The Prague Post - Em busca de um futuro nas Canárias: histórias de migrantes diante da visita de Leão XIV

EUR -
AED 4.231433
AFN 74.892934
ALL 93.964547
AMD 422.42859
AOA 1057.71362
ARS 1715.616549
AUD 1.639899
AWG 2.075388
AZN 1.95509
BAM 1.964441
BBD 2.320889
BDT 142.295919
BHD 0.434489
BIF 3453.699027
BMD 1.152193
BND 1.48453
BOB 13.569099
BRL 5.851763
BSD 1.152359
BTN 110.199606
BWP 15.746469
BYN 3.372033
BYR 22582.986129
BZD 2.317695
CAD 1.614655
CDF 2621.239218
CHF 0.928846
CLF 0.027096
CLP 1066.41274
CNY 7.783353
CNH 7.775587
COP 3599.082761
CRC 523.89994
CUC 1.152193
CUP 30.533119
CVE 111.359268
CZK 24.204641
DJF 204.767487
DKK 7.47521
DOP 67.08644
DZD 152.919167
EGP 58.84239
ERN 17.282898
ETB 186.000011
FJD 2.553149
FKP 0.867174
GBP 0.856051
GEL 3.018565
GGP 0.867174
GHS 13.474877
GIP 0.867174
GMD 85.262595
GNF 10101.857255
GTQ 8.792676
GYD 241.096794
HKD 9.036708
HNL 30.87481
HRK 7.53315
HTG 150.672767
HUF 362.580193
IDR 20794.263843
ILS 3.531443
IMP 0.867174
INR 110.247661
IQD 1509.540037
IRR 1584265.60873
ISK 142.606705
JEP 0.867174
JMD 182.251673
JOD 0.816868
JPY 184.750148
KES 149.070356
KGS 100.758911
KHR 4654.860526
KMF 496.020675
KRW 1644.974733
KWD 0.356892
KYD 0.960337
KZT 546.678406
LAK 26131.741487
LBP 103178.89777
LKR 387.072622
LRD 209.134754
LSL 19.137841
LTL 3.402127
LVL 0.69695
LYD 7.379782
MAD 10.812757
MDL 20.29353
MGA 4926.821346
MKD 61.505418
MMK 2419.425088
MNT 4143.544445
MOP 9.310877
MRU 46.214335
MUR 54.394729
MVR 17.813507
MWK 2000.207131
MXN 19.983063
MYR 4.693692
MZN 73.636643
NAD 19.137958
NGN 1572.121116
NIO 42.407828
NOK 10.978792
NPR 176.313021
NZD 1.961834
OMR 0.443021
PAB 1.152404
PEN 3.904876
PGK 5.084365
PHP 70.89455
PKR 320.191151
PLN 4.307491
PYG 6887.295252
QAR 4.198819
RON 5.246048
RSD 117.399306
RUB 91.859024
RWF 1690.26738
SAR 4.2996
SBD 9.299986
SCR 15.599018
SDG 691.315584
SEK 10.991174
SGD 1.477694
SLE 28.464345
SOS 658.591239
SRD 43.489504
STD 23848.072347
STN 24.60803
SVC 10.083354
SZL 19.113073
THB 38.487877
TJS 10.641818
TMT 4.044198
TND 3.407187
TRY 54.735624
TTD 7.821643
TWD 37.342774
TZS 3050.429113
UAH 51.410942
UGX 4315.984789
USD 1.152193
UYU 46.353898
UZS 13833.851174
VES 856.420682
VND 30281.364793
VUV 137.723124
WST 3.171439
XAF 658.878091
XAG 0.019493
XAU 0.000281
XCD 3.113859
XCG 2.076899
XDR 0.820359
XOF 658.855116
XPF 119.331742
YER 274.596437
ZAR 19.01568
ZMK 10371.122817
ZMW 21.520315
ZWL 371.005731
Em busca de um futuro nas Canárias: histórias de migrantes diante da visita de Leão XIV
Em busca de um futuro nas Canárias: histórias de migrantes diante da visita de Leão XIV / foto: OSCAR DEL POZO - AFP

Em busca de um futuro nas Canárias: histórias de migrantes diante da visita de Leão XIV

Haruna Ndom embarcou há dois anos em uma viagem de mil quilômetros pelo Atlântico em uma embarcação frágil, ao lado de dezenas de migrantes. Agora, no arquipélago espanhol das Canárias, busca um futuro para ajudar sua família no Senegal.

Tamanho do texto:

Haruna chegou "há dois anos" de seu país de origem diretamente "até aqui", à ilha de Gran Canaria, conta à AFP esse robusto jovem de 18 anos, que admite ter sentido "medo" durante a travessia de vários dias, embora "pelo menos soubesse nadar".

Como ele, dezenas de milhares de migrantes chegaram após percorrer a perigosa rota até esse conjunto de ilhas localizado diante da costa africana, onde o papa Leão XIV, defensor do acolhimento aos que chegam, visitará Gran Canaria e Tenerife nos dias 11 e 12 de junho.

Desde o recorde registrado em 2024, com 46.843 pessoas chegando de forma irregular, os números diminuíram, mas as Canárias continuam sendo símbolo das tragédias humanas provocadas por essas travessias.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 1.172 migrantes morreram ou desapareceram na rota para essas ilhas espanholas em 2025.

Usando tênis cor-de-rosa, meias amarelas e uniforme bege e marrom, Haruna treina com uma equipe de futebol formada por jovens que chegaram às Canárias desacompanhados quando ainda eram menores de idade, uma iniciativa da UD Las Palmas e da associação UP2U para promover sua integração à sociedade.

"Gosto dos companheiros e gosto da forma como jogamos", afirma Haruna, que estuda e faz estágio para se tornar eletricista. Ele quer "trabalhar com isso" para ajudar sua mãe e seus dois irmãos no Senegal.

Alto e com tranças no cabelo, Matar Top também chegou do Senegal há três anos, quando tinha 15 anos, com a intenção de enviar dinheiro para sua família.

"Tenho dois irmãos e meu pai lá. Minha mãe morreu", conta Matar, o segundo membro da família a chegar à Europa. Seu "irmão mais velho já está aqui", em Gijón, no norte da Espanha.

Hoje ele não treina porque não conseguiu trazer seu uniforme após vir diretamente da plantação de mamão onde trabalha. É comum que vários dos 30 jogadores faltem aos treinamentos porque precisam trabalhar, frequentar cursos profissionalizantes ou porque vivem longe e não conseguem chegar.

"Tento vir toda semana, se tenho tempo. Antes de começar a trabalhar, eu vinha sempre, toda quinta-feira", explica Matar.

- "Ajudar minha família" -

Nesta tarde de maio, a equipe faz aquecimento sob o olhar do treinador Juan Manuel Rodríguez em um campo anexo ao estádio da UD Las Palmas, onde Leão XIV celebrará uma missa multitudinária.

Graças ao programa, que atendeu cerca de 300 jovens em dez anos, "temos garçons, mecânicos, gestores, advogados, pessoas que conseguiram seguir em frente e construir um projeto de vida diferente", afirma Rodríguez.

Um deles chegou inclusive ao futebol profissional: Aboubacar Bassinga, marfinense que atualmente joga no Ceuta, da segunda divisão espanhola.

A 25 quilômetros de Las Palmas, em Gáldar, Adama Conde e Modou Lamin trabalham em uma plantação de banana das Canárias dentro de um programa de integração do governo regional destinado a jovens migrantes que chegaram desacompanhados e permanecem sob tutela até os 18 anos: atualmente são 3.000 adolescentes, mas chegaram a quase 6.000 em 2025.

"Quero ter um bom futuro" e, com esse trabalho, "posso ajudar minha família", diz Adama, de 17 anos, usando botas de plástico e luvas para manusear as bananeiras.

Ele saiu ainda muito jovem da Guiné e, anos depois, conseguiu embarcar no Marrocos com outras 50 pessoas em uma embarcação que o levou no ano passado à vizinha ilha espanhola de Fuerteventura. Também sentiu "muito medo" durante a viagem.

"Agora estou tranquilo e durmo bem", garante.

Ele acorda às 5h30 da manhã porque leva "uma hora" para chegar "de ônibus" - chamado de "guagua" nas Canárias - desde o centro de acolhimento para menores onde vive.

Sergio Ayala, proprietário da plantação, de 45 anos, valoriza "a vontade de trabalhar" dos jovens que chegam à Espanha, país mergulhado em um intenso debate sobre imigração.

- "Cais da vergonha" -

Enquanto o governo de esquerda de Pedro Sánchez defende uma política de acolhimento, na contramão de vários parceiros europeus, a oposição de direita o critica, e a extrema direita adota um discurso ainda mais duro.

Os migrantes "enriquecem nossas vidas (...). São pessoas como nós. Sentem e precisam se sentir acolhidas em nossas comunidades", afirma Amparo Urzainqui, voluntária de 66 anos que trabalha no serviço de duchas e assistência a imigrantes da Cáritas em Gran Canaria.

"Você não imagina a alegria que sentem quando são tratados como qualquer outra pessoa", acrescenta Amparo, que participará do encontro entre Leão XIV e migrantes no porto de Arguineguín.

Em uma manhã recente de maio, o porto parecia tranquilo, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores, especialmente em meados de 2020, quando uma onda massiva de migrantes em plena pandemia de covid-19 provocou o colapso do pequeno cais, onde mais de 2.500 pessoas dormiram ao relento ou sob lonas improvisadas.

Conhecido como o "cais da vergonha", o papa se reunirá ali com os migrantes e fará uma homenagem em memória dos milhares que morreram tentando chegar à Europa por essa rota.

A.Slezak--TPP