The Prague Post - Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina

EUR -
AED 4.210756
AFN 72.800658
ALL 94.467521
AMD 422.045782
ANG 2.052509
AOA 1052.391031
ARS 1679.98434
AUD 1.636445
AWG 2.066377
AZN 1.953423
BAM 1.955416
BBD 2.308247
BDT 140.672391
BGN 1.938417
BHD 0.432214
BIF 3421.989075
BMD 1.146395
BND 1.47961
BOB 7.91948
BRL 5.906576
BSD 1.146075
BTN 108.035969
BWP 15.574536
BYN 3.184375
BYR 22469.342
BZD 2.304858
CAD 1.62568
CDF 2613.781015
CHF 0.926052
CLF 0.026287
CLP 1034.576085
CNY 7.76064
CNH 7.765553
COP 3958.135089
CRC 519.897961
CUC 1.146395
CUP 30.379468
CVE 110.516942
CZK 24.178736
DJF 203.73777
DKK 7.470488
DOP 66.95392
DZD 152.866088
EGP 57.304262
ERN 17.195925
ETB 181.560354
FJD 2.562771
FKP 0.866343
GBP 0.867056
GEL 3.038394
GGP 0.866343
GHS 12.86833
GIP 0.866343
GMD 84.264447
GNF 10059.616532
GTQ 8.742284
GYD 239.733994
HKD 8.985937
HNL 30.591596
HRK 7.531472
HTG 149.700619
HUF 351.737358
IDR 20435.981189
ILS 3.39126
IMP 0.866343
INR 108.140018
IQD 1501.77745
IRR 1576293.125404
ISK 143.907407
JEP 0.866343
JMD 181.084459
JOD 0.812839
JPY 184.919291
KES 148.347871
KGS 100.252683
KHR 4597.044352
KMF 492.381002
KPW 1031.755901
KRW 1751.290761
KWD 0.35301
KYD 0.954988
KZT 559.275597
LAK 25283.742125
LBP 102659.67265
LKR 382.484931
LRD 208.816287
LSL 18.806655
LTL 3.385007
LVL 0.693443
LYD 7.308313
MAD 10.575539
MDL 20.238498
MGA 4814.859397
MKD 61.599058
MMK 2406.833222
MNT 4104.578262
MOP 9.252484
MRU 45.925018
MUR 54.855435
MVR 17.712236
MWK 1991.28851
MXN 19.875348
MYR 4.743672
MZN 73.266537
NAD 18.80515
NGN 1559.602046
NIO 41.969953
NOK 11.119286
NPR 172.862073
NZD 2.00055
OMR 0.441342
PAB 1.14608
PEN 3.879445
PGK 5.030095
PHP 69.605097
PKR 319.070432
PLN 4.257425
PYG 7037.680122
QAR 4.173455
RON 5.236851
RSD 117.127605
RUB 83.805197
RWF 1678.32228
SAR 4.296964
SBD 9.241576
SCR 15.686423
SDG 688.414411
SEK 10.994736
SGD 1.481605
SHP 0.8559
SLE 28.373701
SLL 24039.334153
SOS 655.168941
SRD 42.878043
STD 23728.061938
STN 24.532853
SVC 10.028032
SYP 126.713444
SZL 18.805061
THB 37.705354
TJS 10.62946
TMT 4.012383
TND 3.338016
TOP 2.760244
TRY 53.260073
TTD 7.771509
TWD 36.357961
TZS 3016.148092
UAH 51.484295
UGX 4171.181333
USD 1.146395
UYU 45.821007
UZS 13762.472358
VES 695.440649
VND 30161.65245
VUV 135.427002
WST 3.154644
XAF 655.828282
XAG 0.017379
XAU 0.000274
XCD 3.09819
XCG 2.065395
XDR 0.806715
XOF 647.713555
XPF 119.331742
YER 273.533961
ZAR 18.834198
ZMK 10318.934862
ZMW 20.543058
ZWL 369.138722
Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina
Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina / foto: LUIS ROBAYO - AFP

Muita regulamentação e pouco investimento, o paradoxo de uma Europa necessitada de lítio... e da América Latina

A Europa quer ser referência mundial em transporte limpo, mas enfrenta um desafio: o lítio, um recurso-chave para fabricar baterias de carros elétricos, e cobiçado pela China na América Latina e na África.

Tamanho do texto:

A China produz mais de três quartos das baterias vendidas no mundo, refina 70% dessa matéria-prima e é o terceiro maior produtor mundial, atrás da Alemanha e do Chile, segundo dados de 2024 do serviço geológico dos Estados Unidos (USGS).

Para ganhar posição, a Europa desenvolveu uma ambiciosa arquitetura regulatória que enfatiza a proteção ambiental, a criação de empregos de qualidade e a cooperação com as comunidades locais.

Além disso, firmou acordos bilaterais com cerca de 15 países, entre eles Chile e Argentina, o quinto maior produtor mundial de lítio.

O problema é o dinheiro.

"Vejo muitos memorandos de entendimento, mas falta ação. Às vezes, no mesmo dia em que assinamos um acordo, os chineses compram uma mina naquele país", disse Julia Poliscanova, diretora da área de veículos elétricos no grupo de reflexão Transport and Environment (T&E), à AFP.

O desfasamento é óbvio: enquanto a China investiu 6,08 bilhões de dólares (aproximadamente 33,9 bilhões de reais) em projetos de lítio de 2020 a 2023, a Europa colocou na mesa apenas 1,06 bilhão de dólares (cerca de 5,9 bilhões de reais), segundo dados recolhidos pelo T&E.

A Agência Internacional de Energia o confirma claramente em seu recente relatório de 2025 sobre minerais críticos, no qual, aliás, destaca o aumento da demanda mundial de lítio no ano passado, em 30%.

"Para garantir o fornecimento de matérias-primas, a China está investindo ativamente nas minas fora do país, através de empresas estatais com apoio político do governo", aponta a AIE.

A China conta com a Iniciativa do Cinturão e Rota, na qual a mineração foi o segundo maior capítulo, com 21,4 bilhões de dólares (cerca de 119,3 bilhões de reais) de investimento em 2024, detalha a AIE.

A Europa "atrasa os níveis de investimento nestas áreas" e, "se não tiver clara sua posição sobre como desenvolver suas indústrias nacionais de baterias e até de mineração (...), vai deixar espaços que serão ocupados em outras partes do mundo", aponta de Santiago do Chile Sebastián Galarza, fundador do Centro de Mobilidade Sustentável.

O caso é especialmente marcante na África, onde a demanda chinesa elevou o Zimbábue à posição de quarto maior produtor mundial de lítio.

"Os chineses e outros atores nem sempre falam de padrões [de investimento], mas lá está o dinheiro deles. Os ideais e padrões da UE precisam vir acompanhados de dinheiro, em forma de investimentos reais em mineração", ressalta Theo Acheampong, do centro de reflexão ECFR.

- América Latina, parceiro imprescindível -

Para 2035, a UE tem o objetivo de que todos os novos carros destinados ao seu mercado produzam zero emissões. A porcentagem de vendas de veículos elétricos na UE foi de 21% em 2024, segundo a AIE.

A Europa planeja construir dezenas de fábricas de baterias, mas não encontra facilidade diante do apetite errático de seus próprios consumidores e da concorrência do Japão (Panasonic), Coreia do Sul (LG Energy Solution, Samsung) e sobretudo, da China (CATL, BYD).

Tanto o mercado como os analistas defendem, portanto, uma aproximação com o triângulo do lítio formado por Chile, Argentina e Bolívia (quase metade das reservas do precioso metal), sem esquecer a emergente produção brasileira. O objetivo: criar cadeias de valor e, que algum dia, as baterias de carros elétricos sejam fabricadas na América Latina também.

A proposta regulatória europeia permitiria à América Latina "compatibilizar o desenvolvimento local com a exportação dessas matérias-primas, e não cair em um ciclo puramente extrativista", expõe Juan Vázquez, chefe-adjunto para a América Latina e o Caribe no Centro de Desenvolvimento da OCDE.

"Atualmente, 4% do lítio do Chile vai para a Europa (...), mas a UE tem todas as possibilidades para aumentar a participação na indústria de baterias", destaca Stefan Debruyne, diretor de assuntos externos da mineradora chilena privada SQM.

- Uma eletrificação crescente -

Galarza levanta a questão fundamental, que vai além da extração do metal.

"Que interesse você tem como empresa em se instalar no Chile para produzir cátodos, baterias ou materiais mais elaborados, se não tem um mercado local ou regional para abastecer? Por que simplesmente não levar o lítio, refiná-lo e fazer tudo na China e nos mandar a bateria de volta?", pergunta.

Defendendo a tradição automotiva do México, Brasil e Argentina, o mesmo responde: "devemos avançar rapidamente para a eletrificação do transporte na região", para que "também sejamos parte dos benefícios dessa transição energética".

O caminho promete ser longo, mas os últimos dados são promissores, segundo a AIE, que elogiou recentemente as políticas públicas aplicadas, tais como incentivos fiscais e reduções das tarifas de registro.

No Brasil, o maior mercado regional, a participação nas vendas de carros elétricos dobrou em 2024 em relação ao ano anterior, alcançando 6,4%, sendo 85% deles importados da China.

A tendência também melhorou na Costa Rica e na Colômbia, com porcentagens de 15% e 7,4%, respectivamente. O México e o Chile cresceram e ficaram ligeiramente acima de 2%.

D.Kovar--TPP