The Prague Post - Meninas quenianas continuam sofrendo mutilação genital anos após sua proibição

EUR -
AED 4.238811
AFN 75.022966
ALL 91.672628
AMD 419.537692
ANG 2.066447
AOA 1059.55903
ARS 1739.351817
AUD 1.619413
AWG 2.07901
AZN 1.957383
BAM 1.956934
BBD 2.324627
BDT 142.102356
BGN 1.943034
BHD 0.435048
BIF 3450.970122
BMD 1.154204
BND 1.468738
BOB 13.33061
BRL 5.938261
BSD 1.154159
BTN 110.753228
BWP 15.620918
BYN 3.504601
BYR 22622.396885
BZD 2.321225
CAD 1.607968
CDF 2669.093803
CHF 0.945126
CLF 0.027889
CLP 1101.203245
CNY 7.746382
CNH 7.746544
COP 3605.53684
CRC 516.494861
CUC 1.154204
CUP 30.586404
CVE 110.327507
CZK 24.306268
DJF 205.527333
DKK 7.475508
DOP 67.868746
DZD 154.356205
EGP 59.774608
ERN 17.313059
ETB 185.827115
FJD 2.567526
FKP 0.855416
GBP 0.856252
GEL 2.989216
GGP 0.855416
GHS 13.25551
GIP 0.855416
GMD 84.83445
GNF 10148.793838
GTQ 8.81103
GYD 241.467851
HKD 9.05417
HNL 31.071061
HRK 7.534598
HTG 150.846116
HUF 365.292269
IDR 20419.021596
ILS 3.512185
IMP 0.855416
INR 110.699119
IQD 1512.584241
IRR 1586568.712443
ISK 139.820478
JEP 0.855416
JMD 181.782203
JOD 0.818363
JPY 179.229979
KES 149.422829
KGS 100.934904
KHR 4675.66929
KMF 492.845335
KPW 1038.783897
KRW 1577.940296
KWD 0.356256
KYD 0.961849
KZT 516.204696
LAK 25829.745926
LBP 103354.904211
LKR 380.75737
LRD 201.515043
LSL 18.778905
LTL 3.408064
LVL 0.698166
LYD 7.317715
MAD 10.91233
MDL 20.065455
MGA 5049.641947
MKD 61.561745
MMK 2423.199621
MNT 4154.59545
MOP 9.325424
MRU 46.225673
MUR 54.039998
MVR 17.77448
MWK 2004.271858
MXN 19.783361
MYR 4.668291
MZN 73.765567
NAD 18.769115
NGN 1529.554162
NIO 42.25512
NOK 10.78124
NPR 177.205165
NZD 2.008309
OMR 0.443795
PAB 1.154159
PEN 3.872336
PGK 5.127547
PHP 72.433244
PKR 319.961663
PLN 4.342075
PYG 6869.921965
QAR 4.203553
RON 5.260055
RSD 117.373314
RUB 97.18192
RWF 1695.453227
SAR 4.331814
SBD 9.256137
SCR 16.02754
SDG 694.306762
SEK 11.28161
SGD 1.469515
SHP 0.856679
SLE 28.439506
SLL 24203.069786
SOS 659.570827
SRD 43.570862
STD 23889.690871
STN 24.873095
SVC 10.098765
SYP 15006.959696
SZL 18.744258
THB 38.370374
TJS 10.647078
TMT 4.051256
TND 3.363062
TOP 2.779046
TRY 56.159985
TTD 7.832471
TWD 36.768321
TZS 3053.59421
UAH 51.524515
UGX 4535.56966
USD 1.154204
UYU 46.416499
UZS 13578.869679
VES 970.897898
VND 29987.372116
VUV 136.297398
WST 3.152705
XAF 655.957
XAG 0.017855
XAU 0.000267
XCD 3.119294
XCG 2.080124
XDR 0.816082
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 273.035606
ZAR 18.741265
ZMK 10389.219903
ZMW 22.534865
ZWL 371.653192
SSP 6516.900596
MXV 2.243306
Meninas quenianas continuam sofrendo mutilação genital anos após sua proibição
Meninas quenianas continuam sofrendo mutilação genital anos após sua proibição / foto: Tony KARUMBA - AFP

Meninas quenianas continuam sofrendo mutilação genital anos após sua proibição

As mulheres masai vaiam em coro quando um ancião da comunidade, envolto em um tradicional manto vermelho, afirma que a mutilação genital feminina foi praticamente erradicada em sua comunidade, no sul do Quênia.

Tamanho do texto:

Elas sabem que a mutilação feminina — que consiste na retirada total ou parcial do clitóris e dos pequenos lábios — continua sendo uma prática enraizada em algumas aldeias remotas do condado de Narok, a cerca de três horas da estrada asfaltada mais próxima.

Seus defensores afirmam que a mutilação é como um rito de passagem. No entanto, a prática provoca graves complicações de saúde para as mulheres.

Uma enfermeira local disse à AFP que 80% das meninas da região continuam sendo afetadas, apesar da prática ter sido declarada ilegal em 2011.

A mutilação genital feminina (MGF) perdurou por décadas, apesar da pressão para erradicá-la, inicialmente por parte dos colonizadores britânicos e posteriormente por ONGs quenianas e internacionais.

A prática persiste na comunidade devido à crença de que uma menina deve ser mutilada antes do casamento e que, caso não seja, será alvo de ostracismo.

Atualmente, continua sendo praticada não apenas entre os masai rurais do sul, mas também no nordeste, em áreas onde há uma diáspora somali com taxas superiores a 90%.

Também prossegue em algumas zonas urbanas e em grupos com maior acesso à educação, onde os ativistas indicam um aumento da "MGF medicalizada".

Uma pesquisa governamental de 2022 indicou que, em nível nacional, o percentual de adolescentes afetadas caiu de 29% para 9% desde 1998. Mas este número não reflete a realidade em algumas regiões.

- Gritos e insultos -

"Eu gritava e resistia", relata Martha, de 18 anos, que tinha 10 quando duas mulheres, sob pressão de sua comunidade, a mutilaram em sua casa em Narok Leste por decisão do pai.

Mais tarde, ela fugiu para um abrigo local dirigido pelo ativista Patrick Ngigi, que afirma que sua organização "Mission with a Vision" resgatou cerca de 3.000 vítimas de MGF desde 1997.

O abrigo, apoiado pelo Fundo de População da ONU, conta com câmeras de vigilância e botões de pânico para proteger as meninas de pais e anciãos que se opõem ao seu trabalho.

"É um trabalho perigoso. Você arruma muitos inimigos, mas com o tempo se acostuma", comenta Ngigi, alvo de maldições por parte de anciãos da comunidade.

O diretor afirma que a mudança requer educação, diálogo e o fim da corrupção. "Quando chega um policial e te encontra fazendo isso, você simplesmente dá-lhe algo e continua", explica.

Uma acusação que o agente policial Raphael Maroa rejeita, mas reconhece que a mutilação segue profundamente enraizada e que muitas meninas são levadas secretamente à Tanzânia para serem submetidas ao procedimento.

Ele também critica a falta de educação na comunidade (metade da população de Narok é analfabeta, segundo números de 2022), mas admite que suas duas filhas foram mutiladas para evitar "conflitos com meus pais".

- "Monstruosa" -

Os masai são uma das comunidades mais pobres do Quênia. Durante décadas, perderam suas terras: primeiro, pelo colonialismo e, mais recentemente, pelo turismo. Isto faz com que alguns continuem desconfiando de forasteiros que tentam mudar seu modo de vida.

Um jovem masai diz que alguns de seus amigos ainda acreditam na mutilação genital feminina, mas afirma que as meninas já não são amaldiçoadas — uma forma de controle social utilizada pelos anciãos — por se recusarem fazê-la.

Cynthia Taruru discorda. Seu pai a amaldiçoou quando sua irmã, com estudos universitários, a resgatou da MGF aos 11 anos.

"Eu sentia que ia morrer ou que não poderia ter filhos. Tive que pagar-lhe uma vaca para que suspendesse a maldição", relata Taruru, hoje com 23 anos.

Segundo as autoridades de saúde locais, as vítimas de MGF costumam sofrer fístulas e partos obstruídos, complicações que se agravam devido às longas distâncias até as unidades médicas.

Muitas jovens, para evitar que suas famílias sejam presas, optam por dar à luz em casa, o que aumenta o risco de complicações e de morte.

Uma prática "monstruosa" que provoca "hemorragias, dor e infecções", explica Loise Nashipa, uma enfermeira de 32 anos de Entasekera.

Y.Havel--TPP