The Prague Post - Dez anos de reconstrução para vítimas dos atentados de 2015 em Paris

EUR -
AED 4.256604
AFN 72.432879
ALL 96.074129
AMD 437.254458
ANG 2.074425
AOA 1062.659363
ARS 1619.517095
AUD 1.663881
AWG 2.085917
AZN 1.973326
BAM 1.9561
BBD 2.334559
BDT 142.231841
BGN 1.980821
BHD 0.437678
BIF 3435.969361
BMD 1.158843
BND 1.483141
BOB 8.027267
BRL 6.110111
BSD 1.159078
BTN 108.61049
BWP 15.882919
BYN 3.431557
BYR 22713.321918
BZD 2.331258
CAD 1.593809
CDF 2634.050312
CHF 0.916436
CLF 0.026796
CLP 1058.324828
CNY 7.973415
CNH 7.990292
COP 4306.075006
CRC 540.087598
CUC 1.158843
CUP 30.709338
CVE 110.380095
CZK 24.446661
DJF 206.417042
DKK 7.471443
DOP 69.385728
DZD 153.71935
EGP 61.076838
ERN 17.382644
ETB 182.372874
FJD 2.574714
FKP 0.865714
GBP 0.865036
GEL 3.146206
GGP 0.865714
GHS 12.637209
GIP 0.865714
GMD 84.595281
GNF 10174.640968
GTQ 8.876363
GYD 242.593534
HKD 9.070159
HNL 30.73225
HRK 7.530188
HTG 151.984651
HUF 389.902558
IDR 19591.398997
ILS 3.618253
IMP 0.865714
INR 108.774793
IQD 1518.084271
IRR 1523936.427911
ISK 143.800676
JEP 0.865714
JMD 182.918089
JOD 0.821571
JPY 183.930975
KES 150.1631
KGS 101.339078
KHR 4652.754866
KMF 492.508173
KPW 1042.925224
KRW 1733.675267
KWD 0.355
KYD 0.965978
KZT 559.565928
LAK 24973.065545
LBP 103774.386694
LKR 364.349094
LRD 212.753766
LSL 19.526088
LTL 3.421762
LVL 0.700973
LYD 7.410824
MAD 10.849142
MDL 20.273726
MGA 4826.580671
MKD 61.580327
MMK 2433.140213
MNT 4135.877336
MOP 9.341578
MRU 46.481413
MUR 57.02801
MVR 17.90359
MWK 2012.910493
MXN 20.657755
MYR 4.584964
MZN 74.050274
NAD 19.491496
NGN 1599.180087
NIO 42.55284
NOK 11.214853
NPR 173.772685
NZD 1.989549
OMR 0.445526
PAB 1.159078
PEN 4.024644
PGK 4.989396
PHP 69.455258
PKR 323.607137
PLN 4.270288
PYG 7563.161419
QAR 4.222809
RON 5.094736
RSD 117.460436
RUB 93.28723
RWF 1691.910714
SAR 4.349934
SBD 9.330676
SCR 17.323955
SDG 696.46457
SEK 10.800884
SGD 1.48194
SHP 0.869432
SLE 28.449614
SLL 24300.369889
SOS 662.273966
SRD 43.271278
STD 23985.709473
STN 25.065773
SVC 10.142558
SYP 128.605547
SZL 19.527019
THB 37.835064
TJS 11.122096
TMT 4.05595
TND 3.366401
TOP 2.790215
TRY 51.391504
TTD 7.875277
TWD 37.015757
TZS 2978.226198
UAH 50.906737
UGX 4340.666564
USD 1.158843
UYU 47.237254
UZS 14143.678327
VES 529.016856
VND 30543.623764
VUV 138.433325
WST 3.185514
XAF 656.060577
XAG 0.016612
XAU 0.000263
XCD 3.131831
XCG 2.089039
XDR 0.81601
XOF 658.797973
XPF 119.331742
YER 276.55816
ZAR 19.711049
ZMK 10430.973939
ZMW 21.936369
ZWL 373.146959
Dez anos de reconstrução para vítimas dos atentados de 2015 em Paris
Dez anos de reconstrução para vítimas dos atentados de 2015 em Paris / foto: Kenzo TRIBOUILLARD - AFP/Arquivos

Dez anos de reconstrução para vítimas dos atentados de 2015 em Paris

Dez anos depois de sobreviver ao pior atentado jihadista em Paris, Eva considera essa tragédia como "parte" dela e, pela primeira vez, quebra o silêncio para relatar como tenta superar esse ataque que comoveu profundamente a sociedade francesa.

Tamanho do texto:

Naquela noite de sexta-feira, 13 de novembro de 2015, celebrava o aniversário de sua melhor amiga. Estava fumando no terraço com três amigos quando os jihadistas dispararam contra o restaurante e mataram 21 pessoas.

Ainda lembra do "silêncio aterrador" entre os disparos. Recebeu múltiplos impactos de bala no lado esquerdo do corpo, incluindo o pé. Tiveram que amputar sua perna abaixo do joelho e ficou com uma "enorme cicatriz" no braço.

"Já se passaram dez anos, é parte de mim", afirma a mulher de 35 anos, que prefere não revelar seu sobrenome.

Naquela noite, comandos do grupo jihadista Estado Islâmico mataram 130 pessoas em uma sala de concertos, restaurantes e bares da capital francesa, e próximo a um estádio de futebol na vizinha Saint-Denis.

Os ataques comoveram profundamente a França que, na quinta-feira, organiza diversas cerimônias de homenagem às vítimas.

Com uma prótese na perna, Eva assegura que está "muito bem". Mas "a vida não é fácil todos os dias", ressalta.

No verão (norte), ainda sente os olhares dos desconhecidos na cicatriz de seu braço. Pensou em se submeter a uma cirurgia reconstrutiva, mas "na pele negra é complicado", acrescenta.

E embora continue frequentando bares, "nunca mais" dará as costas para a rua.

- Medo -

Para alguns sobreviventes e familiares das vítimas, o aniversário dos atentados só revive o temor.

"Ele nos persegue", diz Bilal Mokono, de cerca de 50 anos e em cadeira de rodas após ser ferido por um ataque suicida perto do Stade de France.

De sua casa nos arredores de Paris, conta que desde então "dorme mal". Após o ataque, perdeu o uso das pernas e o ouvido esquerdo. E seu braço direito continua "muito frágil".

A única pessoa que morreu nesse ataque foi Manuel Dias, de 63 anos. Sua filha, Sophie Dias, teme que se perca a memória desse "pai único".

"Sentimos sua ausência todos os dias (...) É importante comemorar o décimo aniversário", explica.

Nem todos compartilham seu ponto de vista. Fabien Petit espera que as pessoas sigam em frente. Seu cunhado, Nicolas Degenhardt, morreu aos 37 anos no café Bonne Bière junto com outras quatro pessoas.

"Não podemos continuar revivendo o 13 de novembro repetidamente", aponta este homem, que afirma se sentir "melhor" após ser atormentado por um tempo por "pensamentos sombrios".

Ainda se emociona ao lembrar da tragédia, mas "o julgamento [lhe] ajudou". O processo, que durou dez meses entre 2021 e 2022, concluiu com a condenação à prisão perpétua do único membro sobrevivente do grupo de perpetradores, Salah Abdeslam.

- "O som dessas metralhadoras" -

Aurélie Silvestre, cujo parceiro, Matthieu Giroud, morreu no Bataclan junto com outras 89 pessoas, relatou o caso em um livro.

"Sinto que escrever me permite recolher alguns dos pedaços e uni-los novamente", diz ela. Quando perdeu seu companheiro, Silvestre estava grávida.

"Dadas as circunstâncias, estou bem, muito bem, mas, é claro, não é fácil. Estou criando sozinha dois filhos cujo pai foi assassinado", acrescentou.

Alguns sobreviveram aos atentados, mas não às suas consequências.

O químico Guillaume Valette e o autor de romances em quadrinhos Fred Dewilde lutaram durante anos contra as feridas psicológicas antes de tirarem a própria vida.

"Nunca esquecerei o som dessas metralhadoras", havia confidenciado Valette a seus pais, Arlette e Alain Valette. Eles ainda se lembram das palavras do filho oito anos após sua morte. Ele havia "perdido o sorriso", contou seu pai à AFP.

Após o falecimento, seus pais lutaram para que seu filho fosse reconhecido como a vítima número 131. Seu nome agora está gravado nas placas comemorativas de 13 de novembro, ao lado do de Dewilde, que morreu em 2024.

Os recursos para tratar o trauma psicológico na França melhoraram desde 2015, segundo o psiquiatra Thierry Baubet, mas ainda são limitados em algumas regiões.

"Há vítimas dos atentados de 13 de novembro que continuam sofrendo e não buscaram ajuda", declara à AFP, apontando que um obstáculo comum é o "medo de não ser compreendido".

Mas "nunca é tarde demais", enfatiza.

- "Você sempre se sentirá sozinho" -

Quando Lola, a filha de 17 anos de Eric Ouzounian, morreu no Bataclan, um terapeuta o advertiu: "Você nunca vai superar isso e sempre se sentirá sozinho".

"Dez anos depois, isso continua sendo verdade. Você não se recupera da perda de um filho", conta o jornalista de 60 anos, enquanto toma um café e fuma um cigarro.

Em 2015, ele se recusou a participar da homenagem em Paris e escreveu um artigo no qual criticava o Estado pelas políticas internas que haviam criado "zonas de desespero".

As condições de vida nesses bairros, de onde vieram alguns jihadistas, não melhoraram desde então e as autoridades continuam "desprezando" os moradores, afirmou.

Para o historiador Denis Peschanski, com o passar dos anos, os franceses são cada vez menos capazes de enumerar os locais onde ocorreram os atentados. O Bataclan continua sendo o mais conhecido, mas houve muitos outros.

Roman, um sobrevivente do ataque ao restaurante La Belle Équipe, decidiu falar para que as pessoas não se lembrem apenas do massacre na casa de shows.

"Às vezes nos sentimos esquecidos", conta este homem de 34 anos, que prefere não revelar seu sobrenome.

Alguns anos após o ataque, ele decidiu se tornar professor: "Ensinar história e geografia era importante, não apenas para evitar que isso aconteça novamente, mas também para transmitir aos jovens o que nos aconteceu".

A.Stransky--TPP