The Prague Post - Paquistão busca adiamento de ultimato de Trump para destruir Irã

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Paquistão busca adiamento de ultimato de Trump para destruir Irã
Paquistão busca adiamento de ultimato de Trump para destruir Irã / foto: Ahmad al Rubaye - AFP

Paquistão busca adiamento de ultimato de Trump para destruir Irã

O Paquistão apresentou, nesta terça-feira (7), uma proposta de última hora para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adie por duas semanas seu ultimato ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, sob o risco de pôr fim a "toda uma civilização".

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A Casa Branca afirmou que estava ciente e que responderia à proposta do Paquistão, que tem tentado mediar o conflito no Oriente Médio que já dura mais de cinco semanas.

"Os esforços diplomáticos para alcançar uma solução pacífica para a guerra em curso no Oriente Médio avançam de forma constante, firme e contundente, com potencial para produzir resultados substanciais em um futuro próximo", escreveu o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, no X.

Sharif pediu a Trump que adie por duas semanas o ultimato, marcado para as 20h de Washington (21h no horário de Brasília) desta terça, para que o Irã reabra Ormuz, passagem crucial para o comércio mundial de petróleo, fechada por Teerã em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.

"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais retornar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", alertou Trump mais cedo.

Ele não forneceu detalhes, mas já havia declarado anteriormente que as forças armadas de seu país poderiam bombardear pontes, usinas de energia e outras infraestruturas civis do Irã para fazer o país regredir à "Idade da Pedra".

Na segunda-feira, afirmou que a proposta de cessar-fogo temporário que está circulando é insuficiente.

O Irã rejeita a pressão de Washington. Segundo a mídia estatal, as autoridades não buscam um mero cessar-fogo, mas sim o fim da guerra iniciada em 28 de fevereiro.

Longe de se render, a Guarda Revolucionária — exército ideológico do Irã — ameaçou realizar ações contra infraestruturas que "privariam os Estados Unidos e seus aliados do petróleo e gás da região por anos".

Antes do fim do prazo, o Kuwait pediu à população que permaneça em casa a partir da meia-noite e o principal porto do Bahrein suspenderá temporariamente suas operações.

- "Só o presidente sabe" -

Na Truth Social, Trump deixou a porta aberta a um acordo de última hora.

"Agora que temos uma mudança de regime completa e total, na qual prevalecem mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas, talvez possa acontecer algo revolucionariamente maravilhoso. QUEM SABE? Descobriremos esta noite", escreveu em letras maiúsculas, como costuma fazer.

Durante uma visita a Budapeste, seu vice-presidente, JD Vance, previu negociações intensas nas próximas horas, mas alertou que Washington possui "ferramentas" que ainda não utilizou.

Segundo uma publicação de uma conta vinculada à ex-candidata democrata Kamala Harris, estas declarações implicariam o eventual uso de armas nucleares.

A Casa Branca desmentiu taxativamente essa opção no X: "Literalmente, nada do que o @VP (JD Vance) disse 'dá a entender' isso, palhaços absolutos".

"Só o presidente sabe" o que vai fazer com o Irã, insistiu a porta-voz Karoline Leavitt.

- Ataque na ilha de Kharg -

 

Duas pontes também foram atingidas ao sul de Teerã — uma em Kashan, onde duas pessoas morreram, e outra perto de Qom.

Ataques também foram realizados contra a ilha de Kharg, no Golfo, um centro vital para a indústria petrolífera do Irã, segundo a agência Mehr.

Em um comunicado, o exército israelense afirmou ter realizado "uma onda de ataques em larga escala contra dezenas de instalações de infraestruturas" em várias regiões do Irã. Não especificaram quais instalações foram atingidas nem suas localizações.

- Uma ameaça "inaceitável" -

Os iranianos oscilam entre o medo e a indiferença.

"Para nós, a guerra não é apenas uma primeira página ou uma análise política, é o desmoronamento da vida (...) Sua guerra é nosso pesadelo noturno", disse no X a jornalista iraniana Elaheh Mohammadi.

"Estou apavorada e todos neste país deveriam estar também", disse à AFP Metanat, uma estudante de 27 anos que afirma ter perdido um colega de classe em um ataque.

"Algumas pessoas zombam de Trump e de suas ameaças", mas "isto é uma guerra, e não há nada de engraçado nisso", afirma.

Morteza Hamidi, um aposentado de 62 anos, minimizou o novo ultimato de Trump. "Ele mudou as datas tantas vezes que nos tornamos insensíveis às suas ameaças", declarou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que está "muito preocupado" pelas declarações que sugerem que "todo um povo ou toda uma civilização poderia ser obrigada a suportar as consequências de decisões políticas e militares".

O papa classificou de "inaceitável" a ameaça feita contra todo o povo iraniano.

- China e Rússia vetam resolução para desbloqueio do estreito -

Segundo relatos, o Irã estaria disposto a levantar seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, impondo uma taxa de trânsito de US$ 2 milhões por navio (R$ 10,3 milhões), que compartilharia com o Sultanato de Omã, no lado oposto da via, segundo o 'The New York Times'.

Por enquanto, a República Islâmica continua atacando diariamente as nações do Golfo, às quais acusa de ajudar aos Estados Unidos.

Em Nova York, Rússia e China fizeram uso do seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU para derrubar uma proposta de resolução que exigia o desbloqueio do Estreito de Ormuz e promovia a escolta de navios.

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B.Svoboda--TPP