The Prague Post - 'Começar do zero': vilarejos andinos da Venezuela são devastados pelas chuvas

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'Começar do zero': vilarejos andinos da Venezuela são devastados pelas chuvas
'Começar do zero': vilarejos andinos da Venezuela são devastados pelas chuvas / foto: Miguel Zambrano - AFP

'Começar do zero': vilarejos andinos da Venezuela são devastados pelas chuvas

Arelis Villareal escalou uma cerca com seus quatro filhos para evitar ser arrastada pela água. "Nunca pensei que o rio subiria tanto", disse ela depois de perder sua casa em um vilarejo nos Andes venezuelanos arrasado pelas chuvas.

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O rio Chama atravessou vários vilarejos no estado de Mérida, no oeste do país, com um exército de pedras e troncos carregados pela correnteza.

Primeiro contra o turístico Apartaderos, depois veio Escagüey, localizado a 35 km de distância.

Cerca de 270 famílias foram afetadas e duas pessoas morreram, de acordo com os números oficiais.

"Estava muito escuro, e eu podia ver de longe quando a água transbordava de suas margens. Isso nos deu tempo para correr. O que mais importava para mim eram meus filhos", lembrou Villareal.

O local onde ficava a casa de Keiver Sanchez também ficou sob as rochas.

"Fiquei sem nada, o deslizamento de terra me deixou sem uma coluna sequer", lamentou. "Graças a Deus, consegui tirar minha família e meus animais de estimação".

Agora ele vive em um abrigo, onde só pensa em "começar do zero novamente". "Voltar a construir a vida que tínhamos, eu gostaria de ter as minhas coisas de volta, não é fácil perder o que você sempre teve".

- "Irmandade" -

Os estados andinos de Táchira e Trujillo e os estados das planícies de Barinas e Portuguesa também foram afetados pelas chuvas, embora em menor escala do que Mérida.

O presidente Nicolás Maduro declarou emergência. Ele disse que entre 24 e 25 de junho choveu 300% a mais do que a média histórica.

Várias comunidades ficaram isoladas, sem eletricidade ou água. Nas estradas, pontes caíram e estradas foram destruídas. As autoridades registraram 370 casas afetadas, 103 declaradas como perda total.

Militares, bombeiros e equipes da Proteção Civil foram mobilizados em esforços de resgate, distribuição de ajuda e recuperação de infraestrutura.

Máquinas foram usadas para abrir estradas alternativas para os vilarejos nas montanhas. A água minou seções da estrada original e a tornou intransitável.

Os voluntários também percorreram as estradas em ruínas em veículos 4x4 e motocicletas para levar doações aos vilarejos afetados. A AFP acompanhou um desses grupos que partiu da capital do estado, Mérida.

Milhares de pessoas de diferentes cidades doaram água, alimentos, remédios e roupas.

Jonathan García liderou uma caravana de 34 motocicletas que viajou por sete horas de San José de Palmira, também em Mérida, para transportar suprimentos para vários pontos.

"Estamos unidos pela irmandade de sermos povos andinos", disse. "Cada motocicleta transportava duas pessoas e suprimentos coletados em nossa aldeia, porque somos todos iguais".

- "De casa em casa" -

Foram criados centros de coleta e abrigos nos diversos vilarejos afetados, onde grupos recebem, classificam e coordenam a distribuição das doações.

"A ajuda é para todos os afetados", repetiu Coraima Cuevas, gerente de um dos centros de coleta e abrigo em Apartaderos.

Claudina Elena Sánchez, 66 anos, ficou presa no centro de Escagüey depois de visitar sua mãe. Ela mora no páramo Los Arangures, a cerca de sete a oito horas de distância por estrada.

"Não sei como estão as estradas ou as pontes lá em cima, a situação é complicada para levar ajuda ou retornar", disse ela.

E a Proteção Civil está mantendo o alerta para novas chuvas que podem complicar a situação.

As pessoas insistem que continuarão a trabalhar para levar ajuda.

"Se isso significar andar de casa em casa carregando um litro de leite no meio dos vales do Páramo, nós o faremos", disse Francisco Javier Rivera, de outro centro de coleta em Apartaderos, instalado na igreja do vilarejo.

Z.Pavlik--TPP