The Prague Post - Restos mortais de jovem africano lançam luz sobre passado escravista do Uruguai

EUR -
AED 4.204304
AFN 72.689855
ALL 94.16846
AMD 421.368896
ANG 2.049665
AOA 1050.932648
ARS 1668.297766
AUD 1.632406
AWG 2.063514
AZN 1.9534
BAM 1.955145
BBD 2.306627
BDT 140.692878
BGN 1.935731
BHD 0.431855
BIF 3415.156163
BMD 1.144807
BND 1.481104
BOB 7.91335
BRL 5.891976
BSD 1.145216
BTN 108.362706
BWP 15.542794
BYN 3.204327
BYR 22438.208777
BZD 2.303329
CAD 1.619947
CDF 2610.15881
CHF 0.924437
CLF 0.026317
CLP 1035.752058
CNY 7.749882
CNH 7.756614
COP 3917.413603
CRC 519.525995
CUC 1.144807
CUP 30.337374
CVE 110.228081
CZK 24.204473
DJF 203.941694
DKK 7.474625
DOP 66.947577
DZD 152.776735
EGP 56.975075
ERN 17.172099
ETB 184.638959
FJD 2.573239
FKP 0.865124
GBP 0.863156
GEL 3.033258
GGP 0.865124
GHS 12.855694
GIP 0.865124
GMD 84.135795
GNF 10034.639101
GTQ 8.733075
GYD 239.579758
HKD 8.975404
HNL 30.637739
HRK 7.536604
HTG 149.599895
HUF 352.422404
IDR 20406.119875
ILS 3.401621
IMP 0.865124
INR 108.227713
IQD 1500.297506
IRR 1574109.03434
ISK 144.005294
JEP 0.865124
JMD 180.959391
JOD 0.811689
JPY 184.543976
KES 148.172003
KGS 100.113789
KHR 4598.459839
KMF 491.693168
KPW 1030.326314
KRW 1759.092615
KWD 0.353265
KYD 0.95438
KZT 558.193045
LAK 25292.528781
LBP 102557.450463
LKR 382.941741
LRD 208.440187
LSL 18.817098
LTL 3.380316
LVL 0.692482
LYD 7.342541
MAD 10.676324
MDL 20.139255
MGA 4830.382162
MKD 61.648854
MMK 2403.999893
MNT 4097.52793
MOP 9.247703
MRU 45.792663
MUR 54.733337
MVR 17.687075
MWK 1985.834885
MXN 19.821065
MYR 4.750605
MZN 73.164535
NAD 18.817098
NGN 1565.053077
NIO 42.145884
NOK 11.07799
NPR 173.37993
NZD 1.996371
OMR 0.440203
PAB 1.145216
PEN 3.875202
PGK 5.102291
PHP 69.895015
PKR 318.523717
PLN 4.275279
PYG 6981.661634
QAR 4.175002
RON 5.238518
RSD 117.352956
RUB 84.541347
RWF 1677.33821
SAR 4.297365
SBD 9.228771
SCR 15.65455
SDG 687.453458
SEK 10.991002
SGD 1.479674
SHP 0.854714
SLE 28.33415
SLL 24006.02557
SOS 654.480795
SRD 42.850679
STD 23695.184649
STN 24.491797
SVC 10.020644
SYP 126.537872
SZL 18.812699
THB 37.67158
TJS 10.622242
TMT 4.006823
TND 3.386266
TOP 2.75642
TRY 53.190289
TTD 7.766399
TWD 36.200496
TZS 3008.817265
UAH 51.506949
UGX 4180.599793
USD 1.144807
UYU 45.794662
UZS 13725.402955
VES 694.477055
VND 30131.30893
VUV 135.490495
WST 3.150274
XAF 655.737374
XAG 0.017333
XAU 0.000273
XCD 3.093897
XCG 2.064009
XDR 0.814748
XOF 655.737374
XPF 119.331742
YER 273.152139
ZAR 18.756682
ZMK 10304.633604
ZMW 20.299201
ZWL 368.627249
Restos mortais de jovem africano lançam luz sobre passado escravista do Uruguai
Restos mortais de jovem africano lançam luz sobre passado escravista do Uruguai / foto: Handout - Intendencia de Montevideo/AFP

Restos mortais de jovem africano lançam luz sobre passado escravista do Uruguai

A uruguaia Mónica dos Santos sentiu o sofrimento de seus antepassados como nunca antes, ao ver ossos semienterrados, em posição fetal, em um terreno de Montevidéu, onde escravizados eram comercializados.

Tamanho do texto:

Os restos mortais de um adolescente entre 16 e 18 anos, que morreu de desnutrição enquanto era mantido em cativeiro longe de sua África natal, foram encontrados no Uruguai em outubro do ano passado. Recentemente identificados, eles lançam luz sobre o passado escravista do país e reavivam as demandas por indenização da população negra no Uruguai.

"Era muito doloroso de ver, mas ao mesmo tempo, era como se aqueles ossos estivessem nos dizendo 'estávamos aqui por você'", relata Dos Santos à AFP, descendente de uma das 15 milhões de pessoas que foram vítimas do tráfico transatlântico de escravizados entre os séculos XV e XIX, segundo dados da ONU.

"Sentimos muita dor, mas também esperamos reparação", acrescenta, emocionada, esta artesã e ativista pelos direitos humanos.

No Uruguai, onde a escravidão foi abolida em 1842, 10,6% dos 3,5 milhões de habitantes se identificam como "afro ou negros", segundo o censo de 2023. Estima-se que o percentual real chegue a 14% do total.

O antropólogo Camilo Collazo, um dos responsáveis pelas pesquisas arqueológicas no bairro Capurro, onde foram encontrados os restos mortais do adolescente africano, ressalta que esta é a primeira vez que há evidências no Uruguai de um escravizado mantido em cativeiro.

"Isso é importante para a América espanhola atlântica" porque "expressa, a nível local, como foi a entrada dos escravizados", enfatiza.

No Brasil, africanos que foram mantidos em cativeiro foram encontrados enterrados. O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco, em 2017, com o maior vestígio remanescente da chegada de escravizados da África às Américas.

- "Importante papel" -

No Rio da Prata, Montevidéu teve um "importante papel" no tráfico de escravizados para o Cone Sul da América, diz Collazo.

Por um lado, em 1787, foi estabelecido, perto da cidade, o assentamento da Companhia Real das Filipinas, que centralizou o tráfico de escravizados provenientes dos portos da Angola, Golfo da Guiné e Moçambique, além do Brasil.

Em 1791, a Coroa espanhola declarou Montevidéu como o único porto de entrada de escravizados na região.

"Isso lhe deu o monopólio sobre o tráfico de pessoas no Vice-Reino do Rio da Prata, que incluía cidades como Santa Fé, Córdoba, Buenos Aires, mas também Santiago do Chile, Lima e Alto Peru", explica Collazo.

Segundo pesquisas, entre 1777 e 1812, período coberto pelo Caserío, quase 70.000 pessoas foram levadas à força pelos portos do Rio da Prata em 550 navios.

- Memorial -

A história toca de perto Myriam Fernández, que permitiu que fossem feitas escavações nos fundos de sua casa, construída por seu pai, um galego que chegou ao Uruguai no século XX.

"Os restos mortais foram encontrados ao lado de uma árvore que ele plantou", lembra a enfermeira aposentada, de 71 anos.

"Quando me contaram, eu estava lavando a louça e tive que sentar, porque isso mexe com a sua própria história, eu sendo filha de espanhóis...", disse, com a voz embargada.

Em seu jardim e nos terrenos ao redor, onde hoje há uma escola, ficava o chamado "Caserío de los negros".

"Tinha cinco barracas com telhados de telha, dois armazéns e uma cozinha com telhado plano, e tudo era cercado por um muro perimetral", diz Collazo.

A busca por vestígios nessas instalações, que ruíram em 1902, começou no final da década de 1990, mas sua localização só foi determinada em 2008. Foi incluído nas Rotas dos Povos Escravizados da Unesco em 2009 e declarado Monumento Histórico Nacional em 2013 e Sítio de Memória em 2022.

Para Leticia Rodríguez Taborda, diretora de Equidade Étnico-Racial e Populações Migrantes da Prefeitura de Montevidéu, o sítio merece um memorial que mostre o tráfico de escravizados e seu impacto.

"A etapa da conquista acabou, mas ainda estamos sentido seus efeitos", lamenta.

No Uruguai, a população afrodescendente registra uma maior porcentagem de pobreza (19,4% contra 9% da população não negra, segundo dados de 2023). Há também maiores taxas de desemprego e subemprego, mais empregos informais e menores taxas de conclusão da educação obrigatória.

Y.Blaha--TPP