no Facebook em 2020. Mas é difícil avaliar a magnitude do fenômeno, uma vez que nem todos os influenciadores divulgam a natureza publicitária de seu conteúdo.

Melissa Aronczyk alerta que a tentativa das empresas petrolíferas de apostar nos influenciadores digitais pode gerar o resultado oposto ao esperado.

"Muitos jovens estão conscientes da emergência da crise climática e têm uma visão negativa das empresas de combustíveis fósseis, que consideram não só ultrapassadas, mas também perigosas para o nosso bem-estar", afirma.

O diretor-executivo da Clean Creatives, Duncan Meisel, concorda com a ideia, complementando que ao publicar este tipo de conteúdo, os influenciadores devem "esperar que a sua reputação seja afetada e que o seu público reaja negativamente".

"Eu cresci com seus vídeos, ver você se vender para uma das empresas mais antiéticas e desumanas que existem" é "devastador", comentou um seguidor em um vídeo de um influenciador promovendo a Shell no Instagram.

Para Meisel, cuja empresa luta para acabar com a publicidade aos combustíveis fósseis, a solução para esses jovens é "deixar de seguir" estas figuras das redes sociais.

C.Novotny--TPP