The Prague Post - A humanidade deveria erradicar os mosquitos?

EUR -
AED 4.215591
AFN 74.612519
ALL 91.372888
AMD 416.148799
ANG 2.055127
AOA 1053.754519
ARS 1732.696125
AUD 1.611435
AWG 2.066186
AZN 1.968484
BAM 1.954151
BBD 2.308951
BDT 140.78119
BGN 1.93239
BHD 0.432135
BIF 3446.691229
BMD 1.147881
BND 1.464964
BOB 11.263494
BRL 5.903324
BSD 1.146432
BTN 109.850294
BWP 15.546879
BYN 3.467873
BYR 22498.472832
BZD 2.305654
CAD 1.606253
CDF 2652.753321
CHF 0.944133
CLF 0.02792
CLP 1102.448559
CNY 7.688107
CNH 7.684784
COP 3647.73709
CRC 512.867175
CUC 1.147881
CUP 30.418854
CVE 110.172022
CZK 24.349434
DJF 204.147713
DKK 7.475349
DOP 67.662897
DZD 153.890127
EGP 60.024432
ERN 17.218219
ETB 187.257168
FJD 2.543591
FKP 0.856932
GBP 0.857255
GEL 2.984306
GGP 0.856932
GHS 13.206854
GIP 0.856932
GMD 84.367409
GNF 10078.494442
GTQ 8.748617
GYD 239.847585
HKD 9.004957
HNL 30.775028
HRK 7.535036
HTG 149.833551
HUF 364.509425
IDR 20446.175915
ILS 3.485691
IMP 0.856932
INR 110.213419
IQD 1501.832556
IRR 1577877.589192
ISK 139.203916
JEP 0.856932
JMD 181.027225
JOD 0.813817
JPY 180.157697
KES 148.68527
KGS 100.382516
KHR 4646.079028
KMF 491.293359
KPW 1033.093505
KRW 1591.285003
KWD 0.353731
KYD 0.955394
KZT 512.547445
LAK 25689.319976
LBP 102660.761358
LKR 379.459762
LRD 198.332621
LSL 18.638171
LTL 3.389394
LVL 0.694342
LYD 7.281855
MAD 10.861933
MDL 20.147996
MGA 4969.805825
MKD 61.473121
MMK 2410.35978
MNT 4129.092361
MOP 9.263382
MRU 46.120078
MUR 54.604678
MVR 17.735156
MWK 1987.92233
MXN 19.776962
MYR 4.684616
MZN 73.36087
NAD 18.638171
NGN 1527.645929
NIO 42.184399
NOK 10.805179
NPR 175.76067
NZD 2.005889
OMR 0.442347
PAB 1.146432
PEN 3.868635
PGK 5.102694
PHP 72.187925
PKR 317.755536
PLN 4.364646
PYG 6796.264419
QAR 4.190364
RON 5.263267
RSD 117.291014
RUB 96.598844
RWF 1684.078753
SAR 4.313308
SBD 9.183638
SCR 16.109363
SDG 690.450789
SEK 11.295497
SGD 1.464743
SHP 0.858069
SLE 28.295144
SLL 24070.486907
SOS 655.147101
SRD 43.556924
STD 23758.824662
STN 24.479341
SVC 10.031534
SYP 14924.752525
SZL 18.632276
THB 38.293089
TJS 10.575575
TMT 4.029063
TND 3.372354
TOP 2.763822
TRY 55.997785
TTD 7.782432
TWD 36.530289
TZS 3037.942412
UAH 51.219874
UGX 4522.183587
USD 1.147881
UYU 46.101094
UZS 13573.544859
VES 972.812273
VND 29870.166328
VUV 135.399192
WST 3.157003
XAF 655.957
XAG 0.017266
XAU 0.000263
XCD 3.102207
XCG 2.066156
XDR 0.811612
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 271.530948
ZAR 18.654713
ZMK 10332.310724
ZMW 22.532984
ZWL 369.6173
SSP 6556.713832
MXV 2.242154
A humanidade deveria erradicar os mosquitos?
A humanidade deveria erradicar os mosquitos? / foto: Olympia DE MAISMONT - AFP/Arquivos

A humanidade deveria erradicar os mosquitos?

Os animais mais letais do planeta não são os leões, as aranhas ou as cobras. São os mosquitos que sugam nosso sangue, causam coceira e transmitem doenças, a ponto de alguns proporem sua erradicação.

Tamanho do texto:

Os mosquitos matam cerca de 760.000 pessoas por ano, segundo a plataforma de pesquisa Our World in Data. Eles são vetores de aproximadamente 17% das doenças infecciosas, como malária, dengue, febre amarela, chikungunya e zika.

Com as mudanças climáticas e verões cada vez mais longos, esses insetos ganham terreno e aumentam os temores de futuras crises sanitárias.

Diante dessa situação, a humanidade não poderia erradicar esses mosquitos letais? E, se o fizesse, qual seria o impacto no meio ambiente?

Na verdade, não seria necessário erradicá-los completamente.

Das aproximadamente 3.500 espécies de mosquitos conhecidas, apenas cerca de 100 picam pessoas, e cinco delas causam quase 95% das infecções em humanos, disse à AFP a bióloga Hilary Ranson, da Escola de Medicina Tropical de Liverpool.

Essas cinco espécies transmissoras de doenças "evoluíram para estar intimamente ligadas aos humanos" e se alimentam e se reproduzem perto deles, explicou.

Segundo ela, a erradicação seria "tolerável", dada a devastação que causam, e não teria um impacto significativo no ecossistema como um todo. Mosquitos geneticamente semelhantes, mas menos letais, "preencheriam rapidamente esse nicho ecológico", afirmou.

- Debate ético -

Embora concorde em termos gerais, o entomologista Dan Peach, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, acredita que são necessárias mais informações para comparar essa opção com outras.

"Não sabemos o suficiente sobre a ecologia da maioria das espécies de mosquitos para afirmar com certeza uma coisa ou outra", diz ele.

Os mosquitos "transportam nutrientes de seus habitats larvais aquáticos" para outras áreas e servem de alimento para insetos, peixes e outros animais, explica. Eles também polinizam plantas, mas esse fenômeno "não é bem compreendido e pode variar dependendo da espécie".

O debate ético sobre a eliminação de espécies vivas é legítimo, segundo Hilary Ranson, embora ela enfatize que os humanos já exterminam muitas delas involuntariamente.

Uma das biotecnologias para eliminar esses insetos seria o "impulso genético", que envolve a modificação de um cromossomo para transmitir uma característica a toda a prole.

Por exemplo, um grupo de cientistas modificou geneticamente mosquitos fêmeas da espécie "Anopheles gambiae", transmissores da malária, para torná-las estéreis e, assim, conseguiu erradicar uma população em laboratório em poucas gerações.

A iniciativa "Target Malaria", financiada pela Fundação Gates, ainda não testou a tecnologia na África, mas planeja realizar um ensaio clínico em 2030 em um país onde a doença seja endêmica.

Outra estratégia promissora envolve infectar mosquitos Aedes aegypti, vetores da dengue, com a bactéria Wolbachia, que impede a circulação do vírus. Isso reduziria a população de mosquitos ou, pelo menos, sua capacidade de transmitir a doença.

- Não tem "solução milagrosa" -

Este método levanta outra questão: é realmente necessário matar esses mosquitos?

Um estudo publicado em 2025 mostrou que a liberação de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, reduziu os casos de dengue em 89%.

Mais de 16 milhões de pessoas em 15 países estão agora protegidas por esses mosquitos, "sem nenhuma consequência negativa", disse Scott O'Neill, fundador do World Mosquito Program, à AFP.

Enquanto isso, outro projeto de "transmissão zero" tenta usar a genética para impedir que mosquitos fêmeas do gênero Anopheles gambiae transmitam a malária.

Um estudo laboratorial publicado na revista Nature no final de 2025 sugere que os cientistas estão se aproximando desse objetivo. Um estudo de campo deve começar até 2030.

No entanto, esses projetos precisam de um certo grau de "apoio político ou adesão" dos países onde são realizados, disse à AFP o autor do estudo, Dickson Wilson Lwetoijera, do Instituto de Saúde Ifakara, na Tanzânia.

A junta militar em Burkina Faso, por exemplo, suspendeu os testes com mosquitos geneticamente modificados no ano passado, após críticas da sociedade civil e campanhas de desinformação.

Hilary Ranson defende uma "solução mais global" para as infecções, em vez de uma "cura milagrosa" financiada pela Fundação Gates.

Segundo ela, isso se traduziria em proporcionar às populações dos países afetados um acesso melhor a diagnósticos, tratamentos e vacinas mais eficazes.

No entanto, ONGs alertam que os cortes na ajuda internacional por parte dos países ocidentais desde 2025 ameaçam os avanços no combate à maioria das doenças transmitidas por mosquitos.

D.Kovar--TPP