The Prague Post - Uma mulher na Presidência? Duas mexicanas se debatem entre a esperança e o ceticismo

EUR -
AED 4.185856
AFN 71.80645
ALL 94.351797
AMD 418.950339
ANG 2.040671
AOA 1045.181242
ARS 1684.022951
AUD 1.653225
AWG 2.053034
AZN 1.940292
BAM 1.957445
BBD 2.298983
BDT 140.398021
BGN 1.927237
BHD 0.430362
BIF 3389.960433
BMD 1.139783
BND 1.476877
BOB 7.887561
BRL 5.895983
BSD 1.14149
BTN 107.136591
BWP 15.512448
BYN 3.310556
BYR 22339.749178
BZD 2.29568
CAD 1.617916
CDF 2584.43972
CHF 0.921794
CLF 0.026714
CLP 1051.403732
CNY 7.748416
CNH 7.746228
COP 3925.982961
CRC 518.235638
CUC 1.139783
CUP 30.204253
CVE 110.3568
CZK 24.264786
DJF 203.265327
DKK 7.474909
DOP 67.066377
DZD 151.952434
EGP 56.111293
ERN 17.096747
ETB 184.027233
FJD 2.561378
FKP 0.863793
GBP 0.862708
GEL 3.014703
GGP 0.863793
GHS 12.869819
GIP 0.863793
GMD 83.204485
GNF 10001.363444
GTQ 8.708282
GYD 238.880807
HKD 8.939057
HNL 30.541343
HRK 7.535899
HTG 149.176238
HUF 354.255845
IDR 20342.849149
ILS 3.404643
IMP 0.863793
INR 107.690469
IQD 1495.256939
IRR 1567486.73728
ISK 144.023261
JEP 0.863793
JMD 179.775065
JOD 0.808153
JPY 184.465349
KES 147.490905
KGS 99.674351
KHR 4581.569969
KMF 494.666161
KPW 1025.805208
KRW 1758.320604
KWD 0.353013
KYD 0.951195
KZT 553.823124
LAK 25053.950876
LBP 102217.667973
LKR 383.680846
LRD 207.913864
LSL 18.76269
LTL 3.365484
LVL 0.689444
LYD 7.32732
MAD 10.703203
MDL 20.237924
MGA 4828.185738
MKD 61.636521
MMK 2393.14523
MNT 4080.340883
MOP 9.220451
MRU 45.554294
MUR 53.843111
MVR 17.610008
MWK 1979.315944
MXN 19.937405
MYR 4.640172
MZN 72.838311
NAD 18.76269
NGN 1572.569737
NIO 42.005126
NOK 11.319289
NPR 171.419098
NZD 2.017148
OMR 0.438243
PAB 1.14145
PEN 3.892255
PGK 5.009167
PHP 69.749041
PKR 317.6696
PLN 4.290429
PYG 6967.009402
QAR 4.160661
RON 5.243455
RSD 117.402218
RUB 88.332004
RWF 1671.649216
SAR 4.286597
SBD 9.17748
SCR 16.031677
SDG 683.870117
SEK 11.093743
SGD 1.474555
SHP 0.850963
SLE 28.275875
SLL 23900.686339
SOS 652.362696
SRD 42.722551
STD 23591.209398
STN 24.520397
SVC 9.987352
SYP 125.982619
SZL 18.752257
THB 37.923954
TJS 10.563934
TMT 3.989241
TND 3.383114
TOP 2.744325
TRY 53.158006
TTD 7.757487
TWD 36.31634
TZS 2989.08465
UAH 51.236119
UGX 4189.521784
USD 1.139783
UYU 45.818315
UZS 13710.525303
VES 707.523775
VND 29960.909018
VUV 135.838534
WST 3.169603
XAF 656.526167
XAG 0.01962
XAU 0.000281
XCD 3.080321
XCG 2.057129
XDR 0.816508
XOF 656.523285
XPF 119.331742
YER 271.98076
ZAR 18.740719
ZMK 10259.411906
ZMW 20.561736
ZWL 367.0097
Uma mulher na Presidência? Duas mexicanas se debatem entre a esperança e o ceticismo
Uma mulher na Presidência? Duas mexicanas se debatem entre a esperança e o ceticismo / foto: Rodrigo Oropeza, CLAUDIO CRUZ - AFP/Arquivos

Uma mulher na Presidência? Duas mexicanas se debatem entre a esperança e o ceticismo

O México terá uma mulher na Presidência pela primeira vez na História? Uma encanadora e uma carpinteira, entrevistadas pela AFP, se debatem entre a esperança e o ceticismo, após a nomeação de Claudia Sheinbaum e de Xóchitl Gálvez como candidatas, respectivamente, da situação e da oposição.

Tamanho do texto:

Berenice, de 32 anos, e Victoria, de 30, não se conhecem, mas têm muito em comum. Ambas sofreram violência de gênero, uma praga neste país, onde diariamente são mortas, em média, dez mulheres.

Desafiando a entranhada cultura machista, elas tiveram que lutar para educar os filhos, fazendo trabalhos antes considerados masculinos: Berenice conserta encanamentos e Victoria fabrica móveis.

No México, as mulheres conquistam cada vez mais protagonismo, ao ponto de que, pela primeira vez na História, duas delas vão disputar a Presidência nas eleições de 2 de junho de 2024.

O partido governista de esquerda Morena nomeou candidata na última quarta-feira a ex-prefeita da Cidade do México Claudia Sheinbaum, uma física de 61 anos, que venceu cinco consultas, por ampla margem, seus cinco oponentes homens.

Enquanto isso, a senadora de centro direita Xóchitl Gálvez, uma empresária de 60 anos, foi escolhida no domingo passado a candidata de uma coalizão opositora, deixando pelo caminho outra mulher e dois homens.

Para Berenice Aparicio, mãe de um menino e de uma adolescente, o panorama é de esperança.

"Ainda há machismo no México, então eu acho que talvez uma mulher presidente pensaria mais como mulher, ou (em) tudo o que uma mulher sofre e faria uma mudança", comenta, maquiada e com os cabelos pretos presos, enquanto troca um sanitário no centro da capital.

Ela viveu anos com um homem que a agredia fisicamente por ciúmes e a fazia acreditar que sozinha "não ia conseguir" sobreviver, até que decidiu ser encanadora, um ofício aprendido ainda adolescente com seus tios.

Já Victoria González, mãe de dois meninos e que prefere ser chamada de Mallory Knox, considera que os partidos estão se aproveitando da força dos movimentos feministas para obter votos.

"Acho que é um pouquinho conveniente que justamente agora, com todo o auge do feminismo, haja uma mulher presidente", ironiza Mallory, enquanto lustra superfícies de madeira no ateliê de seu pai no violento bairro de Chalco, periferia da capital. Mallory também ensina seu ofício a outras mulheres para que elas tenham independência.

No gabinete do presidente Andrés Manuel López Obrador, dos 19 ministros nove são mulheres, entre elas Rosa Icela Rodríguez e Luisa María Alcalde, titulares das secretarias de Segurança Pública e Governo (Interior).

As mulheres são 39% do total de funcionários e diretores do setor público e privado no México, incluídas a presidente da Suprema Corte de Justiça, Norma Piña, e a do órgão eleitoral, Guadalupe Taddei.

Mas assim como a violência do narcotráfico, os feminicídios não cessam. De janeiro a junho, 1.516 mulheres foram assassinadas, e destes casos, cerca de 500 são investigados como feminicídios, segundo o governo.

- Utopia -

Filha de uma empregada doméstica e de um vendedor de tacos, que agora administra seu negócio de artigos de encanamento, Berenice faz parte do Plomeras en Acción (Encanadoras em Ação), uma organização na qual, além de se atualizar sobre seu ofício, aprende a lidar com os atos cotidianos de discriminação.

"Muitas pessoas pensam que é preciso fazer muita força e que, por isso, uma mulher não seria boa para este trabalho", comenta em sua casa pequena, onde ela dorme em uma beliche com os filhos.

Em cerca ocasião, um homem a desafiou pelas redes sociais a "uma luta de boxe", dizendo: "'Se você pode ser encanadora, também pode lutar'", relata esta mulher de voz suave.

Portanto, ela considera que uma mulher na Presidência faria "o país avançar".

No atelitê de carpintaria do pai, Mallory ouve uma música do Tri, a renomada banda de rock que critica ferrenhamente a política mexicana.

"Vivi da violência sexual" à "violência econômica quando fui casada com um homem", conta.

"Agora, tenho vivido a violência já me nomeando (identificando) como mulher lésbica, sendo mãe" e "discriminação" por ser carpinteira há quatro anos, relata.

Para ela, uma mudança social não depende "de que seja uma mulher ou um homem" quem governe.

"Seria como um sonho, algo muito utópico, que uma mulher pudesse mudar nossos passos (...) Somos talvez nós que vamos mudando tudo em nossa passagem", reforça.

B.Barton--TPP