The Prague Post - 'O sangue escorria': os relatos de sobreviventes do massacre de El Fasher, no Sudão

EUR -
AED 4.256604
AFN 72.432879
ALL 96.074129
AMD 437.254458
ANG 2.074425
AOA 1062.659363
ARS 1619.517095
AUD 1.663881
AWG 2.085917
AZN 1.973326
BAM 1.9561
BBD 2.334559
BDT 142.231841
BGN 1.980821
BHD 0.437678
BIF 3435.969361
BMD 1.158843
BND 1.483141
BOB 8.027267
BRL 6.110111
BSD 1.159078
BTN 108.61049
BWP 15.882919
BYN 3.431557
BYR 22713.321918
BZD 2.331258
CAD 1.593809
CDF 2634.050312
CHF 0.916436
CLF 0.026796
CLP 1058.324828
CNY 7.973415
CNH 7.990292
COP 4306.075006
CRC 540.087598
CUC 1.158843
CUP 30.709338
CVE 110.380095
CZK 24.446661
DJF 206.417042
DKK 7.471443
DOP 69.385728
DZD 153.71935
EGP 61.076838
ERN 17.382644
ETB 182.372874
FJD 2.574714
FKP 0.865714
GBP 0.865036
GEL 3.146206
GGP 0.865714
GHS 12.637209
GIP 0.865714
GMD 84.595281
GNF 10174.640968
GTQ 8.876363
GYD 242.593534
HKD 9.070159
HNL 30.73225
HRK 7.530188
HTG 151.984651
HUF 389.902558
IDR 19591.398997
ILS 3.618253
IMP 0.865714
INR 108.774793
IQD 1518.084271
IRR 1523936.427911
ISK 143.800676
JEP 0.865714
JMD 182.918089
JOD 0.821571
JPY 183.930975
KES 150.1631
KGS 101.339078
KHR 4652.754866
KMF 492.508173
KPW 1042.925224
KRW 1733.675267
KWD 0.355
KYD 0.965978
KZT 559.565928
LAK 24973.065545
LBP 103774.386694
LKR 364.349094
LRD 212.753766
LSL 19.526088
LTL 3.421762
LVL 0.700973
LYD 7.410824
MAD 10.849142
MDL 20.273726
MGA 4826.580671
MKD 61.580327
MMK 2433.140213
MNT 4135.877336
MOP 9.341578
MRU 46.481413
MUR 57.02801
MVR 17.90359
MWK 2012.910493
MXN 20.657755
MYR 4.584964
MZN 74.050274
NAD 19.491496
NGN 1599.180087
NIO 42.55284
NOK 11.214853
NPR 173.772685
NZD 1.989549
OMR 0.445526
PAB 1.159078
PEN 4.024644
PGK 4.989396
PHP 69.455258
PKR 323.607137
PLN 4.270288
PYG 7563.161419
QAR 4.222809
RON 5.094736
RSD 117.460436
RUB 93.28723
RWF 1691.910714
SAR 4.349934
SBD 9.330676
SCR 17.323955
SDG 696.46457
SEK 10.800884
SGD 1.48194
SHP 0.869432
SLE 28.449614
SLL 24300.369889
SOS 662.273966
SRD 43.271278
STD 23985.709473
STN 25.065773
SVC 10.142558
SYP 128.605547
SZL 19.527019
THB 37.835064
TJS 11.122096
TMT 4.05595
TND 3.366401
TOP 2.790215
TRY 51.391504
TTD 7.875277
TWD 37.015757
TZS 2978.226198
UAH 50.906737
UGX 4340.666564
USD 1.158843
UYU 47.237254
UZS 14143.678327
VES 529.016856
VND 30543.623764
VUV 138.433325
WST 3.185514
XAF 656.060577
XAG 0.016612
XAU 0.000263
XCD 3.131831
XCG 2.089039
XDR 0.81601
XOF 658.797973
XPF 119.331742
YER 276.55816
ZAR 19.711049
ZMK 10430.973939
ZMW 21.936369
ZWL 373.146959
'O sangue escorria': os relatos de sobreviventes do massacre de El Fasher, no Sudão
'O sangue escorria': os relatos de sobreviventes do massacre de El Fasher, no Sudão / foto: Joris Bolomey - AFP

'O sangue escorria': os relatos de sobreviventes do massacre de El Fasher, no Sudão

Após onze dias de viagem, o adolescente Munir Abderahman finalmente chegou ao Chade, fugindo de El Fasher, cidade do Sudão que sofreu um dos piores massacres da guerra que assola o país.

Tamanho do texto:

Quando os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR) tomaram a cidade, ele velava seu pai, militar do exército regular ferido alguns dias antes, no hospital saudita.

"Chamaram sete enfermeiros e os reuniram em uma sala. Ouvimos tiros e vi sangue escorrendo por baixo da porta", relata o adolescente de 16 anos à AFP.

O vídeo, como muitos outros gravados pelas FAR ao entrar na cidade, foi compartilhado nas redes sociais. Munir abandonou imediatamente a cidade com seu pai, que morreria alguns dias depois na estrada que o levava ao Chade.

As FAR, em guerra contra o exército regular desde abril de 2023, tomaram o controle de El Fasher em 26 de outubro.

A localidade é capital do estado de Darfur do Norte, no noroeste do país, uma região que já sofreu uma guerra na década de 2000.

Duas semanas após a tomada da cidade, grupos de refugiados chegaram ao Chade, a mais de 300 quilômetros de distância. Acolhidos no campo de Tiné, eles dão seu testemunho à AFP.

- "O sangue escorria" -

Após 18 meses de combates, todos falam de uma intensificação dos bombardeios a partir de 24 de outubro, antes da entrada dos paramilitares.

Dezenas de pessoas se amontoaram em abrigos improvisados para escapar dos drones. Hamid Souleyman Chogar, de 53 anos, lembra de quando fugiu do esconderijo.

"Sempre que subia para tomar ar fresco, via novos cadáveres na rua, muitas vezes de moradores do bairro que eu conhecia", confessou. Na noite de 26 de outubro, decidiu fugir.

Ferido em uma guerra anterior, ele é colocado em uma carroça que passa pela cidade entre escombros e cadáveres. Ninguém fala por medo dos paramilitares.

Mahamat Ahmat Abdelkerim, de 53 anos, correu para entrar em uma casa com sua esposa e seus seis filhos quando os faróis de um veículo das FAR iluminaram a noite.

O sétimo de seus filhos morreu dois dias antes em um ataque com drones. "Havia uma dezena de cadáveres, todos civis. O sangue escorria", recorda. Seus óculos escuros escondem o olho esquerdo que perdeu alguns meses antes em um bombardeio.

Mouna Mahamat Oumour, de 42 anos, fugia com seus três filhos quando um projétil atingiu o grupo. "Quando me virei, vi o corpo destroçado da minha tia. Nós a cobrimos com um pano e seguimos em frente", conta ela entre lágrimas. "Caminhamos sem olhar para trás", acrescenta.

Ao chegar ao sul da cidade, na altura da trincheira construída pelos paramilitares para cercá-la, os cadáveres se acumulam. "Eles ocupam metade desta vala de dois metros de largura e três metros de altura", detalha Hamid Souleyman Chogar.

Análises realizadas por um laboratório da Universidade de Yale a partir de imagens de satélite cruzadas com vídeos publicados pelas FAR sugerem a presença de numerosos corpos nestas trincheiras.

Samira Abdallah Bachir, de 29 anos, seguiu outro caminho. Ela teve que descer para a trincheira com sua filha de dois anos nos braços e seus outros dois filhos, de 7 e 11 anos, caminhando atrás dela. "Tivemos que desviar dos cadáveres para não pisar neles", descreve.

- Postos de controle -

Uma vez fora da cidade, os refugiados passam por outras violências. Os relatos testemunham atos de agressão, violações e roubos contra a população civil em cada posto de controle.

Mahamat Ahmat Abdelkerim teve seu telefone e seu dinheiro roubados, mas teve que continuar pagando ao passar pelos postos de controle. "As FAR têm telefones que colocam no viva-voz para que possamos entrar em contato com nossos familiares e eles nos enviem dinheiro", descreve.

Outros depoimentos mencionaram casos de discriminação racial. "Disseram-nos que somos negros, que somos escravos", conta um refugiado recém-chegado a Tiné. "Eles separam alguns homens, tiram seus pertences e atiram neles aleatoriamente", relata.

É difícil saber quantos sudaneses conseguirão se refugiar no Chade nas próximas semanas. De acordo com os últimos dados da ONU, cerca de 90.000 pessoas já fugiram da cidade de El Fasher desde a conquista dos paramilitares.

A agência de refugiados da ONU acredita que "90.000" pessoas chegarão ao país nos "próximos três meses".

O conflito no Sudão já causou dezenas de milhares de mortos, deslocou quase 12 milhões de pessoas e, segundo as Nações Unidas, provocou a pior crise humanitária do mundo.

J.Simacek--TPP