

Neonazista começa a cumprir pena em prisão feminina após mudar de gênero
Um intenso debate eclodiu na Alemanha depois que uma militante neonazista começou, nesta sexta-feira (29), a cumprir sua pena em uma prisão feminina, após ter legalmente mudado de gênero.
Marla-Svenja Liebich, de 54 anos, foi condenada em 2023 a 18 meses de prisão na prisão de Chemnitz por crimes que incluem incitação ao ódio racial e difamação.
No momento da sentença, a acusada se chamava Sven Liebich, mas mudou legalmente de gênero depois que a Alemanha aprovou, no ano passado, uma lei de identidade chamada Lei de Autodeterminação.
A decisão de Liebich, que passou a usar batom, brincos de ouro e uma blusa com estampa de leopardo, foi considerada por muitos como uma zombaria da legislação e até mesmo como uma forma de obter condições carcerárias mais favoráveis.
O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, afirmou que "a Justiça, os cidadãos e os políticos estão sendo ridicularizados porque a Lei de Autodeterminação oferece a oportunidade para isso".
O funcionário conservador declarou que a Alemanha precisa "de um debate sobre como podem ser estabelecidas regras claras contra o abuso da mudança de gênero".
Liebich foi por décadas uma figura destacada da extrema direita do leste da Alemanha e costumava ser membro do grupo proibido Blood and Honour, segundo a mídia local.
Também dirigia um negócio que vendia produtos online muito populares entre os grupos xenófobos, como um taco de beisebol com o lema "assistente de deportação".
Em 2022, interrompeu uma parada do orgulho LGBTIQA+ na cidade de Halle, chamando os participantes de "parasitas da sociedade", segundo ativistas.
Liebich também disse que se converteu ao judaísmo e pediu comida kosher e supervisão rabínica na prisão.
O comissário alemão contra o antissemitismo, Felix Klein, condenou a medida por considerá-la "uma zombaria não apenas aos judeus, mas a todas as pessoas religiosas, independentemente de sua fé".
Por sua vez, a comissária pelos direitos queer, Sophie Koch, declarou ao semanário Die Zeit que não existia nenhuma obrigação legal de manter Liebich em uma prisão para mulheres e alertou contra "cair nas armadilhas dos agitadores de extrema direita".
I.Mala--TPP