The Prague Post - Mau tempo impede Amazon de lançar primeiros satélites de sua constelação de internet

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Mau tempo impede Amazon de lançar primeiros satélites de sua constelação de internet
Mau tempo impede Amazon de lançar primeiros satélites de sua constelação de internet / foto: Handout - United launch Alliance/AFP

Mau tempo impede Amazon de lançar primeiros satélites de sua constelação de internet

Condições meteorológicas adversas impediram que a gigante americana de vendas on-line Amazon lançasse nesta quarta-feira (9) os primeiros satélites de sua constelação Kuiper, cujo objetivo é fornecer internet de altíssima velocidade a partir do espaço para competir com a Starlink, de Elon Musk.

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Os primeiros 27 satélites desta rede, destinada a passar de 3.200, seriam lançados da costa leste americana por um foguete Atlas V, do grupo United Launch Alliance (ULA), do qual fazem parte Boeing e Lockheed Martin.

"Nuvens cumulus e ventos persistentes fazem com que a decolagem não seja possível dentro da janela disponível", informou a ULA.

Essas formações de nuvens são um perigo especial para os foguetes, já que um lançamento próximo pode provocar a ocorrência de raios, acrescentou o grupo.

O Atlas V permaneceu na plataforma de lançamento enquanto ocorriam atrasos sucessivos.

Originalmente, os satélites deveriam ser lançados a centenas de quilômetros de altitude da Terra às 19h locais (20h de Brasília), de Cabo Canaveral, na Flórida.

A Amazon, de propriedade do bilionário Jeff Bezos, quer oferecer acesso à internet de altíssima velocidade a pessoas, empresas e agências de governo em qualquer parte do mundo, inclusive em áreas remotas e zonas de guerra ou que sofram catástrofes. A ideia é que esteja operacional ainda este ano.

A empresa não revelou o preço, mas assegura que deseja que seja "acessível".

- Órbita baixa -

A promessa é parecida com a de seu concorrente Musk, que, com a Starlink, domina este mercado em ascensão com uma vantagem considerável, assim como o setor dos foguetes, no qual também competem.

Lançado há vários anos, a Starlink afirma ter mais de 6.750 satélites em órbita e mais de cinco milhões de assinantes.

Nos últimos anos, seus serviços foram levados para áreas afetadas por desastres naturais, como ocorreu em setembro de 2023 durante um terremoto no Marrocos, ou mais recentemente após os incêndios em janeiro em Los Angeles, e também na Ucrânia, em guerra com a Rússia.

Diferentemente dos serviços tradicionais de telecomunicações via satélite, que dependem de dispositivos posicionados a mais de 35.000 km da Terra em órbita geoestacionária, os propostos por Musk e em breve por Bezos operam em órbita baixa, o que lhes permite trocar dados muito mais rapidamente.

E como os satélites se comunicam com antenas móveis na Terra, podem cobrir áreas onde "o custo, a complexidade e a geografia" dificultam "instalar soluções tradicionais", explica a Amazon.

- Soberania -

Para recuperar o atraso, a Amazon planeja aumentar os lançamentos de seus satélites nos próximos meses e anos, com mais de 80 voos com empresas espaciais como o ULA, a Blue Origin (de Bezos) e inclusive a SpaceX, de Musk.

Estes milhares de satélites serão lançados progressivamente na órbita terrestre baixa, um espaço já ocupado pelos dispositivos da Starlink e também por um número crescente de atores, entre os quais se encontra o operador europeu Eutelsat, que se fundiu com a OneWeb em 2023, e a China com sua constelação GuoWang.

Espera-se que esta concorrência continue crescendo, o que pode trazer desafios espaciais com congestionamento e possíveis colisões, assim como interrupções das observações astronômicas.

Também traz problemas de soberania.

Neste sentido, o papel de Musk, que se tornou assessor do presidente americano Donald Trump, reacendeu o debate sobre a necessidade de não deixar o setor espacial exclusivamente em mãos privadas.

Após questionar o futuro da rede Starlink na Ucrânia, essencial para as comunicações militares, Musk, o homem mais rico do planeta, assegurou, em março, que manteria seus serviços "apesar de todos [os seus] desacordos com a política da Ucrânia".

A.Slezak--TPP