The Prague Post - COP30: 'Sem os indígenas não há futuro para a humanidade', diz ministra Sonia Guajajara

EUR -
AED 4.337585
AFN 76.771781
ALL 96.377666
AMD 445.292458
ANG 2.11426
AOA 1083.06698
ARS 1706.679507
AUD 1.682
AWG 2.128929
AZN 2.02305
BAM 1.952301
BBD 2.369763
BDT 143.792275
BGN 1.983501
BHD 0.445318
BIF 3486.365995
BMD 1.181098
BND 1.495626
BOB 8.130256
BRL 6.188485
BSD 1.176596
BTN 106.305913
BWP 16.25194
BYN 3.371172
BYR 23149.522115
BZD 2.366369
CAD 1.613829
CDF 2598.415422
CHF 0.917022
CLF 0.02567
CLP 1013.594973
CNY 8.194699
CNH 8.196242
COP 4286.889922
CRC 584.355109
CUC 1.181098
CUP 31.299099
CVE 110.065395
CZK 24.358671
DJF 209.525346
DKK 7.468165
DOP 74.087523
DZD 153.421082
EGP 55.393858
ERN 17.716471
ETB 182.510052
FJD 2.599365
FKP 0.862103
GBP 0.861605
GEL 3.183029
GGP 0.862103
GHS 12.889625
GIP 0.862103
GMD 86.22027
GNF 10322.542162
GTQ 9.024634
GYD 246.153598
HKD 9.227128
HNL 31.086414
HRK 7.53434
HTG 154.334034
HUF 380.752358
IDR 19841.797923
ILS 3.644414
IMP 0.862103
INR 106.822647
IQD 1541.343908
IRR 49753.756262
ISK 145.003764
JEP 0.862103
JMD 184.39029
JOD 0.837399
JPY 185.168979
KES 152.303222
KGS 103.287245
KHR 4747.51093
KMF 493.699297
KPW 1062.923461
KRW 1720.683059
KWD 0.363093
KYD 0.980547
KZT 589.895203
LAK 25308.745187
LBP 105365.295293
LKR 364.18879
LRD 218.848675
LSL 18.845702
LTL 3.487475
LVL 0.714435
LYD 7.438699
MAD 10.792727
MDL 19.925371
MGA 5214.675588
MKD 61.633334
MMK 2480.230498
MNT 4216.339015
MOP 9.468489
MRU 46.970012
MUR 54.189058
MVR 18.247734
MWK 2040.251806
MXN 20.396666
MYR 4.644093
MZN 75.294834
NAD 18.845702
NGN 1629.431558
NIO 43.30257
NOK 11.399191
NPR 170.089861
NZD 1.96181
OMR 0.454118
PAB 1.176566
PEN 3.961001
PGK 5.040986
PHP 69.680058
PKR 329.06799
PLN 4.225077
PYG 7806.041941
QAR 4.278341
RON 5.094899
RSD 117.397611
RUB 90.585617
RWF 1717.229405
SAR 4.429255
SBD 9.517408
SCR 16.051653
SDG 710.429816
SEK 10.572511
SGD 1.50239
SHP 0.886129
SLE 28.907383
SLL 24767.035052
SOS 671.299643
SRD 45.016959
STD 24446.345361
STN 24.45627
SVC 10.29559
SYP 13062.442531
SZL 18.85229
THB 37.336284
TJS 10.995346
TMT 4.145654
TND 3.40233
TOP 2.8438
TRY 51.384728
TTD 7.969749
TWD 37.297869
TZS 3054.957424
UAH 50.919351
UGX 4194.393426
USD 1.181098
UYU 45.317816
UZS 14404.182763
VES 438.943953
VND 30687.289979
VUV 141.208292
WST 3.219874
XAF 654.78617
XAG 0.013099
XAU 0.000234
XCD 3.191976
XCG 2.120508
XDR 0.814344
XOF 654.78617
XPF 119.331742
YER 281.544296
ZAR 18.870345
ZMK 10631.303198
ZMW 23.090711
ZWL 380.313096
COP30: 'Sem os indígenas não há futuro para a humanidade', diz ministra Sonia Guajajara
COP30: 'Sem os indígenas não há futuro para a humanidade', diz ministra Sonia Guajajara / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP

COP30: 'Sem os indígenas não há futuro para a humanidade', diz ministra Sonia Guajajara

A ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, espera que os povos indígenas consigam desempenhar papéis de destaque na COP30, que começa na segunda-feira (10) em Belém, e afirma que sem eles "não há futuro para a humanidade", em uma entrevista à AFP.

Tamanho do texto:

Integrante da etnia Guajajara-Tenetehara, nascida em uma reserva indígena no estado do Maranhão, ela é a primeira pessoa a ocupar o cargo criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu retorno ao poder para um terceiro mandato, em 2023.

Antes da conferência do clima da ONU em Belém, Sonia Guajajara, 51 anos, prevê "a maior e melhor COP" em termos de "participação e protagonismo indígena", ao mesmo tempo que denuncia o "racismo" sofrido pelos povos originários.

Além disso, a ministra lamenta que o governo Lula não tenha conseguido homologar ainda mais reservas indígenas.

Segundo ela, o processo foi freado por uma lei aprovada no Congresso, de maioria conservadora, que restringe o reconhecimento das terras que, por direito, pertencem aos povos originários.

O maior país da América Latina tem 1,7 milhão de indígenas, distribuídos em 391 etnias que falam 295 línguas, em uma população total de mais de 200 milhões de habitantes.

PERGUNTA: A COP ser realizada pela primeira vez na Amazônia contribuirá para mudar a percepção do público sobre os povos indígenas?

RESPOSTA: Há uma ignorância muito grande, há um racismo muito grande, muito grande na sociedade em geral sobre os povos indígenas. Falta conhecimento sobre a realidade que os povos indígenas vivem.

A COP pode contribuir significativamente para a maior compreensão, para o interesse da sociedade em geral sobre povos indígenas. E principalmente sobre o papel que os povos indígenas e os territórios indígenas exercem para o equilíbrio do clima.

Comprovadamente, a presença indígena, seja em território demarcado ou não, é garantia de água limpa, de biodiversidade protegida, de alimentação sem veneno, de floresta em pé.

E tudo isso é o que a humanidade precisa para continuar existindo. Portanto, a gente diz que, sem os povos indígenas, sem estas vozes, não há futuro para a humanidade.

P: Como você viu a evolução da representação dos povos indígenas nas discussões sobre o clima?

R: Uma COP na Amazônia precisa considerar as vozes indígenas, das comunidades tradicionais, de todas as pessoas que sempre tiveram muita dificuldade de chegar onde a COP acontece.

Em 2009, quando eu participei da primeira COP, que foi a COP15, em Copenhague, tinha um ou outro indígena presente, mas não participavam ativamente. E nós viemos construindo a inclusão, o aumento da representaçãom e também os espaços de fala. Então, de lá para cá, houve uma evolução gigante.

Eu fiquei muito animada ao participar da cúpula dos presidentes, no lançamento do TFFF, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, e também da sessão que tratou do tema clima e natureza.

É claro que ainda falta muito para que os países possam garantir esse protagonismo. Nos dois momentos, todos os presidentes que se pronunciaram falaram da importância de incluir os povos indígenas e de garantir o financiamento para os povos indígenas, assim como garantir a proteção dos povos e territórios indígenas.

- "Guardiões da floresta" -

P: Qual é o impacto da mudança climática nos povos indígenas?

R: As mudanças já são sentidas de várias formas nos territórios indígenas, nas periferias das grandes cidades, com grandes enchentes, com grandes secas. Qualquer que seja um desses fatores, afeta diretamente o cotidiano.

Por mais que já haja esse reconhecimento de que nós, povos indígenas, somos os maiores guardiões e guardiãs da floresta, do meio ambiente, da biodiversidade, pelo nosso modo de vida, somos os primeiros e os mais impactados.

Porque, quando há uma enchente, por exemplo, afeta a segurança alimentar, quando o peixe morre, quando a água é contaminada, quando seca, ficamos sem as estradas, porque os rios para nós também são formas de transporte. Afeta na escola, quando as crianças não podem se deslocar de um lugar para o outro para frequentar a escola, afeta na educação.

P: Alguns líderes indígenas criticam o governo Lula por não avançar de maneira suficiente na demarcação de novas reservas: como você responde às críticas?

R: É claro que nós não estamos satisfeitos com o ritmo da demarcação de terras indígenas, porque havia uma previsão, um interesse, um comprometimento desse governo de avançar com as demarcações.

Mas nós temos hoje um impedimento legal que é conhecido por todo mundo, que é a lei 14.701 (conhecida como lei do Marco Temporal), uma lei que foi aprovada pelo Congresso Nacional, mesmo com os vetos do presidente Lula. Ele vetou integralmente o Marco Temporal, o Congresso Nacional derrubou os vetos do presidente Lula e sancionou essa lei. Então ela existe, não tem como você passar por cima, porque se você passa por cima, você corre o risco de estar cometendo uma ilegalidade.

Há exemplos dos decretos de homologação que o presidente Lula assinou no dia 4 de dezembro do ano passado e que foram questionados no Supremo Tribunal Federal pelo estado de Santa Catarina, que foi a terra indígena Morro dos Cavalos e a terra indígena Toldo Imbu. Então, não adianta o presidente Lula simplesmente avançar, passando por cima de uma lei e ter esses atos suspensos.

Estamos vendo como realmente destravar mais processos, porque, apesar do ritmo lento, em três anos nós homologamos 16 territórios indígenas, o que corresponde a mais do que nos 10 anos que antecederam o início do terceiro mandato do Lula.

S.Janousek--TPP