The Prague Post - Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense

EUR -
AED 4.304085
AFN 73.83498
ALL 95.574182
AMD 435.26821
ANG 2.097701
AOA 1075.874055
ARS 1646.318858
AUD 1.630552
AWG 2.111021
AZN 1.987954
BAM 1.959815
BBD 2.360014
BDT 144.093943
BGN 1.954975
BHD 0.442098
BIF 3486.627888
BMD 1.171976
BND 1.496152
BOB 8.096551
BRL 5.854953
BSD 1.17169
BTN 110.71886
BWP 15.847328
BYN 3.305944
BYR 22970.724909
BZD 2.356617
CAD 1.602894
CDF 2721.917713
CHF 0.924302
CLF 0.026551
CLP 1044.956744
CNY 8.013325
CNH 8.011304
COP 4232.402944
CRC 532.987262
CUC 1.171976
CUP 31.057358
CVE 110.63999
CZK 24.360224
DJF 208.283561
DKK 7.473666
DOP 69.439741
DZD 155.271588
EGP 61.909155
ERN 17.579636
ETB 184.439734
FJD 2.574186
FKP 0.864876
GBP 0.866389
GEL 3.158508
GGP 0.864876
GHS 13.056248
GIP 0.864876
GMD 86.135705
GNF 10287.016351
GTQ 8.952262
GYD 245.142167
HKD 9.183192
HNL 31.198321
HRK 7.535099
HTG 153.493117
HUF 363.749664
IDR 20217.753847
ILS 3.464417
IMP 0.864876
INR 110.922642
IQD 1535.288246
IRR 1542320.100967
ISK 143.203607
JEP 0.864876
JMD 184.618185
JOD 0.830952
JPY 186.986974
KES 151.302977
KGS 102.465373
KHR 4699.623314
KMF 493.401588
KPW 1054.773277
KRW 1725.910743
KWD 0.360465
KYD 0.976492
KZT 537.085623
LAK 25719.007965
LBP 105009.028183
LKR 373.491901
LRD 215.350687
LSL 19.378567
LTL 3.46054
LVL 0.708916
LYD 7.436209
MAD 10.8481
MDL 20.26534
MGA 4862.527923
MKD 61.66135
MMK 2461.19521
MNT 4214.840858
MOP 9.458134
MRU 46.878767
MUR 54.825202
MVR 18.106802
MWK 2040.409615
MXN 20.371575
MYR 4.632237
MZN 74.901378
NAD 19.396421
NGN 1609.415757
NIO 43.029046
NOK 10.917458
NPR 177.150376
NZD 1.989927
OMR 0.450619
PAB 1.171695
PEN 4.120689
PGK 5.091942
PHP 71.719055
PKR 326.658936
PLN 4.248148
PYG 7344.983328
QAR 4.269801
RON 5.096106
RSD 117.42139
RUB 88.264778
RWF 1711.670598
SAR 4.39567
SBD 9.406202
SCR 16.312439
SDG 703.769858
SEK 10.851242
SGD 1.495388
SHP 0.874998
SLE 28.859903
SLL 24575.74122
SOS 669.778957
SRD 43.908085
STD 24257.532036
STN 24.904485
SVC 10.252915
SYP 129.561066
SZL 19.396162
THB 38.091393
TJS 10.990915
TMT 4.107775
TND 3.379685
TOP 2.821837
TRY 52.819817
TTD 7.967253
TWD 36.950076
TZS 3056.070874
UAH 51.638139
UGX 4358.891879
USD 1.171976
UYU 46.244336
UZS 14145.747816
VES 567.961211
VND 30879.217342
VUV 138.557541
WST 3.196931
XAF 657.297848
XAG 0.015929
XAU 0.000254
XCD 3.167323
XCG 2.111708
XDR 0.817709
XOF 655.722321
XPF 119.331742
YER 279.69188
ZAR 19.371706
ZMK 10549.173151
ZMW 22.231446
ZWL 377.375717
Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense
Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense / foto: Joseph Eid - AFP/Arquivos

Investigação da AFP sobre bombardeio de outubro contra jornalistas no Líbano aponta para projétil de tanque israelense

Uma investigação da Agence France-Presse sobre o bombardeio no sul do Líbano em 13 de outubro, que matou um cinegrafista da Reuters e feriu outros seis jornalistas, incluindo dois da AFP, aponta para um projétil de tanque usado exclusivamente pelo Exército israelense nessa região de alta tensão na fronteira.

Tamanho do texto:

Dois disparos atingiram sucessivamente o grupo de jornalistas enquanto trabalhavam perto da vila fronteiriça de Alma al-Shaab, em uma área onde o Exército israelense e grupos armados libaneses e palestinos se envolvem em confrontos quase diários.

Issam Abdallah, de 37 anos, morreu instantaneamente. Os outros jornalistas presentes, dois da Reuters, dois da Al Jazeera e dois da AFP, ficaram feridos. A fotógrafa da AFP, Christina Assi, de 28 anos, ficou gravemente ferida, teve uma perna amputada e segue hospitalizada.

A AFP conduziu uma investigação de sete semanas em colaboração com a Airwars, uma ONG que investiga incidentes a civis em situações de conflito, com base em evidências de análise de munições especializadas, imagens de satélite, testemunhos e imagens de vídeo feitas antes e durante o bombardeio.

As evidências apontam para um projétil de tanque israelense de 120 mm com estabilização por aletas, usado apenas pelo Exército israelense na região de alta tensão na fronteira.

A investigação indica que os disparos vieram do sudeste em relação à posição dos jornalistas, perto da cidade israelense de Jordeikh, onde tanques israelenses estavam operando.

A natureza dos disparos e a falta de atividade militar nas proximidades dos jornalistas, combinadas com os recursos de vigilância aérea israelenses, indicam que foi um bombardeio deliberado e direcionado.

Essas descobertas são apoiadas por investigações separadas realizadas pelos grupos de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional.

Outra investigação, da Reuters, também publicada nesta quinta-feira, conclui igualmente que os disparos foram lançados de um tanque israelense.

A HRW concluiu que os disparos foram "aparentemente deliberados contra civis, o que constitui um crime de guerra" e que "devem ser processados por crimes de guerra". A Anistia disse que o incidente foi "provavelmente um ataque direto a civis que deve ser investigado como um crime de guerra".

Após o bombardeio, um porta-voz militar israelense disse que "lamentamos muito pela morte do jornalista", acrescentando que Israel estava "investigando" o incidente, sem assumir a responsabilidade.

O Diretor de Informação da AFP, Phil Chetwynd, afirmou que é "absolutamente fundamental ter respostas de Israel".

"Assim que ocorreu este incidente, pedimos a Israel que conduzisse uma investigação aprofundada para descobrir exatamente o que tinha acontecido. Dois meses depois, ainda estamos à espera de respostas", afirmou.

"A AFP deixou muito claro que iremos buscar todas as vias judiciais que considerarmos relevantes e possíveis para garantir que possamos obter justiça para Christina e Issam", insistiu Chetwynd.

- Os disparos -

Dois disparos em sucessão atingiram o grupo de jornalistas às 18h02 enquanto estavam posicionados acima de Alma al-Shaab, uma vila localizada a cerca de um quilômetro da "Linha Azul", a linha de demarcação monitorada pela ONU entre o Líbano e Israel.

O Hezbollah libanês e braços locais dos movimentos palestinos Hamas e Jihad Islâmica vinham trocando disparos com Israel quase diariamente na fronteira desde os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro.

Mais de 110 pessoas morreram no lado libanês, principalmente combatentes do Hezbollah, além de mais de uma dúzia de civis, segundo um balanço da AFP.

Israel afirma que seis de seus soldados morreram.

Os sete jornalistas estiveram no local por cerca de uma hora antes de serem atingidos, posicionados no topo de uma pequena colina que oferecia uma ampla visão para filmar os bombardeios israelenses, que se intensificaram naquela tarde.

O Exército israelense confirmou que estava realizando disparos de artilharia em resposta a uma tentativa de infiltração.

Os jornalistas da Al Jazeera, Carmen Joukhadar e Elie Brakhya, foram os primeiros a chegar, seguidos por Dylan Collins e Christina Assi, da AFP, e os correspondentes da Reuters, Issam Abdallah, Thaer Al-Sudani e Maher Nazeh.

Todos estavam equipados com capacetes e coletes à prova de balas, identificados com a palavra "Press" (Imprensa, em inglês), e estavam atrás de câmeras posicionadas sobre tripés, como mostrado em um vídeo filmado por Assi e publicado em seu Instagram pouco depois das 17h00.

"Eu estava ao vivo para informar sobre o bombardeio israelense e tinha acabado de comentar que não havia lançamento de foguetes do lado libanês. Estávamos todos no topo de uma colina em uma área a céu aberto, sem qualquer foguete ou local militar perto de nós. Não havia nada perto de nós", afirmou Joukhadar, da Al Jazeera.

O primeiro disparo aconteceu às 18h02, matando Abdallah instantaneamente e ferindo gravemente Assi. Nas imagens do vídeo, é possível ouvir a jornalista gritando: "O que aconteceu? O que aconteceu? Não consigo sentir minhas pernas".

"Gastamos cerca de uma hora filmando uma coluna distante de fumaça ao sul e alguns disparos limitados de artilharia israelense ao longo das colinas a sudeste. Pouco antes das 18h, viramos nossas câmeras para o oeste e, de repente, fomos atingidos. Veio do nada", disse Collins.

"Estávamos em uma área exposta, todos usando nossos capacetes, nossos coletes, apenas fazendo nosso trabalho. Estávamos mantendo uma distância segura da linha de frente", disse Assi. "De repente, tudo ficou branco... E eu perdi a sensação nas pernas, e comecei a pedir ajuda."

Collins tentou dar os primeiros socorros, mas 37 segundos depois, ocorreu um segundo disparo, que atingiu o carro da Al Jazeera localizado a poucos metros de distância. Collins, que estava tentando colocar torniquetes nas pernas de Assi, ficou ferido.

Todas as testemunhas presentes insistem em que não havia atividade militar ou disparos de artilharia nas proximidades.

O veículo da Al Jazeera atingido pelo segundo disparo foi destruído pelo impacto. O corpo de Abdallah, que foi atingido diretamente pelo primeiro bombardeio, foi arremessado para um campo do outro lado de um muro de pedra perto do qual ele estava.

- Projétil de tanque israelense -

Um grande fragmento de munição foi filmado perto do corpo de Abdallah imediatamente após o disparo. No dia seguinte, um morador, que pediu anonimato, recuperou o fragmento e tirou fotos do local.

A pedido da AFP e da Airwars, o fragmento foi analisado por seis especialistas em armas, incluindo ex-oficiais do Exército britânico e investigadores experientes de zonas de conflito.

Todos concordam que era parte de um projétil de tanque de 120 mm com estabilização por aletas, tipicamente usado pelo Exército israelense em seus tanques Merkava. Nenhum outro grupo militar ou organização na região usa esse tipo de munição, afirmaram os analistas.

"Estes são os restos de um projétil de tanque, claramente de um tanque Merkava", disse um dos especialistas, Chris Cobb-Smith, consultor de segurança e ex-oficial de artilharia do Exército britânico.

"É bastante óbvio para mim porque você pode ver as ranhuras no próprio projétil, o que indica que vem da família de munições com estabilização por aletas. Quando disparadas, algumas aletas saltam da parte traseira do projétil para estabilizá-lo em voo, o que o torna muito mais preciso e aumenta seu alcance", acrescentou Cobb-Smith, que tem experiência com esse tipo de munição, incluindo fragmentos encontrados durante as guerras de 2008 e 2012 em Gaza.

Investigações independentes da HRW e da Anistia Internacional também apontaram para o uso de um projétil de tanque de 120 mm de origem israelense.

A Justiça libanesa possui outros fragmentos do local e abriu uma investigação para determinar as circunstâncias exatas dos disparos.

Suas conclusões ainda não foram divulgadas, mas uma fonte judicial e duas fontes militares libanesas disseram à AFP que elas demonstraram que o primeiro disparo foi causado por tanques israelenses, sem dar mais detalhes.

- Posição israelense -

A investigação identificou pelo menos duas posições israelenses de onde os projéteis foram disparados naquela tarde. De acordo com especialistas que falaram com a AFP e a Airwars, a origem mais provável dos disparos aos jornalistas foi uma posição a sudeste, perto da cidade israelense de Jordeikh.

No momento do bombardeio, os jornalistas tinham suas câmeras apontadas a sudoeste, em direção a uma base perto da cidade israelense de Hanita, e suas filmagens não capturam o projétil que os atingiu.

Eles foram atingidos pelo lado, não pela frente, como indicado pela orientação dos destroços do muro perto de Abdallah, que se espalhou de leste a oeste por cerca de 10 metros.

Imagens anteriores indicam uma posição israelense perto de Jordeikh. Cerca de 45 minutos antes, a câmera da AFP estava apontando nesta direção e capturou o som de pelo menos um disparo, seguido por uma coluna de fumaça que subia neste local.

Imagens de satélite daquele dia e do dia seguinte, às quais a AFP teve acesso, mostram a presença de veículos com as mesmas dimensões de um tanque Merkava muito perto de Jordeikh.

- Disparos direcionados -

Os especialistas concordam em que os dois disparos ocorreram com 37 segundos de intervalo, atingindo seus alvos apenas quatro ou cinco metros um do outro, o que exclui a possibilidade de um bombardeio acidental. Eles acreditam que os disparos foram deliberadamente direcionados para o mesmo alvo.

"Qualquer pessoa que sugira que isso foi um acidente ou engano teria muita dificuldade para convencer", disse um ex-oficial militar europeu que trabalha há décadas em análise de munições.

"Um projétil claramente atingiu diretamente o cinegrafista, e o segundo projétil atingiu o veículo. Então, acho que podemos descartar (a ideia) de que tenha sido de alguma forma um disparo aleatório ou ao acaso", acrescentou Cobb-Smith. "Na minha avaliação, essas pessoas eram os alvos."

A investigação buscou determinar se os jornalistas poderiam ter sido confundidos com combatentes de algum dos grupos armados ativos na região.

O especialista Cobb-Smith disse que isso era improvável dadas "a sofisticação e as capacidades dos ativos de vigilância do Exército israelense".

Os jornalistas "não estavam agindo de maneira militar", acrescentou. "Estavam em local aberto, com câmeras em tripés, trabalhando abertamente, então é preciso questionar por que foram atingidos com um armamento dessa capacidade."

A investigação da Anistia descobriu que os jornalistas tomaram todas as precauções necessárias para se identificarem.

"O Exército israelense sabia ou deveria saber que os sete indivíduos eram jornalistas, e ainda assim os atacaram não uma, mas duas vezes, portanto, a Anistia está dizendo que isso é provavelmente um bombardeio direto contra civis e deve ser investigado como um crime de guerra", afirmou à AFP Aya Majzoub, diretora regional adjunta da Anistia para o Oriente Médio.

A investigação da AFP não conseguiu determinar qual unidade militar estava envolvida ou qual nível de comando deu a ordem de atirar. A investigação não especulou sobre possíveis motivações que poderiam ter levado o Exército israelense a disparar deliberadamente contra um grupo de jornalistas.

Vários incidentes semelhantes ocorreram na região nas últimas semanas, à medida que jornalistas transmitiam ao vivo os confrontos com Israel.

Em 9 de outubro, um bombardeio atingiu um local a poucos metros de uma equipe da Al Jazeera em Marwahin, outra cidade na fronteira do sul do Líbano.

Um jornalista do canal catariano ficou ferido em 13 de novembro por disparos israelenses enquanto ele e outros correspondentes cobriam os bombardeios no sul do Líbano, perto de carros marcados com a inscrição "Press" (Imprensa, em inglês), segundo a mídia estatal libanesa, um prefeito local e os próprios jornalistas.

Em 21 de novembro, dois jornalistas do canal pró-iraniano Al Mayadeen foram mortos juntamente com um civil por disparos israelenses no sul do Líbano, segundo a mídia oficial libanesa.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, expressou "forte condenação" ao "ataque", afirmando que o "objetivo de Israel é silenciar a mídia que expõe seus crimes e ataques".

A Al Jazeera afirmou que "condena veementemente" o que chamou de "alvejamento deliberado de jornalistas no sul do Líbano por forças israelenses". O canal instou o Tribunal Penal Internacional a "responsabilizar Israel e seu exército por esses crimes hediondos".

Um porta-voz da Reuters disse que era "chocante que um grupo de jornalistas claramente identificados pudesse ser atingido por disparos dessa maneira".

A agência de notícias reiterou seu apelo aos israelenses para conduzirem sua própria investigação. "Já se passaram quase dois meses desde que pedimos que investigassem, e não ouvimos nada desde então."

"Praticamente o mesmo número de jornalistas morreu nos últimos dois meses quanto nos 20 anos de conflito no Afeganistão", lembrou Phil Chetwynd, diretor de Informação da AFP. "Não podemos permitir o desenvolvimento de uma cultura de impunidade e é absolutamente essencial que nos unamos como indústria para garantir que algo seja feito a respeito".

Até 7 de dezembro, o Comitê para Proteção de Jornalistas afirmou que "pelo menos 63 jornalistas e profissionais de mídia" foram mortos desde o início da guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas, em 7 de outubro.

K.Dudek--TPP