The Prague Post - De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto

EUR -
AED 4.21834
AFN 74.661225
ALL 91.432306
AMD 416.419413
ANG 2.056463
AOA 1054.440663
ARS 1739.601242
AUD 1.608272
AWG 2.06753
AZN 1.957227
BAM 1.955422
BBD 2.310453
BDT 140.872738
BGN 1.933647
BHD 0.432416
BIF 3448.932551
BMD 1.148628
BND 1.465916
BOB 11.270819
BRL 5.906291
BSD 1.147178
BTN 109.921728
BWP 15.556989
BYN 3.470128
BYR 22513.103189
BZD 2.307154
CAD 1.607907
CDF 2654.479062
CHF 0.944743
CLF 0.027911
CLP 1102.062801
CNY 7.693107
CNH 7.700293
COP 3628.597782
CRC 513.200684
CUC 1.148628
CUP 30.438634
CVE 110.243665
CZK 24.347696
DJF 204.280467
DKK 7.475389
DOP 67.706897
DZD 153.643935
EGP 59.789629
ERN 17.229416
ETB 187.378938
FJD 2.545249
FKP 0.859109
GBP 0.857921
GEL 2.990867
GGP 0.859109
GHS 13.215443
GIP 0.859109
GMD 84.42856
GNF 10085.048308
GTQ 8.754306
GYD 240.003554
HKD 9.011042
HNL 30.79504
HRK 7.534658
HTG 149.930985
HUF 364.287725
IDR 20459.4717
ILS 3.487958
IMP 0.859109
INR 110.194179
IQD 1502.809171
IRR 1578903.655694
ISK 139.202636
JEP 0.859109
JMD 181.144944
JOD 0.814422
JPY 180.197158
KES 148.551252
KGS 100.447935
KHR 4649.100291
KMF 491.613064
KPW 1033.765308
KRW 1592.044397
KWD 0.353962
KYD 0.956015
KZT 512.880746
LAK 25706.025284
LBP 102727.519827
LKR 379.706518
LRD 198.461593
LSL 18.650291
LTL 3.391599
LVL 0.694794
LYD 7.28659
MAD 10.868997
MDL 20.161098
MGA 4973.037601
MKD 61.513096
MMK 2411.949927
MNT 4132.823691
MOP 9.269406
MRU 46.150069
MUR 54.640655
MVR 17.746733
MWK 1989.21504
MXN 19.789482
MYR 4.690656
MZN 73.40923
NAD 18.650291
NGN 1529.662418
NIO 42.211831
NOK 10.809019
NPR 175.874964
NZD 1.993627
OMR 0.441652
PAB 1.147178
PEN 3.871151
PGK 5.106012
PHP 72.2606
PKR 317.962167
PLN 4.363465
PYG 6800.683909
QAR 4.193089
RON 5.263476
RSD 117.367287
RUB 96.581309
RWF 1685.17388
SAR 4.316112
SBD 9.18961
SCR 15.827137
SDG 690.903792
SEK 11.290555
SGD 1.465883
SHP 0.858627
SLE 28.314099
SLL 24086.139517
SOS 655.573131
SRD 43.585257
STD 23774.274604
STN 24.49526
SVC 10.038057
SYP 14934.457826
SZL 18.644392
THB 38.275765
TJS 10.582452
TMT 4.031683
TND 3.374547
TOP 2.76562
TRY 56.015171
TTD 7.787493
TWD 36.503811
TZS 3039.911706
UAH 51.253181
UGX 4525.124283
USD 1.148628
UYU 46.131073
UZS 13582.371494
VES 973.444877
VND 29889.590367
VUV 135.812798
WST 3.158992
XAF 655.957
XAG 0.01734
XAU 0.000262
XCD 3.104224
XCG 2.0675
XDR 0.812139
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 271.708303
ZAR 18.688024
ZMK 10339.031894
ZMW 22.547637
ZWL 369.857655
SSP 6551.981415
MXV 2.243573
De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto
De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto / foto: Wojtek RADWANSKI - AFP/Arquivos

De Auschwitz ao TikTok, como os jovens aprendem sobre o Holocausto

Era uma adolescente como eles. "Cheguei aqui em 2 de setembro de 1943", começa a contar no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau a sobrevivente francesa Esther Senot para estudantes do ensino médio. Um testemunho em primeira pessoa que, em breve, não será mais possível.

Tamanho do texto:

Nesta noite gélida de dezembro, cerca de cem jovens ouvem a ex-deportada que, aos quase 97 anos, ainda fez questão de viajar para explicar o horror de Auschwitz, 80 anos após sua libertação pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945.

"Dormíamos 18 pessoas por cama. Por volta das cinco da manhã, a chefe do bloco nos fazia sair à força, batendo com um bastão. Tirávamos os que morreram durante a noite para contá-los...".

"Eu tinha uma ideia fixa: não posso morrer aos 15 anos", continua, relatando como reencontrou sua irmã de 17 anos no campo, tão desnutrida que ela mal a reconheceu. "Ela me disse: 'Eu não vou viver muito tempo. Você é jovem, prometa-me que, se voltar, contará nossa história, para que não sejamos esquecidas pela História.'"

Construído na Polônia ocupada, Auschwitz-Birkenau é o símbolo do genocídio perpetrado pela Alemanha nazista, que resultou na morte de seis milhões de judeus, incluindo cerca de um milhão assassinados no campo entre 1940 e 1945.

Para os adolescentes, que viram as malas, utensílios e cabelos que os deportados tiveram que abandonar antes de sua execução, os barracões cercados por arame farpado, as câmaras de gás e o crematório, o impacto foi direto.

"Nos falaram dos números nas aulas, mas, aqui, percebemos o que as pessoas realmente viveram", explica Charlotte, de 16 anos, aluna do colégio Saint Jean Hulst, em Versalhes, próximo a Paris, onde os 15 alunos que participaram da viagem compartilharam suas impressões uma semana depois.

"Como nasci em 2008, eu não achava que teria a oportunidade de ouvir uma sobrevivente. Fui tocado pelas roupas, pelas malas... Isso deu uma dimensão física ao que eu considerava apenas fatos históricos", acrescenta Raphaël, de 16 anos.

O trabalho de preparação foi longo, acontecendo todas as quintas-feiras pela manhã: "Não podemos simplesmente levá-los, é preciso prepará-los", explica Camille de Hillerin, responsável pedagógica pelas viagens a Auschwitz.

Foram feitas leituras, visita à sinagoga e ao Memorial do Holocausto em Paris, apresentação de testemunhos em vídeo e aulas sobre o crescimento do antissemitismo na Europa. "Focamos nosso trabalho na transmissão dos testemunhos e na ideia de fraternidade, que foi destruída pelos campos", acrescenta ela.

Antes de sair do barracão escuro, Esther Senot exortou os jovens ao seu redor: "Se nós, na nossa idade, dedicamos tempo para alertá-los, é na esperança de que isso não se repita."

- "Testemunhas das testemunhas" -

Esse é o propósito de levar os jovens hoje a Auschwitz, explica Haïm Korsia, grande rabino da França – país que abriga a maior comunidade judaica da Europa –, que organiza essas viagens da memória há mais de 20 anos: "Eles se tornam testemunhas das testemunhas."

Mas, em breve, os últimos sobreviventes desaparecerão. Em dezembro, Henri Borlant, único sobrevivente entre as 6 mil crianças judias da França deportadas para Auschwitz em 1942, faleceu aos 97 anos. Claude Bloch, último sobrevivente de Auschwitz em Lyon, faleceu em janeiro de 2024 aos 95 anos.

"Precisamos refletir sobre uma forma de continuar transmitindo toda essa história às gerações mais jovens, que possuem uma forma diferente de ouvir", avalia Alexandre Borycki, presidente da associação "Mémoire du Convoi 6 et des camps du Loiret" ("Memória do Comboio 6 e dos campos do Loiret"). Para os jovens do século XXI, o Holocausto "se torna História, como a Antiguidade."

Para envolver os jovens, ele lançou, em 2021, um projeto de "pesquisadores da memória" com turmas de estudantes do ensino médio. O objetivo é encontrar, a partir apenas de um nome, sobrenome e data de nascimento, o máximo de informações sobre pessoas internadas ou deportadas pela estação de Pithiviers.

A partir daí, os alunos "realizam uma espécie de investigação policial", pesquisando em arquivos, fazendo ligações telefônicas...

Milhares de judeus, detidos em Paris durante a batida policial do Vel'd'Hiv em julho de 1942, foram internados na estação de Pithiviers, de onde foram enviados em seis comboios para Auschwitz. A maioria não voltou.

- "Apagar todos os vestígios" -

O projeto permite enriquecer arquivos incompletos – sobre o comboio 6, pelo qual 928 pessoas foram deportadas, "temos uma biografia para apenas 350 a 400 deportados", explica Borycki.

Mas também possibilita compreender concretamente o caráter exterminador do Holocausto. Às vezes, "eles não encontram quase nada. Dizemos: 'Vocês entendem o que os nazistas queriam fazer ao tentar apagar todos os vestígios dessas pessoas?'"

Foi esse o desafio enfrentado pelos alunos do ensino médio de Boulogne-Billancourt, no subúrbio de Paris, que também procuravam informações sobre deportados judeus de sua cidade.

"Havia uma foto de uma criança sobre a qual não sabíamos nada: deixamos na exposição para mostrar que isso também é memória e que, infelizmente, ela pode desaparecer", explica o professor Paul, que prefere permanecer anônimo.

"Ensinar o Holocausto como parte da História tem, necessariamente, menos impacto do que realizar um projeto como esse", constata ele.

Para atingir os jovens da geração digital, a cineasta Sophie Nahum tomou uma decisão radical com sua série de vídeos "Les Derniers" ("Os Últimos"), em que registra os testemunhos dos últimos sobreviventes do Holocausto: vídeos curtos (de 8 a 10 minutos) e divulgação nas redes sociais, pois "é lá que estão os jovens."

"Os jovens leem pouco ou nada a imprensa, assistem muito pouco à televisão. Os longos documentários históricos nos grandes canais, eles não assistem", diz ela. Por outro lado, "um episódio de 10 minutos ou um trecho de 2 minutos no TikTok, eles assistirão, verão vários seguidos e aprenderão algo."

- "Difícil" -

Ao final de suas vidas, o grande temor dos sobreviventes é ver sua história esquecida após sua morte. Transmitir essa memória já não é fácil.

Em 2023, 140.275 alunos participaram de atividades organizadas na França pelo Memorial do Holocausto, que leva cerca de 2 mil estudantes por ano a Auschwitz.

Mas no campo Alexandre Borycki faz uma constatação direta: "O mais difícil é encontrar escolas interessadas. Algumas, infelizmente, nos dizem: 'Sabe, é muito difícil falar sobre isso.'' E isso "ainda mais desde 7 de outubro."

Raramente, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o antissemitismo foi tão elevado no mundo e na França, particularmente desde o ataque sem precedentes de 7 de outubro de 2023, no território israelense pelo movimento islamista Hamas, que desencadeou a guerra em Gaza.

Embora a cineasta Sophie Nahum acredite no potencial do TikTok para transmitir essas histórias, afirmando que "é realmente lá que estão os jovens e onde se alcançam os maiores números", ela também reconhece os perigos. "É claramente a rede mais violenta, e gerenciar isso é muito complicado."

O 7 de outubro "mudou muitas coisas que já estavam ali e latentes, mas isso fez a tampa explodir" de um antissemitismo "virulento", diz ela. "Hoje, não há mais nenhum tabu, nem mesmo em relação ao Holocausto; pode-se desejar a morte de um sobrevivente sem qualquer problema."

D.Kovar--TPP