The Prague Post - No Níger, professores de música tradicional tentam preservar patrimônio ameaçado

EUR -
AED 4.251688
AFN 74.082723
ALL 94.918369
AMD 426.182029
ANG 2.072456
AOA 1062.618368
ARS 1653.343639
AUD 1.642361
AWG 2.08533
AZN 1.972406
BAM 1.955844
BBD 2.331152
BDT 142.363184
BGN 1.957255
BHD 0.436512
BIF 3462.189832
BMD 1.157536
BND 1.486033
BOB 7.998144
BRL 5.858873
BSD 1.157426
BTN 110.030936
BWP 15.581281
BYN 3.202372
BYR 22687.703345
BZD 2.327842
CAD 1.62003
CDF 2656.545275
CHF 0.922472
CLF 0.026526
CLP 1043.993648
CNY 7.838259
CNH 7.828948
COP 4040.193801
CRC 526.5095
CUC 1.157536
CUP 30.674701
CVE 110.689416
CZK 24.163219
DJF 205.717733
DKK 7.47896
DOP 67.895314
DZD 154.186142
EGP 60.014268
ERN 17.363038
ETB 184.192944
FJD 2.588834
FKP 0.868035
GBP 0.863253
GEL 3.073304
GGP 0.868035
GHS 12.853112
GIP 0.868035
GMD 84.500531
GNF 10160.275685
GTQ 8.823197
GYD 242.154369
HKD 9.07051
HNL 30.935193
HRK 7.539962
HTG 151.333384
HUF 352.180742
IDR 20580.17776
ILS 3.380954
IMP 0.868035
INR 110.165527
IQD 1516.372009
IRR 1592627.583987
ISK 144.287295
JEP 0.868035
JMD 183.464103
JOD 0.820739
JPY 185.487069
KES 149.843465
KGS 101.226958
KHR 4641.719304
KMF 493.110692
KPW 1041.782702
KRW 1756.034072
KWD 0.357077
KYD 0.964617
KZT 565.985101
LAK 25494.72827
LBP 103657.338902
LKR 388.028677
LRD 210.961357
LSL 18.845126
LTL 3.417903
LVL 0.700182
LYD 7.379337
MAD 10.715893
MDL 20.214365
MGA 4861.651118
MKD 61.644248
MMK 2429.493907
MNT 4143.310278
MOP 9.34179
MRU 46.348175
MUR 54.694009
MVR 17.895943
MWK 2009.482696
MXN 19.936129
MYR 4.696822
MZN 73.97086
NAD 18.845121
NGN 1574.831883
NIO 42.394797
NOK 11.012222
NPR 176.048937
NZD 1.985142
OMR 0.444785
PAB 1.157421
PEN 3.936824
PGK 4.978606
PHP 70.344658
PKR 322.146521
PLN 4.248099
PYG 7087.158484
QAR 4.220087
RON 5.239128
RSD 117.417012
RUB 83.873777
RWF 1693.475
SAR 4.344931
SBD 9.313039
SCR 16.946756
SDG 695.104554
SEK 10.971924
SGD 1.486744
SHP 0.864217
SLE 28.533689
SLL 24272.952982
SOS 661.535997
SRD 43.418597
STD 23958.655763
STN 24.713391
SVC 10.127226
SYP 127.94487
SZL 18.845111
THB 37.932878
TJS 10.787295
TMT 4.062951
TND 3.378558
TOP 2.787069
TRY 53.54229
TTD 7.862142
TWD 36.603025
TZS 3035.641375
UAH 51.86346
UGX 4340.097054
USD 1.157536
UYU 46.75044
UZS 13378.225178
VES 673.637084
VND 30454.769133
VUV 138.694739
WST 3.180909
XAF 655.971669
XAG 0.017019
XAU 0.000275
XCD 3.128299
XCG 2.085947
XDR 0.816203
XOF 655.748238
XPF 119.331742
YER 276.192216
ZAR 18.883271
ZMK 10419.216157
ZMW 20.220365
ZWL 372.726083
No Níger, professores de música tradicional tentam preservar patrimônio ameaçado
No Níger, professores de música tradicional tentam preservar patrimônio ameaçado / foto: Boureima Hama - AFP

No Níger, professores de música tradicional tentam preservar patrimônio ameaçado

De dentro de uma choupana às escuras, ouve-se uma sucessão de batidas graves e agudas, entoando um chamado em língua hauçá: um músico nigerino envia um "telegrama" tradicional com toques de tambor.

Tamanho do texto:

"Viu? Você ouviu seu nome", anima-se Oumarou Adamou, popularmente conhecido como "Maidouma", um dos músicos tradicionais mais famosos do Níger e grande mestre do douma, um instrumento de percussão típico do patrimônio hauçá.

"Maidouma" modula o som, girando o pé descalço sobre a pele de cabra do tambor.

Poucos compreendem agora essa língua codificada. Os jovens nigerinos, amantes do rap e da música eletrônica, se esqueceram destes conhecimentos.

Durante uma demonstração, Adamou veste seu boubou (vestimenta típica) azul celeste e volta a ser o "Maidouma".

Seus olhos se iluminam e ele começa a tocar seus instrumentos de percussão favoritos. "Boa sorte! Boa sorte! Vida longa! Deus é grande!", diz, enquanto toca.

Embaixador da música nigerina em todo o mundo, Amadou agora é o guardião do Centro de Formação e Promoção Musical (CFPM), uma instituição do governo fundada em 1989 em Niamei.

Muito poucos curiosos vão visitar seu "museu", uma casa redonda em um recanto do CFPM, onde tem uma coleção de instrumentos de percussão, corda e sopro, salvos do incêndio de 2011 no museu nacional.

"Nossos instrumentos de música tradicional correm o risco de desaparecer. Os jovens hoje querem tocar instrumentos modernos, como guitarra e bateria", lamenta Adamou.

Embora a elite da música tradicional nigerina costume se encontrar nos prédios cor ocre do CFPM, os professores de douma, kalangou, gouroumi e molo são poucos e estão envelhecendo.

Seus instrumentos, juntamente com seus ritmos e significados ancestrais, correm o risco de desaparecer com eles.

- Jovens "impacientes"-

"Quantos artistas ensaiam aqui? Acabou, todos foram embora", lamenta Yacouba Moumouni, conhecido como "Denké Denké", famoso cantor e professor de flauta.

A falta de financiamento é um obstáculo para todos os projetos de preservação em um país que é considerado um dos mais pobres do mundo, onde os menores de 25 anos são 70% da população.

As tensões diplomáticas entre as autoridades militares e o Ocidente desde o golpe de Estado de 26 de julho são um mal agouro para o mundo da cultura, que tem se beneficiado do financiamento externo.

Mas o problema é mais profundo e o diagnóstico dos mais velhos é unânime: os jovens, "impacientes", preferem compor em um computador a se submeterem a um aprendizado longo e mal remunerado.

As vocações musicais são bloqueadas também pelo auge de um islã rígido, assim como por um sistema de castas que reservava a interpretação musical aos griots (menestréis africanos), que agora têm uma imagem pouco favorável.

"Não vemos griots como no Mali ou no Senegal. No Níger, se você é griot, é um pouco vulgar para a sociedade", explicou Moumouni.

- Pobreza -

Ao contrário do Mali e da Nigéria, a música tradicional do Níger não soube "se abrir às músicas do mundo" e se modernizar, avalia Mahamane Sani, um artista e educador.

Por isso, desde 2018, ele organiza oficinas dirigidas a jovens das áreas carentes, onde aprendem a tocar e fabricar instrumentos tradicionais.

A poucos metros do museu dos instrumentos, em uma sala de aula do CFPM, uma dezena de alunos aprende a manusear o gourimi, um instrumento de cordas de origem hauçá.

Coberta com um véu branco, Aichata Adamou dedilha as cordas com cuidado.

"Se conseguir vender nem que seja um único gourimi, esta oficina terá sido um benefício para nós", diz a jovem.

Alguns alunos de edições anteriores seguiram carreiras musicais, outros encontraram trabalho na empresa de instrumentos musicais e artes cênicas fundada por Mahamane Sani.

Além de encontrar emprego para estes jovens, o objetivo é "abrir seus olhos, que eles entendam o que podem ganhar e no que os beneficia ser portadores destes valores ancestrais", afirma Sani.

Sua mensagem ressoa entre os jovens que reivindicam sua identidade.

"Imitamos as pessoas de fora, mas temos nossos próprios instrumentos, por que não trabalhá-los?", interroga-se Oumarou Abourahamane, um jovem rapper que participa da oficina.

Tudo isso reforça o otimismo de Oumarou Adamou, que pretende formar "jovens voluntários de todas as regiões do Níger" em 2024, se as finanças permitirem.

"Boa sorte, bom trabalho, vida longa!". Talvez "Maidouma" e seus instrumentos não tenham parado de dialogar.

E.Soukup--TPP