Julgamento de policiais por morte de entregador é adiado para junho de 2027
O julgamento de três policiais franceses acusados de homicídio culposo pela morte, em 2020, de Cédric Chouviat, durante uma fiscalização de trânsito, foi adiado nesta segunda-feira (26) pelo Tribunal Correcional de Paris para junho de 2027. Estão previstos três dias de audiências.
Mais cedo, os advogados de ambas as partes haviam denunciado, por unanimidade, que o tempo previsto para as audiências — um dia e meio — era insuficiente, levando em conta que os representantes legais da família solicitaram que fosse declarada a "incompetência" do tribunal.
Segundo eles, os fatos configuram um crime de natureza penal e, portanto, devem ser julgados por um tribunal do júri.
A defesa, que afirmou não ter tido tempo suficiente para analisar suas conclusões, havia solicitado o adiamento do julgamento.
Cédric Chouviat, um entregador de 42 anos, foi derrubado e imobilizado no chão enquanto usava um capacete de motociclista durante uma abordagem policial em Paris, em 3 de janeiro de 2020, depois de chamar os policiais de "palhaços".
Segundo um vídeo gravado por sua câmera, Chouviat disse nove vezes, em 13 segundos, que estava "sufocando". Após perder a consciência, foi levado ao hospital em estado crítico e morreu dois dias depois.
Os três policiais são acusados de homicídio culposo. Todos afirmam que não ouviram seus pedidos de socorro.
Um dos agentes, Michael P., de 33 anos, derrubou Chouviat com uma técnica de estrangulamento que, desde então, foi proibida.
Segundo documentos judiciais consultados pela AFP, a lembrança do agente sobre a abordagem era "confusa".
"Estávamos em uma posição desconfortável. Pelo que me lembro, passei meu antebraço direito por baixo do capacete dele", declarou. "Tomei cuidado para não exercer pressão demais".
Os policiais "agiam no contexto de uma abordagem difícil em uma via muito movimentada", declarou Pauline Ragot, advogada de dois dos agentes. A defensora classificou a abordagem como "legítima".
No entanto, em abril, o defensor dos direitos da França concluiu que a polícia havia adotado uma "conduta inadequada, negligente e imprudente".
C.Novotny--TPP