The Prague Post - Antes da Copa do Mundo, pioneiras do futebol no México buscam driblar o esquecimento

EUR -
AED 4.238267
AFN 75.0137
ALL 91.850368
AMD 420.283899
ANG 2.066179
AOA 1058.267988
ARS 1740.213385
AUD 1.619521
AWG 2.077298
AZN 1.964098
BAM 1.955732
BBD 2.323239
BDT 142.016261
BGN 1.942783
BHD 0.434792
BIF 3448.939091
BMD 1.154055
BND 1.467861
BOB 13.322592
BRL 5.938533
BSD 1.15347
BTN 110.686607
BWP 15.611724
BYN 3.502508
BYR 22619.470537
BZD 2.319839
CAD 1.606455
CDF 2665.865954
CHF 0.944288
CLF 0.027935
CLP 1102.895467
CNY 7.744287
CNH 7.746972
COP 3594.095382
CRC 516.186411
CUC 1.154055
CUP 30.582447
CVE 110.260664
CZK 24.291292
DJF 205.403703
DKK 7.475331
DOP 67.828802
DZD 154.339792
EGP 59.92221
ERN 17.310819
ETB 188.41074
FJD 2.551574
FKP 0.855305
GBP 0.855899
GEL 3.016939
GGP 0.855305
GHS 13.247594
GIP 0.855305
GMD 85.399668
GNF 10142.73299
GTQ 8.805844
GYD 241.322602
HKD 9.053143
HNL 30.958453
HRK 7.536091
HTG 150.757338
HUF 365.739538
IDR 20400.223504
ILS 3.509884
IMP 0.855305
INR 110.634081
IQD 1511.073314
IRR 1586334.628035
ISK 139.964061
JEP 0.855305
JMD 181.673643
JOD 0.818249
JPY 178.869811
KES 149.530655
KGS 100.921847
KHR 4672.876985
KMF 491.627179
KPW 1038.649524
KRW 1568.533162
KWD 0.356118
KYD 0.961283
KZT 515.900889
LAK 25814.320432
LBP 103292.733273
LKR 380.529982
LRD 201.396443
LSL 18.758069
LTL 3.407623
LVL 0.698076
LYD 7.328744
MAD 10.905813
MDL 20.053646
MGA 4978.86893
MKD 61.527581
MMK 2422.886165
MNT 4154.058028
MOP 9.319935
MRU 46.185184
MUR 54.344388
MVR 17.784687
MWK 2000.13868
MXN 19.797143
MYR 4.667691
MZN 73.743622
NAD 18.758069
NGN 1529.987744
NIO 42.448883
NOK 10.787814
NPR 177.104709
NZD 2.004033
OMR 0.443733
PAB 1.15347
PEN 3.870798
PGK 5.214863
PHP 72.443504
PKR 319.770582
PLN 4.33973
PYG 6865.73002
QAR 4.204535
RON 5.259253
RSD 117.354648
RUB 97.352542
RWF 1694.470075
SAR 4.331254
SBD 9.25494
SCR 15.853377
SDG 694.173223
SEK 11.27419
SGD 1.468333
SHP 0.854824
SLE 28.447624
SLL 24199.938968
SOS 659.202639
SRD 43.585175
STD 23886.600591
STN 24.499355
SVC 10.092603
SYP 15005.018453
SZL 18.763669
THB 38.421931
TJS 10.640674
TMT 4.039191
TND 3.378996
TOP 2.778686
TRY 56.132985
TTD 7.82776
TWD 36.785468
TZS 3053.199161
UAH 51.493075
UGX 4532.821756
USD 1.154055
UYU 46.388377
UZS 13570.760339
VES 970.77227
VND 29963.874134
VUV 136.279767
WST 3.152298
XAF 655.957
XAG 0.018244
XAU 0.00027
XCD 3.11889
XCG 2.078845
XDR 0.815976
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 272.962742
ZAR 18.774749
ZMK 10387.873873
ZMW 22.521407
ZWL 371.605117
SSP 6516.057594
MXV 2.244869
Antes da Copa do Mundo, pioneiras do futebol no México buscam driblar o esquecimento
Antes da Copa do Mundo, pioneiras do futebol no México buscam driblar o esquecimento / foto: Ivan CASTANEIRA - AFP

Antes da Copa do Mundo, pioneiras do futebol no México buscam driblar o esquecimento

Há mais de meio século, um grupo de jovens jogadoras de futebol formou a seleção feminina do México. Enfrentando críticas, preconceitos e obstáculos, elas alcançaram um nível de sucesso que seus colegas do sexo masculino nunca chegaram sequer a igualar: um terceiro lugar em um controverso campeonato mundial em 1970, seguido por um segundo lugar apenas um ano depois.

Tamanho do texto:

Faltando menos de 100 dias para a Copa do Mundo masculina, que será sediada pelo México, Estados Unidos e Canadá, seus feitos permanecem oficialmente sem reconhecimento, tanto por parte da Federação Mexicana de Futebol quanto da Fifa.

O torneio de 1971 foi oficialmente classificado como uma competição amadora, e as jogadoras mexicanas foram posteriormente banidas pela federação após exigirem o pagamento de salários.

O futebol feminino no México começou a tomar forma em 1969, com a fundação da primeira liga do país, que serviu de base para a seleção nacional que disputou o primeiro torneio mundial, um evento com a participação de sete seleções realizado na Itália em 1970.

A primeira Copa do Mundo feminina oficialmente reconhecida pela Fifa só viria a acontecer mais de duas décadas depois, na China, em 1991.

As 'Aztecas', muitas das quais não haviam completado nem quinze anos, se destacaram ao conquistar um respeitável terceiro lugar, após serem derrotadas pela Itália nas semifinais.

No ano seguinte, o campeonato foi realizado novamente, desta vez tendo o México como país-sede e contando com a participação de seis seleções. Elas terminaram como vice-campeãs e lotaram o Estádio Azteca com 110.000 espectadores, segundo relatos daquela época.

A AFP conversou com três veteranas daquela histórica seleção sobre seus triunfos, os desafios que enfrentaram e a evolução do futebol feminino ao longo das últimas cinco décadas.

- Rebelião salarial -

Alicia 'La Pelé' Vargas era a goleadora da equipe, considerada a terceira melhor jogadora da Concacaf do século XX, e a artilheira do torneio de 1970, realizado na Itália.

Hoje, aos 72 anos, ela recorda a atitude desdenhosa que enfrentaram ao viajar para aquele primeiro torneio, realizado apenas algumas semanas depois de Pelé ter conduzido o Brasil ao tricampeonato mundial, no México.

"Saiu na imprensa 'México parte para a sua aventura' em letrinhas pequenas, na página de esportes", conta ela.

No entanto, a atenção da mídia, assim como a intensidade em campo, cresceu quando avançaram para as semifinais, em que elas foram derrotadas segundo ela, devido a uma "arbitragem parcial" que marcou um pênalti duvidoso a favor das italianas.

No ano seguinte veio a revanche em casa. Também na semifinal, a seleção mexicana saiu vitoriosa deixando as 'azzurre' furiosas, ela recorda.

Enquanto aguardavam a final contra a Dinamarca, vazou para a imprensa um rumor de que as jogadoras da seleção mexicana exigiam dois milhões de pesos (aproximadamente 160 mil dólares na época, 844 mil reais na cotação atual), ou não entrariam em campo.

"Toda aquela situação atrapalhou nossos treinos (...) Acabou sendo a pior partida que jogamos. Foi repleta de erros. Cada uma tentava vencer a batalha por conta própria", lamenta ela, recordando a derrota por 3 a 0 sofrida diante das dinamarquesas.

Sem receberem um salário oficial, elas se organizaram para solicitar doações aos torcedores que lotavam o Estádio Azteca e cada jogadora saiu com 21.000 pesos (cerca de US$ 1.680 da época (R$8.869,00 na cotação atual). No entanto, aquela partida também marcou o fim de sua passagem pela seleção nacional.

- Expulsas -

María de Lourdes de la Rosa — ex-lateral-direita, hoje com 71 anos, recorda que elas eram taxadas de "prófugas del metate" ("fugitivas do metate"), um insulto sexista que faz referência à placa de pedra pré-hispânica usada para moer alimentos, tradicionalmente operada de joelhos.

"Diziam que o nosso lugar era em casa lavando a louça e cuidando dos nossos irmãos", lamenta ela.

Mas o golpe mais duro, em sua opinião, foi o desdém demonstrado pelas autoridades do futebol mexicano.

"A própria Federação nos renegou exatamente no momento em que disputávamos nossa última partida, a final do campeonato. Não representávamos o México. Não entrávamos em campo como a seleção nacional", relembra com tristeza.

O futebol feminino mexicano estagnou, lamenta ela, numa época em que poderia ter crescido lado a lado com o dos Estados Unidos, a quem elas costumavam atropelar rotineiramente, com goleadas de dois dígitos.

Como resultado, acredita De la Rosa, "as meninas de hoje", da atual geração mexicana, estão "apenas começando", em vez de poderem construir sobre o impulso gerado por aquelas vice-campeãs e sua luta por reconhecimento.

- Otimismo -

Martha Coronado é mais uma defensora daquela lendária seleção nacional. Aos 71 anos, ela ainda lembra vividamente os preconceitos que enfrentou na juventude por entrar em campo em um mundo marcado pelo machismo.

"Foi profundamente inspirador para todas nós saber que éramos pioneiras, que abrimos caminho e nunca recuamos diante das adversidades", observa ela, notando que um número crescente de mulheres pode ser encontrado agora não apenas nas arquibancadas, mas também em campo, chutando a bola.

Ela recorda com orgulho a vitória por 1 a 0 conquistada pela atual seleção feminina do México contra o Brasil, país-sede da Copa do Mundo de 2027, durante um amistoso disputado na capital em 7 de março, diante de um público de 25.000 torcedores.

"O México tem todas as chances de um dia ser campeão mundial", diz ela, esperançosa.

C.Zeman--TPP