The Prague Post - América Latina e o desafio de contabilizar as mortes causadas pelo calor extremo

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América Latina e o desafio de contabilizar as mortes causadas pelo calor extremo
América Latina e o desafio de contabilizar as mortes causadas pelo calor extremo / foto: Patrick T. Fallon - AFP

América Latina e o desafio de contabilizar as mortes causadas pelo calor extremo

A América Latina e o Caribe vivenciaram em 2025 uma série de desastres climáticos e ondas de calor que sufocaram suas populações, mas a região não consegue contabilizar com precisão as mortes causadas por essas temperaturas extremas, alertou um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

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O documento, "O Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025", apresentado nesta segunda-feira (18) em Brasília, registra um ano de recordes em quase todos os aspectos.

Chuvas torrenciais, com enchentes e deslizamentos de terra, atingiram diversos países, incluindo Peru, Equador, Brasil, Colômbia e Venezuela.

O furacão Melissa devastou a Jamaica, causando perdas de mais de 40% do seu PIB.

Além disso, 85% do território mexicano foi afetado pela seca, enquanto as geleiras andinas, das quais dependem cerca de 90 milhões de pessoas, aceleraram seu derretimento.

O relatório destaca as ondas de calor recorrentes e intensas que assolaram grande parte das Américas do Norte, Central e do Sul, com temperaturas acima de 45°C em diversas áreas.

O documento destaca que o calor extremo representa "um fardo crescente para a saúde pública".

No entanto, a maioria dos países não publica sistematicamente dados sobre mortes relacionadas ao calor, e os impactos geralmente são inferidos a partir de análises do excesso de mortalidade.

- Mortes subestimadas -

A organização estima que cerca de 13.000 pessoas morrem anualmente na América Latina por causas relacionadas ao calor, com base em uma média de 17 países entre 2012 e 2021. No entanto, alerta que esse número é quase certamente uma subestimação.

"À medida que os eventos de calor extremo se intensificam, a mortalidade evitável só pode ser reduzida fortalecendo a cooperação entre as esferas de clima e saúde", alerta a OMM.

Há "uma necessidade urgente" de integrar alertas meteorológicos precoces aos sistemas de ativação da saúde pública, afirma a OMM em um comunicado.

- "Chamado à ação" -

O Brasil ilustra tanto a magnitude do problema quanto suas limitações. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou sete ondas de calor ao longo de 2025.

Em fevereiro, o Rio de Janeiro atingiu 44°C e, em dezembro, São Paulo bateu seu recorde histórico com 37,2°C, a temperatura mais alta registrada em 64 anos de medições.

As escolas adiaram a volta às aulas e algumas pessoas buscaram alívio nas praias e em "refúgios climáticos" montados pelas autoridades municipais.

No entanto, as mortes diretamente atribuídas ao calor durante esse período permanecem em grande parte invisíveis nas estatísticas oficiais.

A secretária-geral da OMM, a argentina Celeste Saulo, afirmou que o relatório "é um chamado à ação".

"Ele nos insta a fortalecer as observações, investir em serviços, corrigir as deficiências nos sistemas de alerta precoce e garantir que as informações climáticas cheguem a quem mais precisa", declarou em um comunicado.

O Plano de Ação em Saúde de Belém, aprovado na COP30 da ONU em novembro, estabelece um roteiro para adaptar os sistemas de saúde à crise climática, lembra a OMM, que apelou à sua implementação no seu relatório.

Y.Blaha--TPP